Inscrições para o Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo seguem abertas até 12 de dezembro

Edital reconhece produções sobre ciência, tecnologia e inovação feitas na Bahia

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI), seguem com as inscrições abertas para o Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, que podem ser realizadas até 12 de dezembro no site da Fapesb. O edital foi criado para valorizar reportagens e produtos jornalísticos sobre ciência, tecnologia e inovação produzidos no estado.

O prêmio contempla cinco categorias: Texto (impresso ou digital), Vídeo, Áudio, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário. Podem participar profissionais com registro de jornalista e/ou radialista no Ministério do Trabalho e Emprego, além de estudantes de jornalismo a partir do 4º semestre, matriculados em instituições de ensino superior reconhecidas pelo MEC e sediadas na Bahia.

Para o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, o prêmio fortalece a aproximação entre o conhecimento científico e a sociedade. “A Bahia tem uma imprensa criativa e comprometida, e este prêmio valoriza os profissionais e estudantes que ajudam a traduzir a ciência em histórias que inspiram e transformam o nosso estado”, pontuou.

A presidente da ABI, Suely Temporal, ressalta o papel da iniciativa na promoção da informação qualificada. “Este momento representa um passo importante na valorização do jornalismo comprometido com o conhecimento, a pesquisa e a verdade. Participar desta iniciativa reforça nossa convicção de que a boa ciência precisa de bom jornalismo e que a boa informação é parte essencial do desenvolvimento social”, afirmou a dirigente. Segundo ela, o prêmio surge como símbolo dessa convergência entre ciência, cidadania e informação de qualidade.

Premiação

Os trabalhos inscritos serão avaliados de acordo com critérios como noticiabilidade, relevância, criatividade, originalidade, apuração e impacto dos temas científicos, tecnológicos e inovadores para a Bahia. As premiações para as categorias profissionais serão de R$ 10 mil (1º lugar), R$ 7 mil (2º lugar) e R$ 5 mil (3º lugar). Na categoria Jornalismo Universitário, os vencedores receberão R$ 4 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. A cerimônia de entrega está prevista para março de 2026.

 

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O quê: Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo.
Quando: Inscrições até 12 de dezembro de 2025.
Quem pode participar: Jornalistas e/ou radialistas com registro no Ministério do Trabalho e Emprego e/ou estudantes cursando a partir do 4º semestre de jornalismo, em instituições reconhecidas pelo MEC.
Edital completo em: www.fapesb.ba.gov.br
Dúvidas: premiobahiafazciencia@fapesb.ba.gov.br

 

Pesquisar é Coisa de Preto debate racismo institucional e homenageia Antônia Garcia

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) realizou a segunda edição do evento “Pesquisar é coisa de preto”, que neste ano trouxe como tema “Racismo institucional – e eu com isso?”. A iniciativa integrou a programação do Mês da Consciência Negra e reuniu representantes de instituições parceiras, pesquisadores e convidados para discutir equidade, fortalecer a produção científica negra e reafirmar o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

A cerimônia de abertura, realizada no auditório Lúcia Alencar, na Secretaria de Saúde da Bahia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), contou com a presença de representantes da Sesab, Secti, Hemoba, Fapesb e de outras instituições. No momento inicial, houve uma homenagem póstuma à socióloga Antônia Garcia, referência na luta pelos direitos humanos e pela justiça social.

O filho da homenageada, Márcio Garcia, participou da solenidade e ressaltou a trajetória da mãe em defesa do povo negro e das populações mais vulneráveis. “Minha mãe lutou pelos que não tinham voz e fez da equidade sua missão diária. Ver a quarta edição do Edital Falciforme levar o nome de Antônia Garcia é mais do que uma homenagem — é a confirmação de que sua luta como mulher negra atravessou o tempo e continua inspirando caminhos para que outras vidas tenham dignidade, respeito e oportunidades.”

Em seguida, o gestor técnico Marcelo Ávila apresentou o Edital Falciforme 4 – Edição Antônia Garcia, voltado ao apoio a pesquisas sobre doenças e agravos que afetam de forma desproporcional a população negra, com destaque para a doença falciforme. A nova edição vai destinar R$ 4 milhões para incentivar estudos e fortalecer políticas públicas que reduzam desigualdades e promovam qualidade de vida.

 

Combate ao racismo institucional

No período da tarde, a programação seguiu com a mesa-redonda “Racismo Institucional – e eu com isso?”, que reuniu especialistas para discutir o papel do Estado no enfrentamento às desigualdades raciais. Participaram do debate Letícia Menezes, mestre em Educação e Diversidade; Laisa Liane Domingos, fisioterapeuta, psicóloga e pesquisadora com estudos voltados à reabilitação de pessoas com doenças crônicas; e Altair Lira, assessor de Relações Institucionais do Centro Estadual de Referência às Pessoas com Doença Falciforme – Rilza Valetim – Hemoba. As falas destacaram a importância de políticas públicas efetivas, ações institucionais contínuas e da participação ativa da sociedade para transformar as estruturas que ainda perpetuam o racismo.

Para Talita Assis, coordenadora de Fomento da Fapesb e uma das idealizadoras do evento, o combate ao racismo institucional dever ser uma prioridade do Estado, uma vez que esse fenômeno é um dos principais motores da desigualdade social no país.

“Não basta apenas a não-discriminação formal. É crucial que o governo atue com ações práticas e afirmativas para desmantelar os mecanismos burocráticos, culturais e estruturais que colocam a população negra em desvantagem no acesso a direitos e benefícios. Ações como o lançamento do Edital Falciforme — edição Antônia Garcia, representam um modelo de intervenção que reconhece o problema, assumindo que o racismo institucional gera disparidades na saúde, como a alta prevalência da anemia falciforme e de outros agravos que demandam atenção específica.”

O evento foi encerrado com agradecimentos aos participantes e com o compromisso de fortalecer cada vez mais os espaços de diálogo e valorização da ciência produzida por pesquisadores negros, consolidando o “Pesquisar é coisa de preto” como um momento de reflexão, celebração e avanço nas pautas de equidade racial na ciência e na gestão pública.

Lançado o Edital Centelha 3 na Bahia

Transformar boas ideias em negócios inovadores e sustentáveis é o objetivo do Programa Centelha, que chega na sua terceira edição ampliando as oportunidades para quem deseja empreender com base em tecnologia e criatividade. A iniciativa oferece capacitações e apoio financeiro para o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos que tragam soluções inovadoras aos setores estratégicos da economia baiana.

Com R$ 4 milhões em recursos, o programa vai apoiar até 47 projetos de inovação, cada um podendo receber até R$ 86 mil em subvenção econômica. O Programa Centelha 3 é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação (MCTI), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com Conselho Nacional de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.  O investimento vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT/Finep), que destina R$ 3 milhões, e da Fapesb, responsável pela contrapartida estadual de R$ 1 milhão.

Nas duas primeiras edições do Centelha na Bahia, 83 empreendimentos inovadores foram apoiados, consolidando o programa como um dos principais instrumentos de incentivo à criação e fortalecimento de negócios de base tecnológica no estado. Com essa nova edição, a expectativa é ampliar ainda mais o alcance e o impacto da iniciativa. Além do apoio financeiro, os projetos aprovados poderão contar com bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora, no valor de até R$ 50 mil por proposta, concedidas pelo CNPq, destinadas à formação e à atuação de bolsistas durante o desenvolvimento das ideias.

Para o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, o programa representa uma porta de entrada para o ecossistema de inovação da Bahia. “O Centelha é a ponte entre a criatividade e o empreendedorismo. Nosso propósito é criar condições para que boas ideias se transformem em negócios que gerem impacto real no desenvolvimento tecnológico e econômico do estado, gerando emprego e renda”, afirmou.

O Centelha é voltado a pessoas físicas, com ou sem empresa formalizada, que tenham propostas com potencial de gerar produtos, serviços ou processos inovadores. O processo de seleção será realizado em duas fases: a primeira dedicada à apresentação das ideias inovadoras, e a segunda, ao detalhamento técnico, financeiro e de viabilidade comercial dos projetos. O edital completo do Programa Centelha Bahia está disponível no site da Fapesb (www.fapesb.ba.gov.br), na aba Editais. Dúvidas e solicitações podem ser enviadas para centelha3@fapesb.ba.gov.br.

Fapesb e PGE lançam edital para soluções em Inteligência Artificial

A Bahia dá mais um passo rumo à inovação na gestão pública. Com investimento de R$ 6 milhões, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) lançaram o edital “Soluções de Sistemas Inteligentes para a Administração Estadual”, voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras em Inteligência Artificial (IA). A iniciativa, realizada em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), tem como objetivo impulsionar o uso de tecnologias de ponta para aprimorar a gestão pública e os serviços oferecidos à sociedade.

O diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, destacou que a iniciativa reforça o papel do Estado como indutor da inovação e que a ação se enquadra no modelo de encomenda tecnológica aberta, previsto na nova legislação nacional de ciência e tecnologia, cumprindo metas do Plano Plurianual (PPA 2024–2027) voltadas à modernização da gestão pública. “

“A construção de softwares inteligentes em parceria com a PGE é um primeiro passo para dotar a governança do Estado de instrumentos que agilizem o trabalho e melhorem o atendimento à população. Ao mesmo tempo, fortalece a economia baiana, permitindo o desenvolvimento das nossas micro e pequenas empresas, gerando emprego e renda, e criando produtos que podem ser comercializados em todo o país.”

 

Ferramentas inteligentes

A proposta do edital prevê o desenvolvimento de duas ferramentas baseadas em IA generativa: o TIA (Tecnologia Inteligente em Assessoria Jurídica) e o TIA PROC (Tecnologia Inteligente em Assessoria ao Procurador).

O TIA será um chatbot jurídico – um programa de computador que simula uma conversa humana e responde automaticamente as perguntas – voltado ao atendimento de consultas simples e demandas repetitivas, oferecendo respostas automáticas baseadas em pareceres referenciais da PGE-BA. Já o TIA PROC apoiará diretamente o trabalho dos procuradores, com uma solução capaz de interpretar autos, elaborar minutas de pareceres e identificar precedentes. A expectativa é reduzir tarefas manuais e liberar tempo para atividades de maior complexidade técnica.

Ambas as ferramentas seguirão padrões rigorosos de segurança, privacidade e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo confiabilidade e integridade nas informações processadas.

O Procurador-Geral Adjunto para Assuntos Administrativos, Ricardo Villaça, ressaltou o alcance da iniciativa.“O lançamento do edital de subvenção para projetos de tecnologia e IA, que contou com a participação ativa da PGE em sua construção, além de contemplar um projeto estratégico da instituição para a área da consultoria e assessoramento, é um marco que agrega desenvolvimento, geração de emprego e renda e retorno desse investimento como soluções avançadas para a própria Administração Pública, beneficiando ao fim toda a sociedade e trazendo a Bahia para a vanguarda da inovação.”

A procuradora do Estado Marcela Capachi, especialista em Ciência de Dados e Inteligência Artificial aplicados às Ciências Jurídicas e coordenadora da Comissão de Transformação Digital da PGE-BA, também destacou o caráter prático da iniciativa. “Com esse edital, esperamos desenvolver soluções reais que facilitem o dia a dia do trabalho do Procurador do Estado. A expectativa é que, a partir da inteligência artificial, a PGE consiga automatizar etapas repetitivas, organizar informações com mais eficiência e oferecer respostas mais rápidas e precisas à administração pública. A ideia é transformar inovação em resultado concreto — mais agilidade, mais qualidade técnica e um serviço público mais inteligente.”

O edital completo está disponível no portal da Fapesb (www.fapesb.ba.gov.br), na aba ‘Editais’, com todas as informações sobre requisitos, critérios de seleção e prazos para submissão das propostas.

Realidade virtual leva público a imersão nas fazendas de cacau do sul da Bahia

Uma iniciativa tecnológica está conectando o mundo à riqueza ambiental e cultural das fazendas de cacau no sul da Bahia. Já pensou em viajar sem sair de casa, utilizando realidade virtual, para conhecer uma das regiões mais emblemáticas da produção cacaueira no Brasil? Isso agora é possível graças ao projeto desenvolvido por Amanda Oliveira Alves, doutoranda em Modelagem Computacional pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

O que era apenas uma ideia da pesquisadora logo se transformou em proposta com o apoio do Edital Incite, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que financia e proporciona que pesquisadores de todo o estado possam trabalhar em redes de cooperação científica e tecnológica.

O trabalho desenvolvido no Incite Indústria 4.0, em parceria com a empresa Benevides Chocolates, resultou na criação de um ambiente em realidade virtual que reproduz, com fidelidade, as plantações de cacau e o sistema agroflorestal cabruca, uma técnica tradicional e sustentável de cultivo do cacau sob a sombra da Mata Atlântica, que faz da Bahia destaque mundial quando o assunto é produção de chocolate de qualidade.

Amanda explica que a iniciativa oferece uma experiência imersiva por meio de vídeos em 360 graus, que permitem ao público explorar as fazendas de forma interativa. A tecnologia contribui para a valorização da cultura local, ao mesmo tempo em que promove o turismo rural como alternativa econômica e educativa. “O sistema cabruca é um método único de cultivo de cacau, presente no sul da Bahia. Poder disseminar essa cultura sustentável para o mundo por meio da realidade virtual é uma oportunidade grandiosa”, afirma.

Nos próximos dias, a Fapesb vai disponibilizar em seu site e redes sociais o link para que usuários possam acessar, de forma gratuita, a plataforma e baixar o arquivo que permitirá vivenciar a experiência. Vale ressaltar que para conseguir imergir nessa aventura será necessário o uso de óculos VR.

 

Experiência educativa

Durante o tour virtual, os usuários podem navegar pelo ambiente com comandos interativos e acompanhar narrações explicativas que detalham todo o ciclo produtivo, desde a plantação até a secagem dos frutos. Também é possível conhecer a rica biodiversidade da região, como mostram as gravações feitas em propriedades da Fazenda Colina Benevides, referência em turismo rural sustentável.

A experiência imersiva vai ganhar uma nova fase, conquistando ainda mais os usuários. Trata-se do desenvolvimento de um game educativo. Nele, os jogadores poderão simular as etapas da produção do cacau, iniciando na colheita até a fabricação de uma barra de chocolate virtual. Segundo Amanda, além de ampliar o acesso à informação, a iniciativa estimula o interesse por visitas presenciais e fortalece a economia local.

Coordenadora da rede Incite Indústria 4.0, Ingrid Winkler, vinculada ao Senai Cimatec, destaca que a pesquisa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente ao ODS 12, que aborda o consumo e a produção responsáveis. “Ao promover práticas sustentáveis na indústria, o projeto contribui para a conscientização sobre estilos de vida mais equilibrados. Sob a orientação do professor Paulo Ambrósio, coordenador local da UESC no Incite, e minha coorientação, essa iniciativa fortalece o modelo colaborativo entre instituições, que é um dos pilares centrais do programa “, reforça.

 

Instruções para acesso

O aplicativo funciona exclusivamente em óculos de realidade virtual com sistema Android, como o Oculus Quest (mediante instalação via SideQuest).

Como baixar e instalar o aplicativo no Óculos de Realidade Virtual (via computador)

Acesse o link do projeto no GitHub:
🔗 https://github.com/amandaolialves-glitch/TurismoVirtualEmFazendasDeCacau/blob/main/videococoa.apk

Na página do GitHub, clique em “Download” (ícone no canto superior direito da visualização do arquivo) para baixar o arquivo videococoa.apk no seu computador. Conecte o Oculus Quest ao computador utilizando um cabo USB-C. Abra o SideQuest no computador (disponível em https://sidequestvr.com/).

Para instalar o aplicativo no Oculus Quest, siga o passo a passo genérico para instalação de APKs via SideQuest, disponível no link abaixo:
🔗 Guia de instalação de APKs no Oculus Quest via SideQuest.

No SideQuest, clique em “Install APK file from folder” (ícone de seta apontando para baixo). Selecione o arquivo videococoa.apk baixado anteriormente e aguarde a conclusão da instalação.

Após a instalação, coloque o headset e abra o menu de aplicativos: vá até “Apps → Fontes desconhecidas (Unknown Sources) → videococoa.apk”.

Pronto! A experiência estará disponível diretamente no óculos, oferecendo imersão completa em 360° pela fazenda de cacau.

Instituto Serrapilheira e Fapesb lançam a 4ª Chamada de Apoio a Pós-docs Negros e Indígenas em Ecologia

Lançada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), a 4ª chamada pública conjunta de apoio a pós-docs negros e indígenas em ecologia vai selecionar até quatro pós-doutorandos para desenvolver suas pesquisas na Bahia. Os aprovados receberão até R$ 525 mil para investir em seus projetos ao longo de três anos, além de uma bolsa mensal de R$ 5.200. Veja aqui o edital.

O objetivo é financiar novas linhas de pesquisa em ecologia formuladas por pós-docs negros ou indígenas que almejam obter, em médio prazo, uma posição formal de professor ou pesquisador. A exclusividade a grupos sub-representados na academia tem como objetivo aumentar a representatividade e diversidade na ciência brasileira.

Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, lembra que a Bahia é o estado mais negro do Brasil e com população considerável de indígenas. “Temos atuado com grupos sub-representados por meio, por exemplo, de editais voltados a estudos de doenças que acometem a população negra e povos e comunidades tradicionais, como doença falciforme, além de outros voltados para empreendedorismo de mulheres, de pessoas negras e povos tradicionais. A continuidade dessa parceria com o Serrapilheira traz a possibilidade de realizar estudos avançados e romper barreiras. Buscamos ampliar, assim, a ação de grupos sub-representados, possibilitando destaque cada vez maior no cenário científico e tecnológico da Bahia e do Brasil.”

Os selecionados devem ter concluído o doutorado entre janeiro de 2015 e 30 de junho de 2026 (com extensão de até dois anos para mulheres com filhos), e não podem ter vínculo empregatício formal com instituições de pesquisa no momento da assinatura do contrato. Serão contempladas propostas que movimentam pessoas e ideias entre grupos de pesquisa. Ou seja: cientistas escolhidos devem integrar grupos de pesquisa nos quais não tenham nem se formado nem atuado antes. Os projetos serão conduzidos em universidades e centros de pesquisa da Bahia, mas parte das atividades, como trabalhos de campo ou pesquisas colaborativas, pode ser feita em outros estados e no exterior.

O pesquisador potiguara Victor Félix, pós-doc no Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina/Fiocruz, entrou como grantee na primeira chamada exclusiva a pessoas negras e indígenas em ecologia com projeto que integra etnopedologia e conhecimentos indígenas do seu território para estudar o solo. Para ele, o edital “foi uma grande oportunidade”. “Sou indígena da Paraíba. Poder desenvolver uma pesquisa que surgiu da minha própria mente, com o apoio de grandes instituições, e sendo representante de um grupo ainda pouco inserido na academia, teve um significado profundo para minha vida e carreira na ciência.”

 

Sobre o Serrapilheira

Lançado em 2017, o Instituto Serrapilheira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade, ajudando a construir uma sociedade cientificamente informada. O instituto tem três programas: Ciência, Formação em Ecologia Quantitativa e Jornalismo & Mídia. Desde o início de suas atividades, já apoiou financeiramente mais de 400 projetos de ciência e de jornalismo e mídia, com mais de R$ 120 milhões investidos.

Fapesb, Secti e ABI lançam Edital Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo

Iniciativa vai reconhecer reportagens sobre ciência, tecnologia e inovação produzidas no Estado

A Bahia passou a contar, a partir deste ano, com um prêmio voltado exclusivamente ao jornalismo científico. O Edital Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo foi lançado ontem (22), durante a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontece até o dia 26 de outubro em todo o país. A iniciativa é da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI). Os interessados em participar do prêmio podem acessar o site da Fapesb e conferir o cronograma do edital.

O Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo busca reconhecer e valorizar o trabalho de profissionais e estudantes de jornalismo que contribuem para a popularização da ciência e para a disseminação do reconhecimento científico, tecnológico e inovador no estado. O prêmio contemplará cinco categorias: Texto (impresso ou digital), Vídeo, Áudio, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário. Poderão participar profissionais com registro de jornalista e/ou radialista no Ministério do Trabalho e Emprego, além de estudantes de jornalismo a partir do 4º semestre, matriculados em instituições de ensino superior reconhecidas pelo MEC e situadas na Bahia.

Para Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb e entusiasta do jornalismo científico, o Prêmio Bahia Faz Ciência reforça a importância de aproximar a sociedade do conhecimento produzido nas universidades e centros de pesquisa. “A Bahia tem uma imprensa criativa e comprometida, e este prêmio valoriza os profissionais e estudantes que ajudam a traduzir a ciência em histórias que inspiram e transformam o nosso estado”, destacou.

Para a presidente da ABI, Suely Temporal, a iniciativa demonstra o compromisso da entidade com a popularização da ciência e o reconhecimento do jornalismo científico. “Este momento representa um passo importante na valorização do jornalismo comprometido com o conhecimento, a pesquisa e a verdade. Participar desta iniciativa reforça nossa convicção de que a boa ciência precisa de bom jornalismo e que a boa informação é parte essencial do desenvolvimento social”, afirmou a dirigente. Segundo ela, o prêmio surge como símbolo dessa convergência entre ciência, cidadania e informação de qualidade.

*Premiação – De acordo com o edital, os trabalhos inscritos serão avaliados com base em critérios como noticiabilidade, relevância, criatividade, originalidade, apuração e impacto dos temas abordados para a ciência, tecnologia e inovação no estado. A proposta é reconhecer produções de alta qualidade jornalística, capazes de traduzir temas científicos de forma acessível e interessante ao público. Os vencedores das categorias profissionais receberão R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 7 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro colocado. Na categoria Jornalismo Universitário, os prêmios serão de R$ 4 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. A cerimônia de premiação está prevista para março de 2026.

Jerônimo Rodrigues abre Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e autoriza recuperação do Museu da Ciência e Tecnologia da Bahia

“Aproximar a ciência da sociedade é transformar a sociedade em agente científico”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues durante o lançamento da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), nesta quarta-feira (22), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. O evento contou com a presença do vice-governador, Geraldo Júnior, e marcou também a autorização do início das obras de recuperação do Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia, o lançamento da 4ª edição da Revista Bahia Faz Ciência e do Edital do Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo.

A SNCT é o maior evento de popularização da ciência do Brasil, realizada simultaneamente em 10 municípios — Camaçari, Salvador, Ituberá, Taperoá, Itaparica, Juazeiro, Itaetê, Andaraí, Lençóis e Iraquara — abrangendo os 27 Territórios de Identidade do estado e promovendo mais de 400 atividades voltadas à divulgação científica e tecnológica. Com público estimado em 800 pessoas, o evento acontece em sintonia com a programação nacional em Brasília, e compartilha o mesmo tema proposto pelo MCTI: “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, fortalecendo o compromisso da Bahia com a democratização do conhecimento e a valorização da ciência como instrumento de transformação social.

O evento acontece até domingo (26), com objetivo de difundir o conhecimento científico e tecnológico e estimular o interesse da população pela ciência como instrumento de transformação social. “Esta semana é um convite para que escolas, universidades e comunidades de todo o estado discutam, apresentem e vivam a ciência. Queremos que a Bahia se fortaleça como um estado que estimula, favorece e valoriza o conhecimento científico”, afirmou Jerônimo.

A Bahia produz ciência há mais de 16 anos, com base na educação básica, e agora avança com uma normativa que fortalece esse movimento, ampliando a infraestrutura, os investimentos e as oportunidades com a juventude. O secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes, explicou que a Bahia vem ampliando os investimentos na área e destacou a importância do conjunto de medidas anunciadas. “O que está em pauta é a normativa, instituída pelo governador no início deste ano, que coloca a Bahia como referência nacional em popularização e organização da ciência”. Segundo ele, “o museu e o comitê são símbolos dessa trajetória — um representa o aprendizado do passado e o outro aponta para o futuro da inovação”, afirmou.

Palavra de estudante
As estudantes Letícia e Luísa Santana, irmãs gêmeas e bolsistas de uma escola particular, são medalhistas em olimpíadas de ciências, representando a nova geração de jovens cientistas baianas. “Em 2024, conquistei a medalha de ouro no Torneio Nacional de Astronomia. Foi a minha primeira grande conquista e o que mais me incentivou a seguir nesse mundo das olimpíadas científicas”, disse Letícia. Já Luísa, que tem um canal nas redes sociais chamado Luluca e as Fórmulas, destacou o gosto pela matemática e pelas finanças e explicou o significado do evento. “A ciência surge da necessidade e da curiosidade, e quando a gente tem ciência aqui, é porque precisa de ciência daqui. É ela que permite inovar, preservar e adaptar as biodiversidades e os ecossistemas para o futuro”, afirmou.

Comitê Intersetorial PopCiência Jovem
A solenidade marcou também a posse do Comitê Intersetorial PopCiência Jovem, responsável por supervisionar e monitorar o projeto de promoção da ciência entre as juventudes baianas. Na ocasião ainda foram autorizadas obras de recuperação do Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia, no bairro do Imbuí, com aplicação de recursos da ordem de R$4,5 milhões.

A professora Solange Salete, uma das empossadas para o comitê, destacou que o fortalecimento das políticas estaduais tem transformado a Bahia em referência nacional na democratização do conhecimento. “O Estado conseguiu unir a dimensão acadêmica com o olhar social. Popularizar a ciência é garantir que o saber produzido nas escolas e universidades se transforme em ferramenta de cidadania”, completou a docente.

Revista Bahia Faz Ciência e Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo
Durante o evento, foi lançada a 4ª edição da Revista Bahia Faz Ciência, publicação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) que reúne 26 reportagens sobre projetos científicos desenvolvidos por estudantes. Serão distribuídos 20 mil exemplares em escolas de todo o estado. A edição mostra experiências reais de jovens que utilizam a pesquisa para solucionar problemas do cotidiano — como o uso de fibras de coco e papel reciclado na construção civil, briquetes de bagaço de cana e casca de maracujá como fontes alternativas de energia.

O governador anunciou ainda o lançamento do Edital do Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, que vai reconhecer profissionais e estudantes de comunicação que contribuem para a divulgação científica e a popularização da ciência na Bahia. A edição deste ano amplia o alcance do prêmio, incluindo novas categorias voltadas ao meio acadêmico e escolar, com o objetivo de incentivar a iniciação científica e valorizar experiências inovadoras desenvolvidas em todo o estado.

A cerimônia contou com as presenças do comandante do 2º Distrito Naval, almirante Gustavo Garriga; das secretárias estaduais da Educação, Rowena Brito; de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães; de Políticas para as Mulheres, Neusa Cadore; dos secretários estaduais do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos; de Administração Penitenciária e Ressocialização, José Castro; do diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, Handerson Leite; do coordenador-geral de Políticas para a Juventude, Nivaldo Millet; e do coordenador-geral do Programa Bahia Sem Fome, Tiago Pereira.

 

Texto: Ascom GOV/BA

Foto: Marcelo Gandra – Ascom Fapesb

 

Fapesb divulga resultado final do edital Cientista no Governo Municipal para Transformação Digital

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com a Secretaria de Administração do Estado da Bahia (Saeb), divulgou nesta quarta-feira (16) o resultado final do edital Cientista no Governo Municipal para Transformação Digital. A iniciativa tem como objetivo apoiar projetos de pesquisa, extensão e inovação voltados à modernização da gestão pública e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas nos municípios baianos.

Ao todo, 30 propostas foram contempladas. Cada projeto poderá receber até R$ 250 mil para execução das ações. O edital incentiva a cooperação entre Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e as gestões municipais, com foco na aplicação do conhecimento científico para solucionar desafios locais. Entre as áreas contempladas estão gestão de pessoas, saúde, educação, meio ambiente, combate à fome, além da implantação do Sistema Eletrônico de Informações (SEI – Municípios).

Vão participar pesquisadores mestres ou doutores vinculados a instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos localizadas na Bahia, que desenvolvam atividades de pesquisa básica, aplicada ou de desenvolvimento tecnológico. A lista completa dos projetos contemplados está disponível em https://www.fapesb.ba.gov.br/edital-0062025-cientista-no-governo-municipal-para-transformacao-digital/

 

Fapesb é premiada por boas práticas em fomento à ciência, tecnologia e inovação

Reconhecimento nacional foi concedido pelo CONFAP ao projeto “Ciência na Mesa”, que integra a estratégia do Governo da Bahia no combate à fome

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) conquistou o segundo lugar na 4ª edição do Prêmio CONFAP de Boas Práticas em Fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação, na categoria Desenvolvimento do Ecossistema de CT&I, com o projeto Ciência na Mesa. A cerimônia de premiação foi realizada dia 3 de julho, em São Paulo, e contou com a participação do diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite.

A premiação, promovida pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), reconhece iniciativas de destaque entre as FAPs de todo o país. Concorreram na mesma categoria as fundações dos estados do Rio de Janeiro (Faperj) e Mato Grosso do Sul (Fundect), com projetos voltados a indicações geográficas e popularização da ciência, respectivamente.

Para o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, o reconhecimento nacional é resultado de um trabalho coletivo e comprometido com o desenvolvimento sustentável da Bahia, envolvendo órgãos e secretarias do Governo do Estado: “Esse prêmio mostra que é possível articular ciência, inovação e políticas públicas para enfrentar desafios estruturais como a fome. O Ciência na Mesa é um exemplo de como a pesquisa pode ter impacto direto na vida das pessoas”, afirmou.

 

Caminho construído

O projeto baiano premiado é resultado de uma construção iniciada em 2022, com o lançamento do Edital nº 005/2022 da Fapesb, voltado à criação dos Institutos de Ciência, Inovação e Tecnologia do Estado da Bahia (INCITE). A proposta previa a formação de redes interinstitucionais e interdisciplinares de pesquisa, atuando em áreas estratégicas como energias renováveis, mineração, educação, entre outras.

Com a posse do novo governo em 2023 e o lançamento do programa Bahia Sem Fome, a ciência e a tecnologia passaram a ser incorporadas como eixos centrais das ações estruturantes de combate à fome no estado. A Fapesb e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a qual a Fundação é vinculada, se integraram ao esforço, organizando, em abril daquele ano, o Workshop “Ciência na Mesa: um olhar sobre o papel da CT&I no combate à fome”, em parceria com a Casa Civil da Bahia. O evento reuniu pesquisadores, empreendedores e representantes de movimentos sociais para discutir temas como segurança alimentar, nutrição, agricultura familiar, sustentabilidade, acesso à água e inovação tecnológica no campo e nas cidades. A partir dos debates, nasceu o projeto Ciência na Mesa, com investimento total previsto de R$ 34 milhões, parte dos quais já executados em 2023 e o restante incorporado ao Plano Plurianual (PPA) 2024–2027.

A iniciativa está sendo implementada por meio de cinco editais coordenados pela Fapesb, dos quais três já foram lançados: Ciência na Mesa 1 – Inovações para a Agricultura Familiar; Ciência na Mesa 2 – Incubadoras para cooperativas, associações populares e empreendimentos econômicos solidários de base tecnológica; e Ciência na Mesa 3 – Soluções para acesso à água destinada ao consumo e à produção de alimentos.