Cientistas baianos buscam soluções para doença falciforme com apoio da Fapesb

No total, 12 propostas serão apoiadas com recursos financeiros, a fim de procurar soluções para doenças como a anemia falciforme

Após ter saído na frente e ter sido a primeira Fundação de Amparo à Pesquisa no Brasil a lançar um edital com foco em buscar soluções para doenças que atingem a população negras e povos tradicionais, a Fapesb divulgou, nesta quarta-feira (17), os 12 trabalhos aprovados que serão contemplados com, aproximadamente, R$ 100 mil cada, para que possam dar continuidade ao estudo. Com duas linhas de pesquisa, divididas entre doença falciforme e doenças crônicas e as sequelas do racismo na saúde, o edital tem o objetivo de promover a melhoria na qualidade de vida dos indivíduos que sofrem desses males, além de estimular a criação de políticas públicas que possam reduzir o número de mortos e impactados por essas doenças.

De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Adélia Pinheiro, foram reservados 30% dos recursos para propostas cujos participantes se autodeclararam negros ou pardos, e com prioridade para as mulheres negras. “Para que este recorte se tornasse viável, houve um esforço conjunto com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Queremos contribuir efetivamente para a resolução de problemas que afetam a saúde desta parcela da sociedade ao beneficiar pesquisadores doutores que abordam o assunto em suas pesquisas científicas”. Além disso, a secretária ressalta que a proposta da Fapesb está de acordo com o Plano Estadual da Década Afrodescendente, que institui a Política Estadual de Atenção Integral à Saúde da População Negra, apresentando-se como importante instrumento de promoção da equidade e fomento, além de ter sido um pedido especial do governador Rui Costa.

Para o diretor de Inovação da Fapesb, Handerson Leite, os projetos aprovados irão contribuir com as políticas de equidade racial na Bahia. “Alguns dos estudos contemplados são voltados para os povos de comunidades tradicionais, com grande foco em condições de vida e saúde de comunidades quilombolas da Bahia. Além disso, temos exemplos de propostas que buscam novas tecnologias educativas de promoção do autocuidado voltado para pessoas com doença falciforme, outro avalia a fertilidade em pacientes com esta doença na região metropolitana de Feira de Santana. E por fim, temos entre os contemplados, ideias que focam no recurso terapêutico desse tipo de enfermidade, como é o caso da pesquisa que investiga complexos metálicos como potencial alternativa para tratamento”. Os interessados em conferir o resultado do edital na íntegra devem acessar o site da Fapesb.

A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, reitera a importância do projeto. “É momento de destacar este grande avanço e a nossa parceria sólida com a Secti e Fapesb. Na conjuntura que vivemos trata-se, sem dúvidas, da oportunidade de celebrar e valorizar ainda mais a ciência, sua força e capacidade de melhorar a qualidade de vida do povo negro baiano, que forma a maioria da população, assim como os segmentos tradicionais que também são foco deste trabalho. A reserva de 30% dos recursos para propostas oriundas de participantes autodeclararam negros e negras é outra conquista fundamental”.

Professor baiano desenvolve nova tecnologia assistiva para deficientes visuais

Projeto utiliza tecnologia de ponta para melhorar a qualidade de vida de PcDV

“Ainda que de maneira lenta, a sociedade tem se sensibilizado para a necessidade de tornar os ambientes mais acessíveis”. É desta forma que o professor João Neto, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), enxerga o atual cenário social para pessoas com deficiência visual (PcDV). Ele é responsável por liderar a criação de um projeto que tem muito a contribuir com a qualidade de vida dessas pessoas. “Trata-se de uma tecnologia assistiva, composta por etiqueta de radiofrequência (RDFI) espalhadas pelo piso tátil e um dispositivo acoplado no sapato do usuário, conectado a um aplicativo, através do smartphone”. Essas etiquetas armazenam informações sobre o ambiente ao redor, como a localização em que o usuário se encontra, dados sobre objetos que estão presentes no entorno, alertas de perigo, informações mais precisas e detalhadas sobre prédios, dentre outras.

O professor João, que realiza diversas pesquisas na área de interação homem-computador, explica como funciona o serviço tecnicamente. “Na busca por tornar os sistemas e dispositivos interativos mais fáceis de usar e operar, o protótipo funciona da seguinte forma: enquanto o usuário se desloca sobre o piso tátil e aproxima o pé das etiquetas RDFI, o dispositivo que está no sapato, que é dotado de sensores, é capaz de ler as informações gravadas nas etiquetas espalhadas pelo chão e retransmite estas informações ao aplicativo do smartphone, que transforma os dados em áudio e as repassa ao usuário”, explicou, ressaltando que grande parte de produtos e serviços considerados banais para pessoas sem deficiência ainda permanecem inacessíveis para PcDs, como objetos inteligentes, redes sociais, Inteligência Artificial, Computação em Nuvem, aplicativos para smartphones, Cidades Inteligentes, entre outros.

Segundo o pesquisador, o piso tátil faz parte do cenário de espaços públicos e privados há décadas, possibilitando a locomoção segura não somente para PcDV, mas também para crianças, idosos e até mesmo turistas, entretanto, ele possui algumas limitações. “Ao se deparar com a sinalização de alerta, o usuário não faz ideia do que se trata, pode ser uma escada rolante, árvore, saída de garagem, ou um desnível na guia que pode causar uma queda. O nosso projeto veio justamente para repensar as funcionalidades do piso tátil, criado em 1967. O objetivo é de inovar sem descartar os aspectos positivos como a grande aceitação por parte do público-alvo e a extensão em que os pisos estão instalados. Agora, queremos aumentar a acessibilidade, através de tecnologia de ponta para que pessoas com deficiência também sejam beneficiadas pelos avanços tecnológicos oferecidos à maior parte da população”, declarou.

Para João Neto, a maioria dos projetos que vem para incrementar o piso tátil é associada a bengalas com sensores, o que aumenta o peso do objeto, além de gerar desconforto e estranhamento. “A bengala restringe a experiência do usuário, pois requer a dedicação de uma das mãos para segurá-la. A solução que criamos libera as mãos do usuário e possibilita que ele receba um volume maior de informações acerca do que está acontecendo ao redor. Vale ressaltar que nossa proposta é incremental e pode ser a base para uma série de outros serviços, tais como roteamento, que concede instruções para chegar até um ponto a partir do local onde o usuário se encontra, e serviços de mensagens, no qual o usuário pode criar notificações em pontos do piso tátil, que serão transmitidas quando ele passar pela região”.

Atualmente, o projeto está em fase de captar recursos para que possa adicionar a funcionalidade de Computação em Nuvem para a atualização remota e em tempo real das informações referentes às etiquetas. “Também pretendemos melhorar o algoritmo de roteamento e inclusão de recursos de Inteligência Artificial à nossa solução tecnológica”, acrescentou João. Com a conclusão do trabalho, o professor espera proporcionar ainda mais independência e autonomia de pessoas com deficiência visual para a locomoção, navegação e orientação em espaços públicos, privados e urbanos. “O protótipo inicial já foi desenvolvido e teve o tempo de resposta do sistema comprovado. A tecnologia foi selecionada, em janeiro de 2020, para o VIII Campus Mobile, um concurso nacional patrocinado pela Claro, em que os participantes passam uma semana na USP para apresentar e discutir seus projetos com pesquisadores e empresários a fim de amadurecer suas ideias.

Bahia Faz Ciência
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Secti e Fapesb lamentam a morte do professor Roberto Santos

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Adélia Pinheiro, o diretor geral da Fapesb, Márcio Costa, juntamente com todos os colaboradores, lamentam, profundamente, a morte do médico, cientista, professor e ex-governador Roberto Santos, presidente de honra da Academia de Ciências da Bahia, instituição lotada na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Nascido em Salvador no dia 15 de setembro de 1926, Roberto Figueira Santos era médico formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Um dos principais defensores da ciência, da tecnologia e da inovação como ferramentas capazes de transformar a vida em sociedade, ele foi governador do estado entre os anos de 1975 a 1979, quando, no seu último ano de governo, inaugurou o primeiro Museu de Ciência e Tecnologia da América Latina com o objetivo de difundir o conhecimento técnico-científico através de uma composição museográfica simples, didática e contextualizada.

Ao longo do governo Sarney, ele foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre os anos de 85-86, Ministro da Saúde entre 86-87 e representante do Brasil no Conselho Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), na Suíça, entre 87-90. Já nos anos 90, em 1994 foi eleito deputado federal e se aposentou das atividades realizadas na Universidade Federal da Bahia. Roberto Santos ainda era Membro da Academia Baiana de Letras e da Academia Nacional de Medicina.

Emocionada, a secretária Adélia Pinheiro lembrou o legado deixado por Roberto Santos, fazendo referência à “doçura e firmeza que sempre estavam presentes no seu olhar quando defendia ciência, tecnologia, saúde e educação superior”. “Sem dúvida, o professor Roberto Santos foi um expoente, um visionário para a ciência e a tecnologia do nosso estado e do Brasil. Sua contribuição inestimável, ao longo dos anos, jamais será esquecida. O professor está eternizado nas memórias e nos corações de baianos e baianas, em especial daqueles que militam nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Deixo um abraço afetuoso a toda a família e amigos nesse momento difícil de despedida”, disse.

Professora utiliza “erros” como ferramenta para ensinar língua espanhola

Método inusitado humaniza a aprendizagem e busca eliminar competições rotuladoras

Um método incomum para ensinar língua estrangeira foi desenvolvido para ser uma forma mais efetiva de fazer diversos estudantes aprenderem a falar espanhol. A diferença é que desta vez a aprendizagem funciona através dos erros. A professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Íris de Souza, que acaba de lançar um livro sobre a língua espanhola, afirma que trabalhar em cima dos erros cometidos pelos estudantes pode ser a melhor forma de fazê-los aprender. “O que é certo ensinar? Aquilo que é o contrário de errado? E o erro, o que é mesmo?”. São com esses questionamentos que a professora traça um novo caminho para que docentes e alunos possam utilizar de uma nova metodologia de aprendizagem.

De acordo com Íris, o livro teve origem na dissertação de mestrado que buscava analisar formas de ensinar um idioma. “O material está destinado a professores de línguas, alunos e para pessoas apaixonadas pelo espanhol. Com isso, ressaltamos uma metodologia de ensino-aprendizagem que foca em temas do cotidiano dos discentes. O que as pessoas costumam chamar de ‘erro’, dentro desta metodologia, é um elemento fundamental para a construção da aprendizagem, pois não aponta as falhas produzidas pelos aprendizes e nem faz paralelos com a língua em sua norma culta e gramática correta. O foco aqui é efetivar a aprendizagem de forma contínua, o ato de errar torna-se fundamental, visto que só erra quem tenta, e ao estimularmos que os alunos tentem sem medo do erro, conseguimos avançar no conhecimento, que é o objetivo principal de qualquer pessoa que se dispõe a aprender outro idioma”, declarou.

A autora do livro “Nadar contra correnteza: navegar com o erro promovendo-o de antagonista a protagonista nas aulas de língua espanhola como língua estrangeira” afirma que a inspiração para criar o projeto veio ao longo da carreira como professora. “Durante minha trajetória em sala de aula, pude observar que a intimidação e o medo de errar, cotidianamente, influenciava nos processos de aprendizagem. Ignorando a possibilidade de errar, conquistamos a confiança e estimulamos os alunos a irem ainda mais longe, pois só comete erros aqueles que se esforçam, quem se lança no processo de aprender sem temor e, assim, essa pessoa consegue avançar no conhecimento”, destacou.

Para Íris, este tipo de metodologia criada dentro da Universidade, que agora está em formato de livro, retorna para sociedade como benefício de um ensino que não rotula os discentes em números, como, por exemplo, notas de zero a dez. “Em vez disso, eles passam a ser reconhecidos pelo o que realmente são: aprendizes. Dessa forma, buscamos retirar da sala de aula a competição rotuladora e focar em um método que pode ser o caminho para solução de “deficiências” no ensino de Língua Estrangeira”, completou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Baiano desenvolve novo tipo de sorvete com potencial medicinal

Sem açúcar comercial e sem lactose, o produto chama atenção também pela trajetória de superação por parte de seu criador

Sem açúcar comercial e sem lactose, o produto chama atenção também pela trajetória de superação por parte de seu criador
Cientista, pesquisador ou artista plástico. Para Adriano Xavier, de 31 anos, que nasceu em Inhambupe, interior da Bahia, o título pouco importa, isso porque em todas as especificações prevalece o caráter autodidata. Adriano desenvolveu através de suas próprias teorias, invenções e princípios, uma receita para um novo tipo de sorvete, à base de algaroba, sem açúcar comercial e sem nenhuma lactose. O baiano, que afirma querer deixar sua marca no mundo assim como seus ídolos, Nicole Tesla, Albert Einstein e Santos Dumont, ressalta diversos benefícios para a saúde que vêm junto ao alimento. “Sem conservantes, nem aditivos químicos, o sorvete também não conta com nenhuma substância cancerígena, nem mesmo glúten”, destacou.
O que impressiona pela falta de ingredientes presentes em doces mais comuns, pode gerar suspeita por parte do consumidor quanto ao sabor do produto, algo que o inventor faz questão de tranquilizar. “Esse sorvete pode ser consumido por pessoas que tem problemas de saúde, como intolerância à lactose, por ser um alimento medicinal, nutricional, natural, orgânico, multifuncional, bioativo, vitamínico e 100% vegetal. A maioria das pessoas se surpreende pelo sabor ao descobrir que um doce pode ser nutritivo e saudável ao mesmo tempo. Em junho de 2018, em uma mostra sensorial na Feira de Gastronomia de Paris, na França, tive a oportunidade de expor o produto em um stand que foi muito bem recepcionado pelo público”, declarou Adriano, que já criou 14 alimentos, dentre os quais estão sete doces pastosos e cremosos.
De acordo com Adriano, o sorvete possui alto valor nutritivo e sensorial, principalmente por ser um alimento misto rico em vitaminas A, B e C, proteínas, minerais, cálcio, ômega 3, ferro, potássio, dentre outros. Ele explica que devido ao fato da receita incluir ingredientes medicinais, como o Quipá, espécie de cacto nativo da caatinga, o consumo do produto aumenta a capacidade respiratória, previne e controla a diabete, protege o coração, por evitar a absorção de colesterol no intestino e formação de placas de gorduras nas artérias, regula a pressão arterial, auxilia na perda de peso, pois possui fibras e proteínas, e esta é só uma parte das funções atribuídas ao doce. “Recentemente, fui aprovado no edital Centelha da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que vai apoiar financeiramente, 27 ideias inovadoras ao redor do Estado. Além disso, desde 2019, já recebo pedidos de exportação de países como Alemanha, Argentina, República Theca, Espanha, Portugal, Suíça e Moçambique”.
O sucesso alcançado reflete uma trajetória de superação, repleta de adversidades. “Ao sobrepujar as dificuldades que vivencio desde criança, busco deixar minha marca e ser exemplo mundial de superação de vida”, relatou, afirmando que o filme “A Procura da Felicidade” e as passagens bíblicas de David e Moisés são suas maiores fontes de inspiração para as invenções científicas e artísticas. Além do reconhecimento da qualidade do produto, um dos objetivos do projeto é valorizar a riqueza do território Nordestino, ao popularizar o quipá, que sofre com o risco de extinção. “Acho uma boa alternativa mostrar essa planta para especialistas, a fim de valorizá-la, da mesma forma que ultimamente o umbu vêm sendo evidenciado pelos governos dos estados nordestinos”. Para Adélia Pinheiro, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, programas como o Centelha Bahia existem para apoiar ideias inovadoras como esta. “Com o nosso investimento robusto, conseguimos alcançar micro e pequenas empresas que precisavam de uma oportunidade, isso é política pública à serviço da sociedade”, completou Adélia, lembrando que, em breve, o Centelha II estará disponível para apoiar novos projetos em toda a Bahia.
Apesar da falta de recursos financeiros, junto a inúmeras dificuldades longo da vida, Adriano se diz esperançoso para o futuro. “Precisei abandonar meu curso de graduação, por causa das opressões constantes de alguns professores e estudantes, por eu sempre estar trabalhando nas minhas criações e invenções fora do meio acadêmico e pelo desejo de levar alternativas para dentro de sala de aula. Por isso, eu fiz todos os meus projetos fora da universidade, mas o meu triunfo já teve início. O sorvete está na fase de certificação, aprovação e liberação pela Anvisa, para que possa ser comercializado no Brasil e muito em breve, quando o produto estiver sendo amplamente vendido, a população terá um sorvete produzido sem nenhum dos ingredientes tradicionais, composto por diversas substâncias nutritivas e recheado com uma jornada de conquista e superação”, finalizou.

Pesquisadora desenvolve biofábrica de moléculas terapêuticas à base de cacau na Bahia

Moléculas poderão ser utilizadas para criar remédios e produtos para cuidar da saúde

Após ter sido estudado para criação de etanol, cerveja artesanal, e até medicamento contra a Covid-19, o cacau, matéria-prima típica do Sul da Bahia, agora é utilizado como base para a criação de uma biofábrica de moléculas terapêuticas que possuem propriedades para diversos setores industriais. O projeto é de um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), liderado por Akyla Alves, que consiste em selecionar algumas proteínas do fruto, a exemplo da proteína de ligação ao selênio, que, produzidas através da engenharia genética, podem ter alta aplicabilidade comercial devido às suas propriedades terapêuticas. As moléculas produzidas, segundo Akyla, poderão servir de base para remédios, fármacos, entre outros.

“A partir do DNA recombinante, utilizando Escherichia coli como biofábrica, queremos levar soluções para a sociedade, através da nossa empresa Bioativa Biotecnologia LTDA”, afirmou Akyla antes de detalhar como surgiu a inspiração para a criação deste trabalho. “A ideia surgiu ao longo da minha pesquisa de mestrado e doutorado, quando me dediquei a buscar e caracterizar moléculas de cacau de importância biotecnológica. A partir disso, trabalhamos com a tecnologia do DNA recombinante, produzindo proteínas de cacau e realizando testes in vitro contra parasitas. Os resultados obtidos indicaram a boa aplicabilidade dessas moléculas para fins terapêuticos”, declarou.

De acordo com a cientista, o diferencial da pesquisa é produzir as moléculas de cacau a partir da tecnologia do DNA recombinante e utilizar bactérias competentes como biofábrica. “Produzir essas moléculas neste sistema garante a produção em larga escala e de forma padronizada, além de substituir modelos de produção baseados na extração de compostos vegetais direto da natureza e de produtos químicos. Atualmente, a biotecnologia associada à indústria farmacêutica tem demonstrado eficácia ao desenvolver novos produtos, visto que essas proteínas de cacau, por terem origem vegetal, podem apresentar menor toxicidade aos seres vivos em relação às drogas químicas utilizadas atualmente”, ressaltou.

O projeto foi aprovado no Programa Centelha, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que vai conceder R$ 60 mil em recursos financeiros a cada um dos pesquisadores selecionados, para que possam desenvolver suas pesquisas científicas. “Com o trabalho concluído, esperamos que os futuros fármacos tenham características sustentáveis e racionais. Além disso, poderemos atender a grande demanda atual por moléculas terapêuticas para doenças infecciosas emergentes e reemergentes, e valorizar o patrimônio genético e a biodiversidade vegetal do Sul da Bahia, pois ao utilizar essas técnicas não é necessário devastar nenhuma floresta em busca de proteínas com potencial terapêutico. Por isso, a utilização de uma molécula extraída de plantas de cacau para o tratamento de doenças em humanos proporcionará grande potencial agregado para nossa economia e sociedade, além da competitividade empresarial”, finalizou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) informa que, diante da situação da pandemia causada pelo coronavírus, prorrogou, por dois meses, a vigência das bolsas de mestrado e doutorado para os pesquisadores que tinham conclusão prevista entre os meses de maio a dezembro de 2020, nos casos em que as restrições decorrentes do isolamento social tenham afetado o regular desenvolvimento do curso, conforme decisão aprovada pelo Conselho Curador da Fundação (Resolução No. 006/2020). A Fundação atendeu a 100% dos pedidos de prorrogação encaminhados pelas instituições naquele momento. A respeito do novo pleito dos estudantes, a FAPESB informa que apesar de não ter recebido nenhuma demanda oficial, se mantém aberta ao diálogo, tendo enviado um oficio às Instituições para que essas se manifestem quanto à situação dos bolsistas concluintes no ano de 2021 que dependerão da prorrogação acadêmica de prazo para a finalização do curso. Desta feita, com o posicionamento das instituições, a FAPESB poderá tomar conhecimento, analisar a situação e adotar as deliberações necessárias para o andamento das pesquisas de mestrandos e doutorandos apoiados por esta Fundação.

Fapesb adere a chamada Transnacional Conjunta: ERA PerMed 2021

Projeto é apoiado por 32 parceiros de 23 países, além de ser cofinanciado pela União Europeia

Melhorar a prevenção e o gerenciamento de doenças. Este é o objetivo principal da chamada Transnacional Conjunta: ERA PerMed 2021, na qual a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) aderiu para impulsionar pesquisadores que atuem na melhoria de diagnósticos e protocolos de tratamento, além da prevenção personalizada para pacientes e indivíduos em risco de doença. No total, cerca de 24 milhões de euros serão investidos no Programa, que, a nível mundial, encoraja propostas de diversos países, sendo 1,1 milhão de euros direcionado para os pesquisadores brasileiros.

Os interessados em participar devem enviar as pré-propostas até 4 de março de 2021. Para obter mais informações acerca do edital e para realizar a inscrição, é possível acessar o site encurtador.com.br/gBCJ9. Além disso, na próxima segunda-feira (25), será realizado um evento para tirar dúvidas dos participantes e prestar esclarecimentos sobre a Chamada. Intitulado Info Day, o evento acontece a partir das 9h e os interessados em participar podem se cadastrar através do link encurtador.com.br/fwyJ8. Além do Brasil, e da Bahia, países como Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Israel, Itália, Letónia, Luxemburgo, e Estados brasileiros como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espírito Santo, São Paulo e Maranhão também aderiram a chamada.

Pesquisadores da Bahia estudam vírus em animais que podem infectar humanos

Objetivo do estudo é antecipar a descoberta de vírus que podem causar doenças

Com a pandemia de Covid-19 que afeta o mundo inteiro em diversas esferas da sociedade desde 2019, um estudo realizado na Bahia dá continuidade a uma linha de pesquisa que há muito vem sendo estudada: a diversidade de vírus que circulam no reino animal e o potencial que possuem para infectar seres humanos. À frente da pesquisa, que envolve diversas instituições e pesquisadores, o professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fernando Vicentini, afirma que a inspiração para o trabalho é antecipar a descoberta de potenciais vírus que possam causar doenças de alta relevância para a espécie humana e animais.

De acordo com o professor, o grande diferencial deste trabalho está na amplitude de hospedeiros do estudo, visto que diversos animais selvagens de diferentes espécies e habitats, foram analisados. “Tivemos acesso desde animais oceânicos até grandes felinos de reservas biológicas, pequenos roedores, morcegos, tartarugas marinhas, aves entre outros. Nosso maior destaque é a diversidade, tendo, inclusive, a adição recente de uma equipe somente para estudar serpentes”, destaca, ressaltando que o projeto já originou mestres e doutores e teve amplitude nacional e internacional, a exemplo da parceria com a Academia Húngara de Ciências, através da Universidade de Veterinária, e outras instituições, onde foi possível identificar e descrever diversos tipos de doenças causadas por vírus.

Recentemente, o grupo de pesquisa articulou uma cooperação institucional entre a UFRB e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), além de terem sido contemplados no Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS), da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), na busca por vírus com potencial para contagiar humanos em animais selvagens com foco em coronavírus e adenovírus. “Em uma pesquisa como esta, temos diversos benefícios a serem destacados. Se analisarmos o impacto causado na área da saúde dos animais, temos as técnicas de diagnóstico e manejo que podem ser adotadas para melhorar a qualidade de vida dos seres estudados impactando na preservação. Além disso, indicadores de poluição ambiental também são fatores secundários que podem ser extraídos desta pesquisa, e, principalmente, as novas técnicas de diagnóstico que podem surgir com a descrição de doenças descobertas nesses animais”, declarou ao completar que na fase atual do trabalho, é esperado que o grupo consiga descrever a circulação de coronavírus semelhantes ao SARS-COV-2 infectando animais selvagens.

Para Fernando, o projeto é de suma importância para evitar potenciais crises causadas por epidemias e até pandemias. “Acreditamos que como os adenovírus infectam diversos animais selvagens e humanos, então a vigilância precisa ser constante. Se o que estamos fazendo com o adenovírus tivesse sido feito com o coronavírus, talvez grande parte dos impactos da pandemia atual pudessem ser evitados”. O grupo de pesquisa almeja montar uma grande rede de vigilância molecular e, para isso, está em articulação com todas as universidades da Bahia. “Vale destacar que trabalhamos muito com animais que foram atropelados em rodovias e isso nos ajudou imensamente a aumentar a diversidade das espécies e ampliar ainda mais o estudo”, finalizou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Pesquisador baiano utiliza bactérias da caatinga como bioinsumo para combater a seca

Projeto já comprovou que algumas plantas tiveram crescimento de 124% após a utilização do bioinsumo

Para o pesquisador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adailson Feitoza, a água é um elemento cada vez mais escasso no planeta. É que segundo as projeções da ONU e Banco Mundial, a humanidade enfrentará secas mais severas nas próximas décadas e parte disso deve-se ao fato que cerca de 70% do consumo de água potável do mundo é proveniente do segmento agrícola. Pensando em como alterar uma equação que parece imutável, visto que plantações dependem necessariamente de água, o professor buscou uma solução para reduzir o consumo no segmento agropecuário e na proteção das culturas agrícolas contra as secas. A resposta pode estar nas bactérias da caatinga.

Adailson contextualiza que em muitos locais os eventos de secas e veranicos que atingem as plantações podem ser irreversíveis para os produtores que dependem apenas da água da chuva para cultivar. Com tantas prerrogativas, o grupo de pesquisa se questionou onde poderia estar uma solução capaz de economizar água e manter a saúde das plantas. “Acreditamos que a resposta pode estar na natureza”, disse o professor ao explicar que plantas nativas da caatinga conseguem passar por longos períodos de secas devido às adaptações fisiológicas e morfológicas que desenvolveram ao longo da evolução. “O que não sabíamos até estudos recentes é que diversas espécies de microrganismos (bactérias e fungos) estão associadas a estas plantas e podem ser responsáveis também pela resistência à seca.

O projeto, que atualmente está em fase de validação, busca em ambientes da caatinga, bactérias que tenham a capacidade de tolerar condições características de ambientes áridos, como altas temperaturas, solos salinos e baixa disponibilidade de água. A ideia é transformar estas bactérias em um produto biológico (bioinsumo) que possa ser utilizado em culturas como milho, feijão, soja, tomate, entre outros, para pequenos e grandes produtores. De acordo com Adailson, o trabalho com tecnologias de base microbiana surgiu ao longo do mestrado em Microbiologia Agrícola na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e do doutorado em Biotecnologia da Uefs.

A etapa atual dá continuidade ao trabalho responsável por isolar bactérias do Semiárido Nordestino e constatou que seu potencial é enorme. “Conseguimos selecionar bactérias capazes de produzir pigmentos, que podem ser aplicados na indústria têxtil. Produzimos biopolímeros, como celulose bacteriana, que podem substituir as grandes plantações de Eucalipto, além disso, as bactérias também podem servir para a produção de antibióticos, na indústria médico-farmacêutica, de hormônios vegetais, na indústria agrícola, etc. Ou seja, o uso deste potencial genético está limitado apenas pelas nossas ideias, por isso, estamos sempre em busca de investimento em ciência e tecnologia”, declarou.

O professor também destaca, que no mercado ainda não há nenhuma tecnologia similar que tenha conseguido sucesso comprovado e esteja em uso. “Entre as tecnologias em estudo podemos destacar aquelas que fazem uso da transgenia, transferindo genes de plantas e/ou bactérias tolerantes para culturas de interesse agrícola e até mesmo o uso direto de bactérias tolerantes como um bionsumo. O diferencial do nosso trabalho está diretamente associado ao local de estudo, o Bioma Caatinga, que possui biodiversidade e, consequentemente, potenciais genéticos únicos, com índice de endemismo elevado, porém com a biodiversidade microbiana ainda negligenciada, o que pode representar perdas de oportunidade para desenvolvimento científico e tecnológico”.

Após a conclusão das primeiras fases do projeto, alguns resultados já podem ser apontados. Os novos dados do trabalho mostram que foi possível manter a cultura de milho crescendo ao oferecer apenas 40% da quantidade de água que ela precisa, e mesmo nestas condições conseguiu-se aumentar o comprimento da planta e da raiz, massa seca da parte aérea e massa seca da raiz em 21,02%, 53,75%, 41,83% e 124,67%, respectivamente. “Ou seja, se o agricultor plantar esperando a chuva e a quantidade de água for reduzida, ele não perderá sua safra, pode haver redução de produção, mas as plantas tratadas com estas bactérias continuarão crescendo. Estamos, no momento, ajustando a formulação do produto tentando encontrar a melhor forma para que seja gerado um bioinsumo eficaz, para ser utilizado em várias regiões do país, pois se engana quem pensa que somente o Nordeste sofre com seca. As regiões Sul e Sudeste têm enfrentado, com grande frequência, eventos que levaram a perdas consideráveis das lavouras de soja e milho. Podemos dizer que se trata de uma questão global, e não de uma ou outra região, afinal estamos dividindo uma só terra, que é o nosso Planeta. Qualquer solução para melhorar o cultivo de plantas beneficia a toda população”, completou.

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