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Publicado em: 04/09/2013 às 18:21

Confira a entrevista de Gabrielli, secretário da SEPLAN, para a FAPESB

Por: Ascom/Fapesb

José Sérgio Gabrielli é economista, professor em Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ex-presidente da Petrobras, função que exerceu durante sete anos, de 2005 a 2012. Atualmente, Gabrielli exerce o cargo de Secretário de Planejamento do Estado da Bahia, tendo sido empossado em março de 2012. Confira a entrevista do secretário para a Fapesb.

1- Por meio dos Diálogos Territoriais, a SEPLAN tem a possibilidade de ouvir as demandas de vários segmentos no interior da Bahia. Como o fomento da Ciência, Tecnologia e Inovação pode atender às necessidades destes segmentos?

Os Diálogos Territoriais são um momento de avaliação da ação do governo definida no Plano Plurianual para cada um dos 27 Territórios de Identidade. Nós identificamos as principais ações do governo, identificamos também algumas aspirações e perspectivas de crescimento e dinâmica territorial. Então, esse é um momento de reflexão do que foi feito pelo Governo e de identificação das oportunidades e desafios que podem, em alguns territórios, exigir avanços tecnológicos.

2- A interação empresa/universidade é essencial para o desenvolvimento da CT&I. Na sua opinião, levando em consideração sua experiência como presidente da Petrobras e professor, quais são os entraves que dificultam esta interação?

A relação empresa/universidade que tem como foco a Ciência e Tecnologia pode ser entendida como dois mundos com dinâmicas e culturas muito distintas. A universidade tem um horizonte de tempo e tem uma abrangência de seus interesses de investigação que são muito mais amplos do que as necessidades de desenvolvimento tecnológico e científico para atender as empresas. Combinar a urgência de respostas pontuais e pragmáticas da empresa com a absoluta necessidade de investigação profunda da ciência básica, no ritmo necessário para conhecimentos fundamentais da humanidade, é o desafio do sistema de Ciência e Tecnologia. Existem diversos mecanismos, já em implementação, que permitem avançar na aproximação entre esses dois mundos. Editais de financiamento de projetos de pesquisa que tenham interesses para as empresas, estímulos para que as empresas tenham maior relação com as universidades, identificação das atividades das universidades que respondam as necessidades da sua vizinhança em termos empresariais, identificação de políticas de estímulo a capacidade investigativa nas universidades voltada para respostas empresariais, que fazem, portanto, uma convergência nos tempos e interesses desses mundos.

3- Durante sete anos, o Sr. foi presidente da Petrobras, uma empresa que se destaca em inovação e produção tecnológica. Agora, como secretário de planejamento, como o Sr. analisa as diferenças entre a produção de CT&I nos setores público e privado?

A Petrobras é uma empresa que, desde o seu início, pela natureza da sua atividade, vê como fundamental a pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Desde o seu início, a Petrobras se cercou do que havia de melhor nas universidades, nas empresas de serviços, nos laboratórios de tecnologia e no treinamento do seu pessoal. A universidade Petrobras é uma instituição voltada para o treinamento dos seus funcionários e ao mesmo tempo, a estatal mantém vínculos com um conjunto de universidades no Brasil e no exterior. Nos últimos anos, a Petrobras não só duplicou o seu centro de pesquisa, como também mais do que dobrou os financiamentos de pesquisas empíricas e laboratoriais em dezenas de universidades brasileiras através das chamadas redes temáticas, que reúnem grupos de entidades que trabalham em temas relevantes relacionados a hidrocarbonetos e biocombustíveis. Do ponto de vista da Petrobras existe uma construção de uma infraestrutura para o desenvolvimento da ciência e tecnologia. O Governo do Estado tem um outro tipo de envolvimento. De um lado, as suas universidades também são centros de pesquisa. Do outro, a Fapesb que tem como princípio fomentar a pesquisa e tecnologia no estado, tem ampliado seus editais e estimulando o mundo científico em diversas frentes. Portanto, o papel do governo não é executar a ciência e tecnologia, mas sim, fomentar, diferente, portanto, do papel de uma empresa.

4- A ponte Salvador-Itaparica tem sido um dos principais focos da Secretaria do Planejamento. De que maneira a construção desta ponte irá impactar no setor de Ciência, Tecnologia e Inovação na Bahia?

Diversas questões serão abordadas e introduzidas no cenário baiano pela construção da ponte. Primeiro, na área construtiva stricto sensu. Nós teremos um equipamento de grande porte, que deve ser o 23° maior do mundo no que se refere a pontes sobre mar, rios e baías. Portanto, este equipamento em si adotará tecnologias construtivas inovadoras no estado. Além disso, a natureza da localização da ponte e sua extensão vai exigir também o desenvolvimento de técnicas de construção no mar, flutuantes. A ponte também vai coletar um conjunto de informações sobre o subsolo, correntes marinhas e marítimas, que propiciará novos estudos sobre o dinamismo das marés, a hidrodinâmica da Baía de Todos os Santos, a geotecnia, o reforço das informações sísmicas, as questões referentes a oceanografia, os ventos, a vida marinha no fundo e superfície marinha, enfim, um conjunto de novas informações serão levantadas por esse projeto. Por fim, a ponte abre um enorme espaço para a análise socioeconômica. É um equipamento que vai alterar substantivamente a vida na ilha e na sua vizinhança, o que abre, portanto, um conjunto de áreas de investigação no que se refere aos impactos antropológicos, culturais e patrimônio imaterial

5- No mês de agosto, a FAPESB completou 12 anos. Como o senhor avalia o papel da FAPESB no apoio aos projetos de CT&I desenvolvidos na Bahia?
A Fapesb desempenha um papel fundamental no fomento da atividade científica no estado e ao desenvolver editais, bolsas, programas específicos de fomento, mantém viva a oportunidade ampliar o conhecimento em diversas áreas.

Por: Ascom/Fapesb

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