Fapesb moderniza regras para bolsistas com vínculo empregatício e simplifica processos

Mudança reconhece realidade de pesquisadores que precisam conciliar bolsa e trabalho

Atuando de forma proativa para adequar suas políticas de fomento à diversidade de perfis e realidades dos pesquisadores, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), passou a permitir que estudantes de mestrado e doutorado sejam bolsistas mesmo mantendo atividades remuneradas ou outras fontes de renda. A medida está vigente desde fevereiro deste ano, por meio da Resolução nº 002/2025, e exige a anuência do orientador e do coordenador do programa de pós-graduação, além de vedar o acúmulo com bolsas de mesma natureza financiadas por recursos públicos.

Com essa iniciativa, a Fapesb se consolida como referência nacional na adoção de políticas de fomento mais flexíveis, seguindo instituições federais como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cinetífico e Tencológico (CNPq), que publicou esta semana, no Diário Oficial da União, nova portaria pertimitando que mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos conciliem suas bolsas com salários ou redimentos.

Segundo Jullyanne Cristina Lessa, coordenadora de bolsas da Fapesb, a Fundação vem acompanhando de forma atenta as mudanças no cenário nacional e evoluindo suas políticas de acordo com as demandas da comunidade científica. “Na resolução de 2021, o bolsista da Fapesb não podia entrar na bolsa com vínculo, mas podia adquiri-lo no decorrer da vigência. O que fizemos agora, com a resolução de fevereiro de 2025, foi permitir que o aluno já entre com vínculo empregatício, sem precisar informar previamente à Fundação”, explicou.

Para o professor Moisés Silva, que ingressou recentemente como bolsista da Fapesb, essa mudança é um incentivo importante da Fundação para sua trajetória acadêmica e para o fortalecimento da ciência no estado:

“Quando recebemos uma bolsa como essa, não só nos sentimos motivados a continuar estudando, nos atualizando e levando novos conhecimentos para a sala de aula, como também adquirimos competências ainda mais relevantes para a academia e para a ciência brasileira. Fico extremamente feliz em saber que a Fapesb é uma das instituições que apoia essa iniciativa, que tem se difundido cada vez mais no Brasil. A bolsa também nos auxilia na aquisição de equipamentos, softwares e insumos necessários para o desenvolvimento das atividades do projeto. Considerando que, como professor, o salário muitas vezes não cobre todas as despesas básicas, esse apoio se torna essencial para viabilizar custos adicionais que surgem na pesquisa.”

 

Desburocratizando

Outra deliberação do Conselho Curador da Fapesb foi o aprimoramento da estrutura processual relacionada à implementação e concessão de cotas no Programa de Bolsas da Fundação. A proposta, já em vigor, reduz a quantidade de documentos exigidos, tornando os trâmites mais ágeis e menos onerosos tanto para a gestão pública quanto para os bolsistas. Entre as mudanças, destacam-se o fim da suspensão de bolsas em casos de atraso na entrega de relatórios e a transferência de reponsabilidade pelo monitoramento das atividades dos bolsistas passa a ser das instituições, conforme previsto na Resolução 002/2025.

De acordo com o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, a medida promove maior eficiência, simplificação e agilidade nos processos, em sintonia com o objetivo de modernizar e otimizar os serviços prestados pela Fundação. “Para simplificar, utilizamos a Teoria dos Custos de Transação e abrimos diálogo com a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE), analisando processos e identificando problemas com foco na modernização e na redução de custos com a burocracia”, afirmou.

Um exemplo prático dessa simplificação é o fim da obrigatoriedade de comprovação periódica de visto regular para bolsistas estrangeiros no Brasil. Esse papel passa a ser responsabilidade da instituição de ensino superior, do instituto de ciência e tecnologia ou do coordenador do projeto durante a vigência da bolsa, uma vez que o visto é de estudante. Essas alterações reduzem a burocracia, o custo para a gestão do estado, evitam, em grande parte, a suspensão de concessões e contribuem para uma gestão mais eficiente das bolsas.

Ciência, comunicação e combate à fome: novo Ciência na Mesa investe R$ 6 milhões em projetos na Bahia

A quarta edição do Edital Ciência na Mesa já está no ar. Lançada no fim de julho (31), durante o Seminário Estadual do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN, em Feira de Santana, a iniciativa vai destinar mais de R$ 6,3 milhões a projetos que aliem ciência, inovação e comunicação no enfrentamento à insegurança alimentar no estado. Coordenado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a chamada foi lançada em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e a Casa Civil, por meio do programa Bahia Sem Fome. O documento já está disponível no site da Fundação.

Voltado para pesquisadores mestres ou doutores vinculados a Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) sediadas na Bahia, o edital contempla propostas com foco em soluções criativas, acessíveis e sustentadas cientificamente. Cada projeto poderá receber até R$ 600 mil, com prazo de execução de até 24 meses. Também estão previstos R$ 200 mil para ações de avaliação, divulgação científica e realização de eventos relacionados.

De acordo com o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, o novo edital reforça o papel estratégico da ciência e da inovação no enfrentamento das desigualdades sociais e na promoção da segurança alimentar. A chamada, segundo ele, busca aproximar a ciência das realidades enfrentadas pela população baiana. “Nosso objetivo é mobilizar pesquisadores e instituições para desenvolver soluções concretas que melhorem, de forma direta, o cotidiano alimentar das populações em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

Para Thiago Pereira, coordenador-geral do programa Bahia Sem Fome, o Ciência na Mesa 4 é uma iniciativa estratégica, pois integra a perspectiva da comunicação com a segurança alimentar e nutricional. “Esse novo edital nos ajuda a produzir e sistematizar processos e ferramentas que fortalecem nossa atuação. Dentro dessa agenda que envolve a pesquisa, a sistematização do conhecimento e das boas práticas, podemos avançar na promoção do direito humano à alimentação e no enfrentamento ao desafio da fome, que é uma realidade de muitas famílias em situação de vulnerabilidade.”

Segundo Léo Farias, coordenador executivo de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica da SDR, a Bahia tem mostrado que é possível fazer política pública com base em ciência e protagonismo popular como instrumentos de transformação social. “Sob a liderança do governador Jerônimo Rodrigues, o Ciência na Mesa 4 reconhece a comunicação como elemento estratégico para fortalecer a agricultura familiar, promover segurança alimentar, justiça climática e impulsionar a transição agroecológica”, reforçou.

 

Soluções inovadoras

Entre os temas estratégicos contemplados estão educação alimentar e nutricional contextualizada à diversidade cultural, valorização de saberes tradicionais, políticas públicas do setor e comunicação como ferramenta de enfrentamento à desinformação climática e a violações socioambientais.

O edital valoriza formatos acessíveis e diversos, como podcasts, vídeos, jogos, cartilhas, oficinas, aplicativos, exposições de cordel, peças teatrais, dentre outros. A proposta é tornar o conhecimento científico mais próximo e útil para diferentes públicos e territórios da Bahia. Também serão incentivadas parcerias com instituições de ensino, pesquisa e extensão, além da participação das Agências de Notícias das escolas estaduais.

 

Histórico

O Ciência na Mesa 4 dá sequência a uma política pública que já mobilizou R$ 34 milhões em investimentos. As edições anteriores abordaram temas como agricultura familiar, incubação de empreendimentos populares e soluções para o acesso à água. Parte dos recursos já foi executada em 2023, e o restante está incorporado ao Plano Plurianual (PPA) 2024–2027.

Fapesb divulga resultado de edital que fortalece presença de negros e indígenas na ciência

No 25 de Junho, data histórica para a Bahia, iniciativa reforça o protagonismo de grupos sub-representados na produção científica

Anunciado nesta quarta-feira (25), data que celebra o papel decisivo da cidade de Cachoeira na luta contra o domínio colonial na Bahia, o resultado da terceira edição do Edital para Apoio a Pós-doutores Negros e Indígenas em Ecologia representa um passo importante para a construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e conectada ao território.

Fruto da parceria entre o Instituto Serrapilheira e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a chamada selecionou quatro pesquisadores que receberão até R$ 525 mil para o desenvolvimento de seus projetos ao longo de três anos, além de bolsa mensal no valor de R$ 5.200. As pesquisas serão realizadas em instituições da Bahia.

Voltado a pesquisadores sem vínculo formal com instituições de ensino ou pesquisa, o edital tem como objetivo oferecer condições para que os selecionados consolidem suas trajetórias acadêmicas e tenham acesso a posições como docentes ou pesquisadores. A iniciativa busca ampliar a presença de pessoas negras e indígenas na academia, reconhecendo que a independência plena passa pela representatividade e pela reparação histórica.

Entre os selecionados está Bárbara Flores, indígena Borum-Kren e a primeira de sua família a frequentar a universidade. Em seu projeto, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), ela vai investigar como a retomada territorial dos Borum-Kren pode contribuir para a restauração da memória biocultural e para a indução de “cascatas socioecológicas” no Vale do Uaimií, no interior de Minas Gerais — estado onde cresceu. Ela vai estudar como essa retomada pode induzir conexões entre natureza, cultura e economia local, promovendo comunidades mais resilientes. O termo “cascatas ecológicas” ou “tróficas” é usado na ecologia para designar os efeitos da reintrodução de espécies na natureza, e foi adaptado para análise da retomada pelos indígenas de seus territórios.

Para Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, a cooperação com o Serrapilheira representa uma ampliação estratégica do papel da fundação. “A Bahia é o estado mais negro do Brasil e tem uma população indígena significativa. Por isso, apoiar ações como essa é reafirmar o compromisso com uma ciência que representa a diversidade do nosso povo e que contribui para a transformação social e tecnológica da Bahia e do Brasil.”

 

Confira abaixo a lista de pós-docs negros e indígenas selecionados:

Anderson Carvalho Vieira (Universidade Federal da Bahia) – Seu projeto visa responder à pergunta: como medir a velocidade de recuperação da biodiversidade de florestas restauradas.

Bárbara Nascimento Flores (Universidade Estadual de Santa Cruz) – Vai analisar como a retomada Borum-Kren pode contribuir para a restauração da memória biocultural e para indução de cascatas socioecológicas no Vale do Uaimií, no interior de Minas Gerais

Marina Bonfim Santos (Universidade Federal da Bahia) – Vai analisar o que seriam barreiras no ambiente para organismos com extensas áreas de distribuição e capacidade de dispersão através de longas distâncias.

Nicole Stakowian (Universidade Feral da Bahia) – Buscar responder à pergunta: como a pressão antrópica afeta a saúde de invertebrados de costões rochosos?

 

Fapesb lança edital para apoio a publicações científicas em revistas nacionais e internacionais

Após lançar, na semana passada, o Edital MOVE, que apoia a participação de pesquisadores em eventos no Brasil e no exterior, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), anunciou nesta segunda-feira (16) o Edital PUBLI 2025/2026 – Apoio à Publicação de Artigos. A iniciativa vai financiar a veiculação de trabalhos científicos, tecnológicos ou de inovação em periódicos nacionais e internacionais, elaborados por pesquisadores vinculados a Programas de Pós-Graduação (PPG) Stricto Sensu, acadêmicos ou profissionais, de instituições sediadas na Bahia.

O edital prevê um investimento total de R$ 1 milhão, com limite de até R$ 15 mil por proposta. Serão contemplados artigos originais e inéditos, já aceitos para publicação, com previsão de divulgação entre 2025 e junho de 2026. Podem submeter propostas professores ou estudantes de PPGs reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), desde que os alunos estejam em coautoria com seus orientadores.

Para o professor e pesquisador Maurício Silva, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a iniciativa é muito bem-vinda e será amplamente acolhida pela comunidade científica. “A contribuição da Fapesb, neste momento, é fundamental tanto para a comunicação científica dos resultados quanto para as instituições às quais esses pesquisadores estão vinculados, pois impacta diretamente nas notas dos programas de pós-graduação e das universidades. Essa ação também demonstra o comprometimento do Governo do Estado, da Secti e da Fapesb, com a valorização da produção científica local, especialmente aquela que gera retorno efetivo para a sociedade a partir do trabalho realizado nos diversos institutos de pesquisa da Bahia”.

Segundo Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, o PUBLI 2025/2026 reafirma o compromisso da Fundação com o fortalecimento da produção científica na Bahia, ao oferecer apoio fundamental para que pesquisadores publiquem seus trabalhos em periódicos de referência, ampliando sua visibilidade nacional e internacional. “O edital busca garantir que pesquisadores baianos possam ampliar a quantidade de publicações, valorizando as nossas pós-graduações, o que se reflete nos indicadores científicos do estado”, destacou.

As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário online, acessado via conta Google disponível no edital. Toda a documentação exigida deve ser enviada em formato PDF. O edital completo, com todas as orientações, está disponível no site oficial da Fapesb – www.fapesb.ba.gov.br.

Conselho Curador da Fapesb aprova regulamento que concede bolsa de produtividade e desenvolvimento tecnológico

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) realizou, nesta segunda-feira (16), a 62ª Reunião Ordinária do seu Conselho Curador. O encontro ocorreu na sede da Fundação, em São Lázaro, no bairro da Federação, e reuniu conselheiros para deliberar sobre temas estratégicos relacionados à gestão de bolsas e ao aperfeiçoamento dos procedimentos administrativos.

Após a abertura dos trabalhos, o Conselho aprovou a ata da 61ª Reunião Ordinária, realizada em março deste ano. Em seguida, um dos primeiros pontos discutidos e aprovados foi a minuta de resolução que regulamenta a concessão da Bolsa de Produtividade e Desenvolvimento Tecnológico, voltada a pesquisadores com atuação destacada em inovação e desenvolvimento científico aplicado.

Segundo o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, a medida será implementada em duas etapas. Neste primeiro momento, será firmada uma parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para ampliar a oferta de bolsas de produtividade no Estado da Bahia, utilizando recursos da Fapesb. “A proposta é oferecer um incentivo adicional aos pesquisadores que se destacam, seja por meio de publicações relevantes ou do desenvolvimento de patentes, reconhecendo e valorizando sua contribuição para o avanço da ciência e da tecnologia no estado”, explicou Handerson.

Outros pontos debatidos incluíram a possibilidade de concessão excepcional de bolsas da Fapesb a pesquisadores que estejam no exterior e já contem com apoio financeiro de outras fontes, independentemente da modalidade ou origem do recurso; além da apresentação de uma proposta alternativa — ainda em fase de elaboração — para a resolução definitiva sobre os procedimentos de análise das prestações de contas dos instrumentos de repasse. Em ambos os casos, após as discussões, o colegiado decidiu manter as resoluções aprovadas em março de 2025, com ajustes pontuais sugeridos pelo Conselho, dispensando a necessidade de publicação de uma nova normativa.

Para Marcius Gomes, chefe de Gabinete da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a reunião representou mais uma oportunidade de discutir o fortalecimento e os procedimentos que envolvem o fomento à pesquisa no Estado. “No dia de hoje aprovamos normativas importantes e reafirmamos os últimos editais lançados pela Fapesb, que apontam justamente esse fortalecimento e crescimento da ciência na Bahia”, destacou.

Edital Fapesb estimula participação de pesquisadores em eventos nacionais e internacionais

Apoiar a participação presencial de pesquisadores da Bahia em eventos científicos, tecnológicos e de inovação, no Brasil e no exterior, é o objetivo do edital lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O Edital MOVE 2025/2026 – Auxílio à participação de pesquisadores em eventos no Brasil ou no exterior, lançado nesta sexta-feira (13), já está disponível no site da Fundação para os interessados.

A iniciativa é voltada para pesquisadores vinculados a Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (acadêmicos ou profissionais) de instituições sediadas na Bahia, que tenham trabalhos originais e inéditos aprovados para apresentação em eventos realizados entre julho de 2025 e junho de 2026. Somente eventos presenciais serão contemplados nesse novo edital, ou seja, participações em formatos virtuais não serão selecionadas. O investimento total previsto é de R$ 2 milhões. Cada proposta poderá solicitar até R$ 5 mil para eventos nacionais e até R$ 25 mil para internacionais. As submissões devem ser feitas com, no mínimo, 30 dias de antecedência em relação à data do evento.

Para Roberio Rodrigues Silva, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e presidente da Rede Baiana de Pró-Reitorias de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, o novo edital atende a um anseio da comunidade científica. “O financiamento da participação de pesquisadores em eventos nacionais e internacionais é crucial para o desenvolvimento científico e tecnológico. Ele permite a divulgação de pesquisas, a troca de conhecimento, o estabelecimento de parcerias e o desenvolvimento de novas áreas de estudo”, afirma.

De acordo com Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, o MOVE 2025/2026 fortalece a ciência produzida no estado porque amplia a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos por nossas instituições, estimula a formação qualificada e promove o intercâmbio de conhecimento com centros de pesquisa de referência. “Com este edital, o Governo da Bahia, por meio da Fapesb, reafirma seu compromisso com uma política pública sólida de ciência, tecnologia e inovação, além de atender uma demanda da comunidade acadêmica, que consideramos essencial para o estabelecimento de contatos e a ampliação das redes de pesquisa”.

Fapesb e IEL lançam edital para atrair pós-doutores e solucionar desafios do setor empresarial baiano

Iniciativa integra pesquisa científica ao ambiente produtivo e prevê investimento de R$ 1,5 milhão em projetos de pesquisa aplicada

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL – Bahia), lançou, nesta quinta-feira (29), um novo edital voltado à atração e fixação de pesquisadores com título de pós-doutorado na Bahia. A iniciativa tem como objetivo fomentar soluções inovadoras para desafios enfrentados por empresas baianas.

O lançamento ocorreu durante o evento Bahia Oil & Gás Energy 2025, no Centro de Convenções de Salvador, com a presença do secretário da Secti, André Joazeiro; da superintendente do IEL-Bahia em exercício, Adriana Pereira Martins; do diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite; além de representantes do setor produtivo e outras autoridades.

O edital tem como foco a seleção e o apoio a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvidos por pós-doutores, que contribuam diretamente para o avanço científico, tecnológico e inovador do estado. As propostas devem abranger todas as áreas do conhecimento, desde que estejam alinhadas à resolução de problemas reais das empresas.

Segundo Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, a ação representa um esforço estratégico para aproximar o meio acadêmico do setor produtivo. “Ao manter e atrair doutores no estado, fortalecemos o ecossistema de pesquisa aplicada e ampliamos o impacto da ciência no desenvolvimento econômico da Bahia”, destacou.

De acordo com Adriana Pereira Martins, superintendente de Inovação em exercício do IEL, o setor produtivo ainda enfrenta grandes dificuldades para inovar e compreender quais são os caminhos e os meios adequados para promover a inovação. “Por meio deste edital, vamos conseguir aproximar os doutores que atuam nas universidades e nos Institutos de Ciência e Tecnologia, para que possam contribuir na solução dos desafios enfrentados pelas empresas. Serão aprovados 20 projetos, cada um com um bolsista. Trata-se de um projeto-piloto. A partir dele, iremos acompanhar os resultados e o desenvolvimento da iniciativa, com a expectativa de ampliar o número de bolsas e de projetos contemplados”, frisou.

 

Desafios e investimento

O edital contempla 20 desafios temáticos prioritários, entre eles, por exemplo, o desenvolvimento de sistemas automatizados com uso de inteligência artificial (IA) para monitoramento e previsão de vendas e estoques, além de soluções voltadas à descarbonização da construção civil.

Será investido R$ 1,5 milhão em recursos, com cada proposta podendo receber até R$ 72,4 mil — sendo R$ 62,4 mil para bolsa de 12 meses e R$ 10 mil para atividades vinculadas ao projeto. As propostas devem detalhar a solução e indicar como será incorporada pela empresa ou instituição parceira. Todos os detalhes do edital podem ser conferidos no site da Fundação – www.fapesb.ba.gov.br .

Fapesb oferece bolsas para professores coordenadores de Clubes de Ciências

Iniciativa investirá R$ 8 milhões em até 400 projetos voltados à educação científica em escolas estaduais

Estão abertas as inscrições para o Edital de Concessão de Bolsas a Coordenadores de Clubes de Ciências, no âmbito do programa Bahia Faz Ciência na Escola. A iniciativa vai contemplar até 400 professores da rede pública estadual, responsáveis pela coordenação de Clubes de Ciências em suas unidades escolares. O edital é promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com a Secretaria da Educação (SEC) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). As inscrições vão até o dia 10 de julho e devem ser realizadas por meio do site da Fapesb.

O objetivo da ação é incentivar a popularização da ciência e o fortalecimento da educação científica entre os estudantes da educação básica, por meio da criação e desenvolvimento de Clubes de Ciências nas escolas dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Cada projeto selecionado receberá uma bolsa na modalidade Professor Pesquisador, com duração de 24 meses.

Para a secretária da Educação do Estado, Rowenna Brito, o edital é uma instância de incentivo. “A gente não está falando da bolsa só pelo valor financeiro, a gente está falando pelo valor simbólico, você aguçar que o professor se envolva com os estudantes no processo de troca, porque o professor aprende muito, o estudante, ele curioso, ele vai produzir mais ciência através dos clubes e isso vai dialogar com os projetos das escolas e permitir que as escolas desenvolvam a sua função social, que é produzir também o conhecimento científico”, destacou.

A ação prevê um investimento total de R$ 8 milhões, com prioridade para a participação de professoras, que devem ocupar pelo menos 70% das bolsas ofertadas. As propostas devem ter como finalidade a implantação e implementação dos Clubes de Ciências, que visam promover o protagonismo estudantil e aproximar os alunos do pensamento científico, contribuindo para sua formação integral.

De acordo com Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, a proposta do edital é oferecer condições para que as escolas desenvolvam um ambiente fértil, capaz de estimular a curiosidade e o pensamento crítico dos estudantes. “A ideia é que, no futuro, os estudantes possam trilhar caminhos mais sólidos na educação e na ciência. Esse edital traz uma possibilidade concreta de aproximar a ciência do cotidiano escolar — e o professor tem um papel central nesse processo, atuando como mediador e incentivador desse despertar científico”.

Serão contempladas até 400 propostas, e a distribuição das vagas será dividida entre diferentes modalidades de ensino: 160 bolsas serão destinadas a escolas de tempo integral, 120 para unidades com oferta de educação profissional e tecnológica, e outras 120 para escolas que oferecem o ensino fundamental (segundo ciclo) e/ou o ensino médio em tempo parcial. Todos os detalhes do edital estão disponíveis no site da Fapesb.

 

Trilha da Inovação

Dentro dos Clubes, será implementada a Trilha da Inovação, uma adaptação para os colégios de uma metodologia já aplicada no Parque Tecnológico da Bahia. A trilha, que será executada pela Secti e contará com parcerias como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), SEBRAE, SESI e outras instituições, conduzirá os estudantes por quatro etapas do processo de inovação: cultura de patente, incubação, aceleração e valorização das patentes ou investimentos através do INOVATEC. A proposta é que os Clubes de Ciência atuem com foco no potencial de seus respectivos territórios, dialogando diretamente com o setor produtivo.

“O primeiro passo é ensinar o jovem a patentear sua ideia. Em segundo lugar, é incubar essa ideia e dar mentorias, sobre, por exemplo, como montar uma empresa, com noções jurídicas, financeiras e contábeis básicas, para que esse aluno possa desenvolver o plano de negócios dele. Em seguida tem a aceleração do projeto, que já é uma mentoria um pouco mais aprofundada, contando com a experiência de um profissional atuante no setor produtivo predominante no território, porque essa política é interiorizada. E, por último, ele pode escolher entre empreender, desenvolver o produto ou  vender a sua patente”, explica André Joazeiro,  secretário da Secti.

Edital destina R$ 7,8 milhões para projetos de transformação digital nos municípios baianos

Os municípios baianos contam agora com uma oportunidade única para viabilizar projetos na área de transformação digital. Trata-se do edital Cientista no Governo Municipal para a Transformação Digital, lançado nesta quarta-feira (16) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb), durante evento na Assembleia Legislativa do Estado.

Com investimento total de R$ 7,8 milhões em recursos não reembolsáveis, o edital – que será publicado na edição desta quinta (17) do Diário Oficial do Estado – prevê apoio de até R$ 250 mil por proposta para o fomento de atividades de pesquisa, extensão e inovação conduzidas por instituições científicas e tecnológicas (ICTs), em cooperação direta com as gestões municipais.

Durante o lançamento, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, André Joazeiro, ressaltou o compromisso do governo Jerônimo Rodrigues com a interiorização das políticas públicas. “Não dá pra fazer política de ciência e tecnologia apenas em Salvador e na Região Metropolitana. É preciso chegar lá na ponta, e esse é um desejo do governador. Todas as secretarias têm essa obrigação, e com a Ciência e Tecnologia não é diferente. A forma de fazer isso é envolvendo os municípios. Esse projeto é parte de uma engrenagem maior que está levando desenvolvimento tecnológico para as cidades”, afirmou.

O impacto da iniciativa foi referendado também pelo secretário da Administração, Edelvino Góes. “Eu considero hoje um grande momento para a ciência, a tecnologia, a gestão pública, a municipalização e, sobretudo, para o cidadão baiano, porque não tenho dúvida de que se este edital tiver o interesse da comunidade científica, a Bahia vai se tornar referência em transformação digital no país”, complementou o líder da pasta, ao ressaltar o impulso que o edital trará para a disseminação nos municípios do Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

Software considerado referência nacional em tramitação eletrônica, o SEI vem permitindo às administrações públicas eliminarem o uso do papel em seus processos e documentos administrativos. “O sistema traz agilidade, flexibilidade, usabilidade, produtividade, transparência, economia com gastos de papel e até transporte: com este edital, a previsão é de que estes benefícios cheguem a cerca de 30 municípios, mas a intenção é alcançarmos todas as cidades do Estado da Bahia”, complementou o diretor e Inovação e Gestão de Projetos de TIC da Saeb, Anderson Prazeres.

Já o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, destacou a relevância da iniciativa e o papel estratégico da academia nesse processo. “Este edital representa uma grande oportunidade para o desenvolvimento de tecnologias que irão beneficiar diretamente as cidades do interior. Trata-se de um trabalho de pesquisa e extensão que enriquece a formação dos estudantes, já que os professores não atuarão sozinhos — eles levarão seus alunos junto com eles. Com isso, qualificamos o processo de ensino, prestamos um serviço real à comunidade e contribuímos para melhorar as condições de vida dos nossos cidadãos e cidadãs”, afirmou.

Também participaram do evento, as reitoras da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adriana Mármori, e da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Amali Mussi, além de outras autoridades acadêmicas e representantes de municípios baianos.

Sobre o edital
A partir desta quinta-feira (17), os interessados em submeter projetos já podem acessar o edital Cientista no Governo Municipal para a Transformação Digital, disponível no site da Fapesb, na seção “Editais”. Além de iniciativas de implantação do Sistema Eletrônico de Informações (SEI –Municípios), o edital também contempla o desenvolvimento de soluções tecnológicas em áreas estratégicas como gestão de pessoas, saúde, educação, meio ambiente, energia, empreendedorismo, combate à fome, redução da pobreza, turismo, entre outras. Para participar do edital, as propostas devem, obrigatoriamente, contar com a parceria de um município baiano.

Games e imersão: Bahia mostra força da inovação na indústria digital

Já imaginou viajar no tempo e reviver, de forma imersiva, um dos momentos mais marcantes da história de sua cidade? Ou explorar mundos e narrativas criadas por desenvolvedores locais, sem sair de Salvador? Essa é a magia da realidade virtual e dos jogos digitais. Até o último sábado (12), o Bahia Connect 2025, que aconteceu gratuitamente no Centro de Convenções, ofereceu ao público baiano uma experiência única. O evento, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac – Bahia), contou com a participação do Governo do Estado e colocou o público em contato direto com o que há de mais criativo no ecossistema.

Fortalecer a indústria digital baiana é um dos objetivos do Bahia Connect. E logo no primeiro dia, na quinta-feira (10), o público pôde mergulhar nesse universo. Um dos destaques da Arena Games — espaço dedicado aos jogos digitais e um dos mais movimentados do evento — foi o “2 de Julho: Levante dos Invisíveis”. Com óculos de realidade virtual, os participantes revivem os últimos momentos da Independência da Bahia, numa experiência imersiva e emocionante. É a história ganhando vida diante dos olhos, com a tecnologia servindo de ponte entre passado e presente.

O projeto faz parte das iniciativas apoiadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), através do Edital Metaverso no 2 de Julho, que homenageia o bicentenário da Independência da Bahia. Para a professora e pesquisadora Lynn Alves, da UFBA, e coordenadora da Rede de Pesquisa Comunidades Virtuais, que liderou esse trabalho, o setor de games ainda é tímido, mas vem se consolidando, especialmente na Bahia.

“É importante o apoio da Fapesb, da Secti, da Secult e da própria Secretaria de Educação, não só para as instituições que são formadoras e que fazem pesquisas na área, mas também pra consolidar essa indústria. Além disso, esse momento está sendo importante pelo lançamento do “2 de Julho: Levante dos Invisíveis”, que tem o objetivo de valorizar não só a nossa história, mas também a nossa luta pela independência da Bahia. O jogo também tem o objetivo de dar voz aos invisíveis, como as mulheres e as diferentes etnias que lutaram pela nossa independência. Então, esse é um momento não só de socializar o jogo, que está disponível para baixar gratuitamente na Apple Store e no Play Store, mas também pra gente se aproximar dos alunos das escolas, porque o jogo foi feito para esse público”.

 

Árida

Na Arena Games, os participantes tiveram a oportunidade de explorar uma ampla variedade de jogos desenvolvidos por talentos locais, incluindo produções da Bahia Indie Game Developers (BIND), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), da AOCA Game Lab e dos alunos do Senac. A experiência proporcionou uma verdadeira imersão no universo da indústria de jogos da Bahia, que vem ganhando cada vez mais reconhecimento no cenário nacional.

A ativação do jogo Árida, desenvolvido pelo AOCA Game Lab e que também teve o apoio da Fapesb, movimentou o primeiro dia de evento. A produção se destaca por sua narrativa envolvente e pela capacidade de transportar os jogadores para um universo digital único, inspirado no sertão nordestino. A experiência, além de lúdica, é educativa e voltada especialmente para o público jovem.

Josemar Nascimento, estudante de 22 anos, foi um dos visitantes que se encantaram com a proposta do jogo. Ao assumir o papel de Cícera — a protagonista da trama, uma jovem sertaneja de 13 anos que vive com o avô, um ex-vaqueiro — Josemar se sentiu inspirado. “Eu pretendo estudar programação, e o gráfico e a jogabilidade do game estão muito bons”, afirmou.

Para Tiago da Cruz, de 20 anos, Árida se destacou pela forma sensível como retrata a realidade histórica do sertão.  “É um jogo bem interessante, que mostra como era a vida em 1895, as dificuldades, a seca, a fome, como tudo era difícil naquela época”, comentou o jovem.

Maria São Paulo, colaboradora do AOCA Game Lab, atua na área de testes e validação do jogo, garantindo que tudo funcione perfeitamente antes do lançamento. Ela compartilhou um pouco da expectativa em torno de Árida e da importância do retorno do público. “Basicamente, foi observar como as pessoas estão reagindo ao jogo, principalmente agora que já estamos na produção de Árida 2. Para a gente, é crucial entender quais expectativas o público está criando em relação à continuação, pra que possamos corresponder com um trabalho ainda melhor.”

Lobba Mattos, criadora de jogos e presidenta da Bahia Indie Game Developers, ressaltou a importância do fomento como elemento essencial para transformar ideias em projetos concretos. Segundo ela, o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento é o que possibilita que a produção de jogos avance de forma estruturada e competitiva.

“O papel do fomento científico é fundamental para criar as condições necessárias. Grande parte dos jogos feitos na Bahia vem de um contexto de pesquisa — seja no jogo educacional, seja no jogo aplicado. Não nos falta talento, não nos falta dedicação, não faltam pessoas dispostas a trabalhar e produzir. Mas o volume de recursos é, sem dúvida, um diferencial. O fomento existe justamente pra isso: pra nivelar o chão e permitir que todos possam caminhar com mais estabilidade”, enfatizou.