Fontes alternativas de energia é tema de debate no 4º Encontro Preparatório
Por: Ascom/Fapesb
As fontes alternativas de em energia e sustentabilidade foi o tema debatidos na manhã de sexta-feira (07/12), último dia do 4° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, realizado em Salvador e que teve início na quarta-feira (05/12). Coordenada pelo Diretor Geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, Roberto Paulo Lopes, a mesa trouxe quatros palestrantes. O papel das fontes alternativas renováveis de energia no atendimento a minirredes isoladas foi a primeira apresentação, feita professor titular João Tavares Pinho, da Universidade Federal do Pará (UFPA).
De acordo com ele, as minirredes tem um papel importante na região norte, porque um grande número de pessoas vivem em comunidades isoladas, sem acesso às redes normais de transmissão de energia. “Apenas no Pará, são 280 mil habitantes que vivem isoladas individualmente ou em pequenas comunidades”, contou Pinho, que é coordenador do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), da UFPA, e do Instituto Nacional de Ciência e tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-EREEA). “Estima-se que esse número seja pelo menos 20% maior e que no Brasil chegue a 1,1 milhão de pessoas. Há pouca preocupação real com essa população.”
Durante sua palestra, Pinho falou sobre os vários projetos e minirredes implantadas pelo Gedae no Pará. O grupo usa várias fontes para gerar energia, como solar (fotovoltaica e térmica), eólica, hídrica (hidrelétricas de pequeno e médio prazo) biomassa (combustão, gaseificação e óleos, por exemplo), marés e ondas. Apesar dos avanços, ainda há problemas a serem resolvidos para que as minirredes se tornem a solução para o fornecimento de energia para comunidades isoladas da Amazônia. “Um dos maiores é a sustentabilidade dos sistemas de eletrificação de áreas isoladas”, explicou. “Fatores como pobreza, falta de instrução e de políticas públicas ou a má utilização da energia tornam a sustentabilidade difícil.”
Para superar isso, é importante determinar o real potencial dos recursos e das demandas energéticas das comunidades isoladas. Além disso, é necessário difundir o conhecimento sobre as tecnologias e capacitar recursos humanos para lidar com elas. “Deve-se também apoiar as instituições de ensino e pesquisa e nacionalizar os equipamentos”, disse Pinho. “Assim como estabelecer regulamentação e normatização apropriada e criar reais possibilidades de aplicações produtivas da energia gerada pelas minirredes.”
Médico com mestrado em saúde comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e PhD em epidemiologia pela Universidade de Londres, o Acadêmico Mauricio Lima Barreto tratou de saúde, energia e sustentabilidade em sua palestra. Com a mortalidade infantil decrescendo e a expectativa de vida aumentando, o maior consumo médio per capita de energia nos países aumenta a chance de sobrevivência. “Criamos condições mais propícias para a vida, mas em um equilíbrio instável. Precisamos avançar”, observou o cientista.
Barreto apresentou dados mostrando que a transformação da sociedade humana fez com que os problemas fossem se transformando também, desde o saneamento domiciliar, passando pela poluição urbana até a emissão de gases de efeito estufa. Nesse sentido, a posição do Brasil no cenário internacional é boa. Existe um bom suprimento e bom acesso à água limpa, o que tem imenso impacto na saúde humana. Em termos de saneamento básico, o país evoluiu bastante, mas a situação ainda é precária em muitas regiões. Em torno de 85% da população urbana tem acesso à eletricidade. A falta de acesso à eletricidade afeta 1,6 bilhão de pessoas no mundo, gerando riscos adversos à saúde.
Por outro lado, o padrão de mortalidade por doenças infecciosas no Brasil se aproxima hoje dos países de primeiro mundo, o que é positivo. “As tendências das causas de morte mudaram. O que mata mais, atualmente, são as doenças crônicas e a violência”, disse. Ao mesmo tempo em que o país resolve seus problemas de nutrição, o sobrepeso da população está aumentando muito. A diminuição da atividade física em geral trazida pela energia elétrica é muito grave, a cada ano há um aumento da obesidade. “Apesar de todas as transformações positivas, ainda temos uma carga grande de doenças graves”, alertou o palestrante.
O médico e Acadêmico Esper Abrão Cavalheiro falou sobre a profícua associação entre nanotecnologia, informática, biotecnologia e neurociência. O Acadêmico comentou que o período entre 1990 e 2000 foi considerado, em termos de estudos científicos, a década do cérebro. Uma das razões para isso se deve ao fato de que, devido sua natureza crônica, as doenças neurológicas tem maior peso econômico e social que as demais, inclusive as cardiovasculares. O início do século XXI, de acordo com Cavalheiro, tem sido caracterizado como a era da mente: a prioridade passou a ser a compreensão dos mecanismos da mente humana, envolvendo “tratá-la e protegê-la, incrementar o seu potencial e até configurá-la”, observou o palestrante.
A ação sinérgica de quatro campos científicos e tecnológicos que apresentaram crescimento acelerado nas últimas décadas — nanotecnologia, biotecnologia, tecnologias de comunicação e informação e ciências cognitivas (neurociência) — tem sido intitulada convergência tecnológica (CT). Cavalheiro vem estudando esse conceito e acompanhando as principais discussões que vêm ocorrendo na comunidade científica internacional sobre o seu desenvolvimento.
Cavalheiro citou alguns resultados já alcançados pela convergência tecnológica. Do ponto de vista clínico, os avanços mais significativos estão relacionados ao aumento do conhecimento sobre o desenvolvimento normal do sistema nervoso, às técnicas de imagem funcional, à identificação dos mecanismos da plasticidade neural e à neurofarmacologia da adição ou dependência química, entre outros. Com relação a esse último aspecto, o médico explicou que a integração dos conhecimentos proposta pela CT trouxe avanços também na área de medicamentos “neurocêuticos”. Cavalheiro classifica esses remédios em três categorias. Os “cognicêuticos” atuam nos processos de tomada de decisão, atenção, aprendizagem e memória; os “emociocêuticos” atuam no humor, sentimentos, motivação e alerta; e os “sensocêuticos” são os que atuam na recuperação e aprimoramento dos sentidos, permitindo formas diversas de sensações.
Fonte: Ascom ABC/ Ascom SBPC