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Publicado em: 25/06/2025 às 16:43

Fapesb divulga resultado de edital que fortalece presença de negros e indígenas na ciência

Por: Ascom/Fapesb

No 25 de Junho, data histórica para a Bahia, iniciativa reforça o protagonismo de grupos sub-representados na produção científica

Anunciado nesta quarta-feira (25), data que celebra o papel decisivo da cidade de Cachoeira na luta contra o domínio colonial na Bahia, o resultado da terceira edição do Edital para Apoio a Pós-doutores Negros e Indígenas em Ecologia representa um passo importante para a construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e conectada ao território.

Fruto da parceria entre o Instituto Serrapilheira e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a chamada selecionou quatro pesquisadores que receberão até R$ 525 mil para o desenvolvimento de seus projetos ao longo de três anos, além de bolsa mensal no valor de R$ 5.200. As pesquisas serão realizadas em instituições da Bahia.

Voltado a pesquisadores sem vínculo formal com instituições de ensino ou pesquisa, o edital tem como objetivo oferecer condições para que os selecionados consolidem suas trajetórias acadêmicas e tenham acesso a posições como docentes ou pesquisadores. A iniciativa busca ampliar a presença de pessoas negras e indígenas na academia, reconhecendo que a independência plena passa pela representatividade e pela reparação histórica.

Entre os selecionados está Bárbara Flores, indígena Borum-Kren e a primeira de sua família a frequentar a universidade. Em seu projeto, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), ela vai investigar como a retomada territorial dos Borum-Kren pode contribuir para a restauração da memória biocultural e para a indução de “cascatas socioecológicas” no Vale do Uaimií, no interior de Minas Gerais — estado onde cresceu. Ela vai estudar como essa retomada pode induzir conexões entre natureza, cultura e economia local, promovendo comunidades mais resilientes. O termo “cascatas ecológicas” ou “tróficas” é usado na ecologia para designar os efeitos da reintrodução de espécies na natureza, e foi adaptado para análise da retomada pelos indígenas de seus territórios.

Para Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, a cooperação com o Serrapilheira representa uma ampliação estratégica do papel da fundação. “A Bahia é o estado mais negro do Brasil e tem uma população indígena significativa. Por isso, apoiar ações como essa é reafirmar o compromisso com uma ciência que representa a diversidade do nosso povo e que contribui para a transformação social e tecnológica da Bahia e do Brasil.”

 

Confira abaixo a lista de pós-docs negros e indígenas selecionados:

Anderson Carvalho Vieira (Universidade Federal da Bahia) – Seu projeto visa responder à pergunta: como medir a velocidade de recuperação da biodiversidade de florestas restauradas.

Bárbara Nascimento Flores (Universidade Estadual de Santa Cruz) – Vai analisar como a retomada Borum-Kren pode contribuir para a restauração da memória biocultural e para indução de cascatas socioecológicas no Vale do Uaimií, no interior de Minas Gerais

Marina Bonfim Santos (Universidade Federal da Bahia) – Vai analisar o que seriam barreiras no ambiente para organismos com extensas áreas de distribuição e capacidade de dispersão através de longas distâncias.

Nicole Stakowian (Universidade Feral da Bahia) – Buscar responder à pergunta: como a pressão antrópica afeta a saúde de invertebrados de costões rochosos?

 

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