Notícias

Fapesb, Fiocruz e Instituto Pasteur discutem criação de unidades mistas de pesquisa na Bahia

099.18122014

O diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Roberto Paulo Machado Lopes, reuniu-se nesta quinta-feira com Vincent Brignol e Paola Minoprio, representantes do Instituto Pasteur International Network (RIIP), para discutir um acordo de cooperação internacional. O Instituto Pasteur é uma fundação francesa criada em 1887, que realiza estudos com microorganismos, doenças e vacinas e é reconhecida internacionalmente por suas pesquisas científicas em doenças infecciosas.

Juntos com diretor da Fiocruz-Ba, Manoel Barral, e a vice-diretora de ensino e formação, Patrícia Veras, os representantes do RIIP propuseram uma parceria para apoiar unidades mistas entre instituições de pesquisa, agências de fomento e o Instituto Pasteur, a fim de criar redes de pesquisa na área de saúde. Roberto Paulo lembrou que a Fapesb já lançou editais de cooperação internacional com outras instituições da França, como o INRIA – Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique e o CNRS – Centre National de la Recherche Scientifique.

Paola Minoprio, chefe de laboratório do Laboratório de processos infecciosos por Tripanossoma do RIIP falou sobre a importância do apoio colaborativo: “Este tipo de acordo mais amplo e maleável permite o apoio colaborativo a projetos mais específicos como, por exemplo, pesquisas sobre a dengue”.

Diante da grande possibilidade de instalação de uma unidade mista do Instituto Pasteur na Bahia, a Fapesb comprometeu-se a apoiar as instituições baianas interessadas em desenvolver pesquisas por meio desta parceria. No próximo mês, será lançada a chamada pública internacional para o Brasil, o Japão e a Índia, para a criação das unidades mistas.

Fonte: Ascom/Fapesb

PEC da Inovação é aprovada no Senado

098.18122014

Será um dia histórico para a ciência, tecnologia e inovação (CT&I) brasileira. Essa foi uma frase recorrente entre parlamentares e membros da comunidade científica em relação a data da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição n° 12, mais conhecida como PEC da Inovação. E após mais de um ano em tramitação no Congresso Nacional, este dia chegou. Nesta quarta-feira (17), os senadores aprovaram por unanimidade a medida, que deverá ser promulgada esta semana e enviada à Presidência da República para sanção.

A aprovação da PEC da Inovação causou uma mistura de alegria e alívio entre os parlamentares no plenário. Tudo porque a matéria foi colocada em discussão quando não havia o número regimental suficiente, de 49 votos a favor para a sua aprovação, e correu o risco de não ter sido avaliada este ano. Depois de duas horas de espera, ela foi votada e aprovada com 50 votos, nos dois turnos, o que fez a tensão no Senado se transformar em sucessivos elogios à matéria.

Segundo o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), a proposta deve ser considerada um instrumento para a sociedade, uma vez que foi construída por diversos entes.

“A matéria foi construída por diversas mãos, desde parlamentares, passando por governo e pela comunidade cientifica. Eu, que sou originado da Funtac [Fundação de Tecnologia do Estado do Acre], tenho a honra de ter votado sim para uma proposta que permitirá ao Brasil implementar um política de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou Viana.

Com o mesmo entusiamo estava o relator da PEC na Comissão de Constituição, Justiça e Cidania, senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Ele lembra que a medida trará de modo efetivo um impulso a pesquisa nacional e a criação de soluções tecnológicas adequadas aos desafios da sociedade atual.

“Fico muito feliz em poder ter contribuído nesta tão importante matéria. As modificações constitucionais propostas permitirão a integração entre instituições de pesquisas tecnológicas e empresas inovadoras em um sistema nacional, aliando esforços com vistas ao desenvolvimento cientifico e tecnológico do Brasil”, destacou Braga.

Ainda na linha de elogios, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB – AL), e o líder do PSDB, senador Aloysio Nunes (SP), destacaram a importância que a PEC terá para o Brasil nos próximos anos.

“Com muito entusiasmo e convicção que vejo a aprovação desta matéria. Ela permitirá um enorme avanço da inovação, da pesquisa básica e aplicada. Será um marco da modernidade do Brasil”, avaliou o senador tucano.

“É inegável o impacto que os avanços da C&T produzem no desenvolvimento do Brasil. E esta PEC permitirá exatamente que isto ocorra”, ressaltou Renan Calheiros.

Histórico

A história da PEC começa em 2011, quando estava em discussão o aperfeiçoamento do marco regulatório para as atividades de C&T no Brasil. No começo, as mudanças nas legislações vigentes ocorreriam com o Projeto de Lei (PL) 2.177/2011, conhecido na época como Código Nacional da Ciência e Tecnologia, que foi proposto pelos conselhos nacionais de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

Contudo, depois de dezenas de audiências e reuniões, foi verificado pelos parlamentares que era necessário uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para dar segurança jurídica aos PLs que iriam compor o novo marco legal, que no caso são: o 7735/2014 – para simplificar a pesquisa e exploração da biodiversidade brasileira; 2177/2011 – que atualiza normas vigentes do setor de C&T; e 8252/2014 – que propõe procedimentos ágeis e modernizados de contratação para aquisição de produtos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Sendo assim, os deputados concordaram que desmembrar o projeto seria o ideal para acelerar o processo de votação.

Fonte: Leandro Duarte e Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I

Concurso Ideias Inovadoras premia em nova categoria “Inventores da Economia Criativa”

A solenidade de premiação do Concurso Ideias Inovadoras da Fapesb concedeu prêmios de R$ 15 mil mais consultoria da empresa Vilage Marcas e Patentes ao 1º Lugar; R$ 10 mil para o 2º; e R$ 5 mil para o 3º, em cada categoria. (…)

Dezoito projetos são premiados na 7ª Edição do Concurso Ideias Inovadoras

Ideias 2

Em evento aberto ao público, no Hotel Fiesta, em Salvador, o Governo do Estado premiou 18 projetos na 7ª Edição do Concurso Ideias Inovadoras, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult) e o Sebrae.

A premiação foi divida em sete categorias – Graduandos; Ensino Médio, Profissional Técnico Nível Médio; Pós-graduandos Lato Sensu e Stricto Sensu; Pesquisadores; Graduados Independentes; Inventores Independentes; e Inventores da Economia Criativa, esta última incorporada, em 2014, por solicitação da Secult.

“Nós, representantes do Governo do Estado, já articulamos um programa chamado Bahia Criativa, do qual a Fabesp também participa. Temos conhecimento de que a área de Economia Criativa é importante e merece investimentos. Muitos acreditam que é a economia do século 21 e eu concordo”, afirmou o secretário estadual de Cultura, Albino Rubin.

Ensino médio e pós-graduandos

Responsável pelo único projeto premiado na categoria Ensino Médio, Profissional Técnico Nível Médio, o estudante Luiz Teixeira Barbosa Neto, teve como ponto de partida para concretizar sua ideia a sustentabilidade nas escolas da rede pública de ensino. Aos 17 anos, ele inovou ao sugerir no projeto atividades práticas, referentes ao cultivo de hortaliças e criação de peixes, para a utilização na merenda escolar.

“A ideia é de melhoria da saúde dos alunos de forma mais saudável e sustentável. É um sistema sustentável que gera produtos de qualidade. A mesma água [utilizada para a criação] do peixe é usada para regar a horta, e pode ser alternativa pensada também em tempos de seca”, explicou o aluno do Centro Educacional Antônio Honorato.

A contribuição de Alex Sandro Pereira Correia à comunidade científica baiana também foi premiada. Aos 40 anos, ele conquistou o 1º lugar, na categoria Pós-Graduandos Lato Sensu e Stricto Sensu, apresentando um projeto voltado para a redução dos índices de dengue e da febre chikungunya. “Através de aplicativo, vamos poder monitorar os focos do mosquito. A gente vai tornar a população participante do processo de vigilância, controle e prevenção das doenças, que já são problemas de ordem mundial”.

O diretor geral da Fapesb, Roberto Paulo Machado Lopes, disse que o concurso é importante para o desenvolvimento da ciência na Bahia e referência para os profissionais da área. “Com o passar do tempo, o prêmio Ideias Inovadoras se consolidou como marca, tornando-se um diferencial no currículo dos ganhadores. Além disso, muitos dos projetos apresentados viraram empresas, que consequentemente geraram empregos e renda”.

Nesta edição, que teve quatro etapas, foram recebidas 148 propostas, das quais 51 passaram para a terceira fase. Nela, os proponentes fizeram a defesa oral de suas ideias para uma banca avaliadora composta por especialistas ‘ad hocs’ residentes fora da Bahia. Os projetos foram avaliados quanto à originalidade, aplicação, impacto, diferenciação, mercado potencial e perfil do empreendedor ou equipe. O 1º, 2º e 3º colocados receberam prêmio no valor de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente.

Lançamento de editais

A Fapesb aproveitou o evento de premiação para lançar os editais de Apoio a Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu – Mestrados Profissionais; Apoio à Publicação Científica e/ou Tecnológica; e Apoio a Programas de Pesquisa Interdisciplinares.

Os três editais totalizam R$ 2,8 milhões que, somados aos 26 já lançados este ano, representam fomento da ordem de R$ 83 milhões, com recursos dos governos estadual e federal, sem contar mais R$ 42 milhões já oferecidos em bolsas de estudo para mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Veja as fotos do concurso no flickr e no facebook da Fapesb.

Confira abaixo a lista de premiados no Concurso Ideias Inovadoras 2014.

VENCEDORES

CATEGORIA 1 – Estudante de Ensino Médio ou Ensino Profissional Técnico de Nível Médio

1º Lugar: AQUAPONIA NA ESCOLA COMO ATIVIDADE INOVADORA DE APRENDIZAGEM – LUIZ TEIXEIRA BARBOSA NETO – Centro Educacional Antonio Honorato

2º Lugar: Não houve

3º Lugar: Não houve

CATEGORIA 2 – Graduandos

1º Lugar: BATALHA DE MITOS – TRADE CARD GAME – RAMON SANTANA SANTOS – ÁREA1 – Faculdade de Ciência e Tecnologia

2º Lugar: DISPOSITIVO ELETRÔNICO PARA FISCALIZAÇÃO EM FAIXAS DE PEDESTRES SEM SEMÁFORO – TULIO CERVINO TEIXEIRA LEITE – Universidade Federal da Bahia

3º Lugar: AGROMETRIA – STEVE BIKO MENEZES HORA ALVES RIBEIRO – Universidade Federal da Bahia

CATEGORIA 3 – Pós Graduando Lato Sensu e Stricto Sensu

1º Lugar: PATICIPAÇÃO SOCIAL, TECNOLOGIA E MONITORAMENTO DOS FOCOS DE DENGUE – ALEX SANDRO PEREIRA CORREIA – Faculdade da Cidade do Salvador

2º Lugar: AZEITE DE DENDÊ MICROENCAPSULADO: UMA ALTERNATIVA PARA PRESERVAÇÃO DE COMPOSTOS BIOATIVOS E FORTIFICAÇÃO DE ALIMENTOS – CAMILA DUARTE FERREIRA – Universidade Federal da Bahia

3º Lugar: MODELAGEM 4D APLICADA AO GERENCIAMENTO DE OBRAS – DOUGLAS MALHEIRO DE BRITO – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

CATEGORIA 4 – Pesquisadores

1º Lugar: ENZIMA OXALATO DESCARBOXILASE (OXDC) DO COGUMELO COMESTÍVEL FLAMMULINA VELUTIPES E UMA PROMISSORA ALTERNATIVA PARA UM CACAU SEM VASSOURA-DE-BRUXA – SARA PEREIRA MENEZES – Universidade Estadual de Santa Cruz

2º Lugar: MAQUIAGEM CÊNICA PARA O ENSINO EM SAÚDE NA METODOLOGIA DE SIMULAÇÃO REALÍSTICA – CLAUDENICE FERREIRA DOS SANTOS – Universidade Federal da Bahia

3º Lugar: SISTEMA PARA INSPEÇÃO MAGNÉTICA DE TUBULAÇÕES REVESTIDAS – IVAN COSTA DA SILVA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

CATEGORIA 5 – Graduados Independentes

1º Lugar: COLETOR HIGIENICO DESCARTÁVEL PARA ANIMAIS DOMÉSTICOS – ANTÔNIO SANTOS DEVESA

2º Lugar: MAPPTIP | CONECTANDO INTERESSES – BRUNO FIGUEIRA ARCURI

3º Lugar: GEOPLACE BRASIL – THIAGO SOUZA DE ALENCAR GONDIM

CATEGORIA 6 – Inventor Independente

1º Lugar: INCLUSÃO REAL EM UM MUNDO VIRTUAL: SUPERACTION, SUPERE SEUS LIMITES – ISABELA SARDEIRO DOS ANJOS

2º Lugar: EQUIPAMENTOS FITNESS COM SISTEMA DE CARGA ELÁSTICA DE PRÁTICO AJUSTE – CLAUBERTE JOSUE NUNES

3º Lugar: Não houve

CATEGORIA 7 – Inventor da Economia Criativa

1º Lugar: BRINCANTE MONTADOR: CRIAÇÃO DE PUZZLES CRIATIVOS DAS CULTURAS POPULARES E TRADICIONAIS BRASILEIRAS – BRUNA TEIXEIRA JACINTHO – Sem Vínculo

2º Lugar: APLICATIVO: CAIXA CINEMATOGRÁFICA – LARISSA OLIVEIRA SANTOS – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

3º Lugar: TRAJETÓRIAS – SARAH SANTIAGO MUCCINI – Sem Vínculo

Fonte: SECOM-BA
Foto: Carla Ornelas/SECOM-BA

FAPESB premia Ideias Inovadoras nesta quinta-feira e lança novos editais

097.10122014

Nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, o Concurso Ideias Inovadoras, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB, premiará os melhores projetos inovadores de 2014. A solenidade de premiação acontecerá no Fiesta Bahia Hotel, às 15 horas. Em sua sétima edição, o Concurso conta com a parceria da Secretaria de Cultura do Estado, o SEBRAE e a Vilage Marcas e Patentes. Na ocasião, serão lançados três editais no valor total de R$ 2,8 milhões.

O Concurso Ideias Inovadoras é um edital aberto a todas as pessoas com idade mínima de 16 anos, residentes no estado da Bahia. O objetivo é disseminar e incentivar a cultura do empreendedorismo no Estado e o desenvolvimento de ideias inovadoras, promovendo a participação da comunidade estudantil e acadêmica, pesquisadores, graduados e inventores em ações de empreendedorismo e inovação.

Neste ano, o Concurso conta com sete categorias, sendo elas: 1) Estudantes de Ensino Médio ou Ensino Profissional Técnico de Nível Médio; 2) Graduandos; 3) Pós Graduandos Lato Sensu e Stricto Sensu; 4) Pesquisadores; 5) Graduados Independentes; 6) Inventores Independentes; e 7) Inventores da Economia Criativa. Esta última, criada este ano, vem atender à crescente demanda do segmento da Economia Criativa, ampliando a oportunidade de participação para esta temática fortemente presente no estado.

Nesta edição, foram recebidas 148 propostas, das quais 51 passaram para a terceira etapa. Nela, os proponentes fazem a defesa oral de suas ideias para uma banca avaliadora composta por especialistas ad hocs residentes fora do estado da Bahia. Os projetos são avaliados quanto à sua originalidade, aplicação, impactos, diferenciação, mercado potencial e perfil do empreendedor ou da equipe.

Poderão ser premiados até três projetos de cada categoria, sendo que o primeiro, segundo e terceiro colocados receberão um prêmio no valor de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil respectivamente. Os primeiros lugares ainda podem utilizar a consultoria da Vilage Marcas e Patentes.

Durante o evento de premiação, a Fapesb lançara os editais de Apoio a Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu – Mestrados Profissionais; Apoio à Publicação Científica e/ou Tecnológica; e Apoio a Programas de Pesquisa Interdisciplinares. Juntos, os três editais totalizam R$ 2,8 milhões de reais, que, somados aos 26 editais já lançados este ano, inteiram um fomento total da ordem de R$ 83 milhões, com recursos do estado da Bahia e do Governo Federal.

Serviço
Premiação do Concurso Ideias Inovadoras
Data: 11 de dezembro de 2014
Horário: 15h
Local: Fiesta Bahia Hotel

Com apoio da Fapesb, projeto de Turismo de Base Comunitária oferece novas experiências para visitantes

096.04122014

Um roteiro turístico normalmente inclui os pontos mais famosos da cidade. Monumentos, museus, parques, praias estão sempre presentes na lista dos locais mais visitados. Mas muitas pessoas escolhem fazer um turismo diferenciado, passando por experiências locais que vão além dos pontos mais famosos. Nestes roteiros mais diversificados, as próprias comunidades, de forma integrada e coletiva, oferecem saberes e fazeres, por meio dos quais visitantes e turistas conhecem de perto o seu estilo de vida e têm oportunidade de conviver com os moradores, conhecendo a cultura local e regional. É o chamado Turismo de Base Comunitária – TBC.

A professora Francisca de Paula, da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, vem desenvolvendo, há cinco anos, diversos projetos no entorno da Universidade, que incluem a organização de roteiros turísticos alternativos, responsáveis, sustentáveis e solidários – RTUARSS nos bairros do entorno da UNEB, no Cabula. O trabalho de pesquisa, extensão e ensino é voltado para a valorização cultural das comunidades, focado na educação e no desenvolvimento local com protagonismo social e comunitário. No início, Francisca observou que faltava mais diálogo entre a comunidade acadêmica da UNEB e os moradores do Cabula. Outro aspecto observado era que os pesquisadores e seus departamentos não dialogavam entre si. Foi então que ela começou um trabalho de articulação entre alunos, professores, pesquisadores e moradores. De um lado, buscou promover a comunicação entre os pesquisadores de diferentes departamentos da UNEB, para que, juntos, pudessem desenvolver ações com a comunidade. Do outro, ela buscou reunir a população local para identificar os líderes comunitários e convidar as pessoas para dialogarem e participarem das múltiplas atividades oferecidas pelo projeto TBC Cabula. “Fomos descobrindo que, por vezes, havia líderes que estavam ali sob a égide de interesses políticos”, diz. “Passamos a perceber que algo errado existia quando, nas reuniões, só vinham praticamente as mesmas pessoas, e nós queríamos dialogar com a comunidade, independente de estar vinculada a partido ou não.”

O que Francisca queria era identificar os talentos, artistas, crianças, jovens e adultos e, sobretudo, grupos culturais, além de conhecer os arranjos socioprodutivos locais: “Não se fala de turismo de base comunitária sem efetivamente falar de cultura. Então, quando eu me refiro ao turismo de base comunitária, essencialmente estou me referindo à cultura daquela localidade”, explica. A partir do primeiro apoio da Fapesb, por meio do edital 021/2010 de Apoio à Articulação Pesquisa e Extensão, a equipe do TBC Cabula passou a desenvolver diversos projetos em parceria com instituições de ensino superior, escolas e centros de educação profissional, culminando em um amplo projeto guarda-chuva multidisciplinar. O projeto engloba ações nas áreas de saúde coletiva, educação, tecnologias educativas, meio ambiente, ecologia social, história, economia solidária, patrimônios cultural e natural, dentre outros. Existe hoje, por exemplo, uma equipe multidisciplinar da área de saúde coletiva. A equipe do TBC Cabula vem se articulando e desenvolvendo ações com grupos de pesquisas que trabalham com parteiras, parasitologista, médicos, enfermeiros, farmacologistas, que têm seus projetos apoiados por outras fontes de financiamento além da Fapesb. Nas áreas de educação, história e tecnologia, foi feita uma pesquisa historiográfica sobre o antigo Quilombo Cabula, a fim de criar um museu virtual para ser utilizado pelas escolas locais, professores e pesquisadores. Para Francisca de Paula, o desdobramento de ações dentro do projeto inicial o levou à configuração de programa. “O projeto tem uma dinâmica que não tem como a gente frear, segurar, porque ele já está ganhando vida própria, não só por parte dos pesquisadores da universidade mas também pela comunidade do entorno”.

O projeto de Turismo de Base Comunitária foi apresentado à Fapesb inicialmente com uma proposta diferente. A princípio, o projeto visava a criação de uma operadora de receptivos populares, agência de viagem e turismo, comunitária e autogestionária, que fica com a responsabilidade de fazer toda a organização do receptivo de visitantes e turistas naquele local. Mas, conversando com a população local, e observando seu modo de vida, comportamento, estrutura familiar, condições sociais e interesses, percebeu-se que aquele contexto não se encaixava no sistema do turismo convencional. O que eles tinham para oferecer, além de um grande legado histórico-cultural, era algo mais pessoal e plural.

Comumente, os turistas que se interessam pelo turismo de base comunitária não procuram operadoras de viagem. O que eles buscam é uma experiência mais aprofundada, em que possam participar da vida e do cotidiano das pessoas. A equipe do TBC Cabula percebeu que a comunidade do Cabula já recebia alguns visitantes e turistas que não passavam pelas estatísticas dos órgãos oficiais de turismo. Alguns deles, inclusive, acabaram se mudando para a comunidade. Diante disto, com o auxílio de Francisca e a equipe, os moradores do bairro do Cabula se organizaram e passaram a fazer uma experiência com a criação de roteiros alternativos dentro de sua comunidade. O trabalho se estendeu para áreas que alguns moradores reconhecem como antigo Quilombo Cabula, como Pernambués, Beiru/Tancredo Neves, São Gonçalo do Retiro, Saboeiro, Engomadeira, Mata Escura, Arraial do Retiro, Sussuarana, Estrada das Barreiras e outros bairros populares.

Para que as comunidades possam preparar os roteiros, é necessária uma série de oficinas e cursos, tais como História da Bahia, Cooperativismo, Guia, Hospitalidade, Hospedagem Comunitária, Elaboração de Projetos Sociais e outros. “O projeto de Turismo de Base Comunitária valoriza o jeito que eles vivem, que eles são e eles começam a se dar conta de que têm valor. Os turistas não vão chegar, tirar a fotografia e ir embora. Eles vão chegar, conhecer, participar da vida, do cotidiano dessas pessoas”, diz a pesquisadora. Todas as reuniões e rodas de conversas resultaram em quatro ou cinco roteiros por bairro criados pelos próprios moradores. “Eles dialogam entre eles, decidem se aquele espaço vai ser visitado ou não, que melhorias precisam ter, que modelo de gestão vão adotar”, diz Francisca de Paula. Não existem roteiros fixos. Eles são organizados de acordo com a demanda. Os moradores não deixam suas vidas pessoais por conta dos roteiros. Eles trabalham, estudam, cuidam de suas casas e famílias e, quando um grupo de visitantes e turistas entra em contato, eles se reúnem para elaborar o roteiro e conciliar suas rotinas com a recepção dos visitantes. “Uma senhora que vende hortaliças na feira, no dia agendado para o roteiro integrado, vai ficar no bairro e disponibilizar suas hortaliças para os visitantes, assim como o artesão, o senhor que nasceu e cresceu ali, para contar estórias e histórias”, afirma Francisca.

Visitar as casas dos artistas locais, pintores, músicos, poetas e os lugares frequentados pela comunidade como praças, escolas, riachos, horto, fazem parte da programação do roteiro organizado pelos moradores. O turista pode, inclusive, hospedar-se na casa de um morador. Normalmente, o almoço é servido pelos locais, em suas próprias casas, ou em restaurantes do bairro. O visitante tem a oportunidade de conhecer uma outra realidade, de deparar-se com histórias de vida diferentes da sua. Como a de um jovem do interior que veio para Salvador sem ter onde morar. Francisca conta que o rapaz ocupou um espaço no Cabula e construiu a casa com resíduos sólidos. “Parece que ele saiu de uma universidade de engenharia”, diz. A casa, feita de restos de madeira e papelão é impermeabilizada internamente com caixas tipo tetra pak e impressiona os visitantes. “Não queremos fazer turismo para mostrar a pobreza, isso é uma visão equivocada. Queremos oferecer experiências singulares, autênticas, humanizadas, que favoreçam um processo de educação e de conscientização das pessoas”, diz.

Um grupo de visitantes de Itacaré hospedou-se por três dias em Pernambués, na casa da família que criou a rádio comunitária Odeon e o Terno de Reis Rosa Menina. A presença das 26 pessoas de fora mobilizou os moradores. Eles providenciaram colchões, definiram quem iria oferecer alimentação, quem faria o guiamento e definiram os atrativos e atrações a serem apresentadas. Uma senhora ofereceu o café da manhã; a outra, o almoço; um jovem foi esperar o grupo na estação do ferry-boat; os artistas se apresentaram em espaço comunitário. Foi criado, então, um formato específico de roteiro para aqueles turistas, tudo construído em diálogo entre os moradores.

Durante o planejamento desse receptivo, Francisca descobriu um livro, escrito pela filha de D. Luiza e Sr. Silvano Nascimento, sobre a história do Terno de Reis, que acabou sendo publicado com recursos da Fapesb, com assessoria da equipe TBC Cabula. Depois da publicação, a festa passou a ser mais conhecida e o grupo foi convidado a se apresentar na escola Aliomar Baleeiro. Tudo isto, diz Francisca, contribui para a conscientização do legado, da história e construção de conhecimento sobre o antigo Quilombo Cabula.

Uma dificuldade do projeto é manter a regularidade dos participantes dentro das comunidades, pois muitos o abandonam por conta de questões pessoais. Isto também é outra característica do turismo de base comunitária. Francisca explica que, embora os moradores queiram ganhar dinheiro, não é o dinheiro que estabelece as regras: “Eles têm a maior dificuldade de definir preço, pois eles vêm de uma cultura em que todos se reúnem, comem o que tiver, compartilham”. Para ela, este é um aspecto cultural muito humano que não se encaixa no sistema de turismo convencional. “No Horto do Cabula há um senhor que cuida de cães que são abandonados lá. Ele nos recebe, nos acolhe, e a única coisa que ele quer em troca é ração para os animais”, conta.

Outro resultado do primeiro financiamento da Fapesb foi a realização do evento anual chamado Encontro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária – ETBCES; a Mostra de Cultura e Produção Associada ao Turismo e à Economia Solidária – MCPATES; e a Feira de Meio Ambiente e Saúde – FMAS. No segundo ano do evento, em 2012, artesãos, músicos, grafiteiros e outros artistas, que estavam expondo seus trabalhos, puderam se conhecer, dialogar e trocar experiências. “O evento cumpriu seu papel de ser o lócus de encontro, de diálogo, espaço de proximidade entre aquelas comunidades”, diz Francisca. Nasceu então, de forma espontânea, o grupo Cultarte. Trata-se de um grupo organizado por um coletivo de artesãos e artistas, que vem sendo assessorado pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – ITCP/COAPPES da UNEB.

Entre os dias 12 e 16 de novembro, houve mais uma edição do ETBCES, que também contou com o apoio da Fapesb. O Encontro foi realizado no Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, parceiro do TBC Cabula. Nos dias 15 e 16 aconteceram as visitas às comunidades. As informações podem ser encontradas no Portal www.tbc.uneb.br, que foi criado para as comunidades dos bairros do Cabula e entorno e é atualizado pelos moradores com assessoria da equipe TBC. Neste portal, eles postam o que tem de valioso no seu bairro, o que é histórico, cultural e significativo para suas vidas. Lá também está disponível a Cartilha (in)formativa “ABC do TBC”.

Ainda com apoio da Fapesb, a equipe TBC Cabula publicou o livro “Turismo de Base Comunitária e Cooperativismo: articulando pesquisa, ensino e extensão no Cabula e entorno”. O recurso arrecadado com as vendas deste livro vem sendo aplicado em oficinas de graffiti, oferecidas pelo artista Denissena, dentre outras ações formativas.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

Projeto da UESC apoiado pela Fapesb ganha prêmio Santander Universidades Solidárias 2014

095.foto01122014

O programa de capacitação e produção de vestimentas, criado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), tem como objetivo construir uma relação social entre a instituição educacional e comunidades do sul da Bahia. Por meio do programa, professores e estudantes da instituição estimulam a economia de grupos dos municípios de Ilhéus, Floresta Azul e Una.

O projeto, previsto para durar quatro anos, investe na perspectiva de aprimoramento produtivo, gerencial e comercial das atividades de corte e costura já desenvolvidas por moradores locais. A ação, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), foi uma das oito vencedoras da décima edição do Prêmio Santander Universidades, na categoria Universidade Solidária.

O projeto, que foi um dos 20.106 inscritos na competição, passou pela avaliação da banca independente, formada pela Academia Brasileira de Ciências, Editora Abril, Endeavor, Fundação Dom Cabral e a Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol). O prêmio foi no valor de R$ 100 mil.

Em cerimônia realizada em São Paulo, o vice-reitor da Uesc, Evandro Sena Freire, destacou que ter a universidade como única representante da Bahia no prêmio significa o reconhecimento do papel de desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão. “Esse é o resultado do trabalho de aprimoramento realizado ao longo dos anos”.

Segundo o coordenador da iniciativa, João Carlos de Pádua, cerca de quatro professores do departamento de economia da instituição e 12 alunos bolsistas trabalham ativamente na proposta.

O financiador encaminha a verba para o docente, que faz a compra de todos os materiais necessários e contrata profissionais para ministrar os treinamentos. Os serviços são oferecidos para as comunidades de forma permanente e acompanhados pelos estudantes.

“Esse projeto é uma extensão da graduação e o resultado tem sido positivo. Já temos antigos colaboradores [alunos] trabalhando em São Paulo, e outros que optaram por seguir carreira acadêmica, terminando o mestrado”, explica João Carlos. Ainda segundo ele, “os novos estudantes novos também estão começando a trilhar esse caminho, porque a iniciativa permite a união da teoria e da prática. Esse é o diferencial”.

A aluna veterana Daianne Gabrielli Morais, graduanda de administração, é uma das estudantes que fizeram parte do desenvolvimento da primeira versão do programa, há dois anos.

Experiência

Ela conta que a experiência foi uma oportunidade de colocar em prática o que aprendia em sala de aula.

“O contato com a comunidade me ajudou a aprender a lidar com pessoas e a partir desse serviço tive a ideia da minha monografia. Fiz um estudo de onde e como os produtos poderiam ser vendidos, para entender de qual forma o trabalho dos profissionais seria mais rentável”, diz a estudante, que, atualmente, está concluindo o mestrado.

O coordenador da iniciativa afirma ainda que as comunidades recebem a ação com otimismo: “Imagine para uma comunidade, que tem uma renda baixíssima, ganhar estrutura de trabalho, máquinas que custam cerca de R$ 5 mil e treinamento. É como se a sorte caísse do céu”.

Internacionalização

A internacionalização do ensino superior é um dos principais assuntos das pautas acadêmicas do momento, segundo discussão ocorrida no evento. O motivo? O processo é visto como instrumento estratégico para o desenvolvimento de um mercado mais competitivo.

O processo para a mobilidade internacional é executado por meio de programas desenvolvidos pelas próprias instituições de ensino, empresas privadas e pelo Ciência sem Fronteiras, projeto do governo federal.

O órgão estima que, até o final de 2014, cerca de 101 mil bolsas para o exterior serão concedidas para estudantes de graduação, pós-graduação, professores e técnicos.

Fonte: Jornal A Tarde

Prêmio Jovem Cientista inscreve até 19 de dezembro

094.foto27112014

Estão abertas até 19 de dezembro as inscrições para o Prêmio Jovem Cientista, cujo tema é “Segurança Alimentar e Nutricional”. Podem participar estudantes do ensino médio, superior, mestres e doutores que queiram criar soluções inovadoras para o setor de alimentos. A escolha do tema surgiu da necessidade de estimular estudos científicos que propiciem avanços na promoção da saúde, qualidade de vida e cidadania, além do desenvolvimento de tecnologias agrícolas e industriais.

Em sua 28ª edição o Prêmio Jovem Cientista tem como objetivos revelar talentos, impulsionar a pesquisa no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade brasileira.

Nas categorias Mestre e Doutor e Estudante do Ensino Superior, podem ser submetidos projetos nas seguintes linhas de pesquisa:

1- Novas tecnologias para produção de alimentos saudáveis e funcionais da biodiversidade brasileira;
2-Inovação em política de segurança alimentar para a merenda escolar;
3- Inovações tecnológicas no abastecimento de alimentos;
4- Alimentos orgânicos: produção, processamento e certificação de alimentos seguros e sustentáveis;
5- Novas tecnologias de conservação de alimentos: processos e metodologias aplicáveis e seguras visando a redução de conservantes e aditivos químicos;
6- Desenvolvimento de alimentos processados com adição de compostos bioativos visando a redução da fome oculta;
7- Novas tecnologias para a conservação e melhor utilização dos alimentos tradicionais em áreas de extrativismo, ribeirinhas e comunidades tradicionais;
8- A agricultura familiar para a segurança alimentar e nutricional regional e territorial;
9- Desenvolvimento rural e sustentabilidade ambiental, os limites da Segurança Alimentar no campo;
10- Nutrição nas enfermidades agudas, crônicas e degenerativas: o uso de recursos dietéticos na prevenção e tratamento de doenças;
11- Biossegurança de organismos geneticamente modificados.

Para a categoria Estudante do Ensino Médio, há cinco subtemas:

1- Produção sustentável de alimentos;
2- Acesso a alimentos saudáveis para todos;
3- Hábitos alimentares: da gestação à terceira idade;
4- Inovações na conservação e aproveitamento integral dos alimentos;
5- Soluções para a desnutrição e a obesidade.

Mais informações em www.jovemcientista.cnpq.br.

Fonte: Ascom/Fapesb

Presidente do CNPq visita a Fapesb

093.foto26112014(3)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia recebeu na última sexta-feira, 21/11, a visita do Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Glaucius Oliva. Acompanhado do diretor geral da Fapesb, Roberto Paulo Lopes, do diretor de inovação, Artur Brandão, do diretor da Academia de Ciências da Bahia, Roberto Santos e da pesquisadora da Fiocruz, Marilda Gonçalves, Glaucius percorreu os setores da Fapesb, conhecendo um pouco mais sobre as atividades desenvolvidas por cada um, além dos projetos apoiados pela Fundação.

Após a visita, o diretor do CNPq seguiu para a Fiocruz, onde fez uma apresentação com o tema “Ciência e Inovação: eixos estruturantes do desenvolvimento nacional”. Glaucius apresentou gráficos e indicadores que comprovam o crescimento da ciência no Brasil, como o aumento do número de doutores e o crescimento dos cursos de pós-graduação, sempre destacando o fundamental apoio da Fapesb que possibilitou este crescimento no estado da Bahia.

Fonte: Ascom/Fapesb
Foto: Artur Brandão, Roberto Santos, Marilda Gonçalves, Roberto Paulo e Glaucius Oliva em visita à Fapesb

Fapesb promove terceira etapa de avaliação do Concurso Ideias Inovadoras

092.foto25112014
Ervas e peixes criados em aquaponia, azeite de dendê microencapsulado, hambúrguer de marisco e uma bateria que mistura som orgânico com som eletrônico. Esses e muitos outros projetos foram apresentados nesta segunda-feira, 24/11, na terceira etapa de avaliação do Concurso Ideias Inovadoras, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB. Este ano, o edital incluiu a categoria Inventor da Economia Criativa, ampliando a oportunidade de participação para este segmento tão presente no estado.

O aluno de ensino médio do Centro Educacional Antônio Honorato, Luiz Barbosa Neto, de 17 anos, viajou 700 km até Salvador para poder apresentar o seu projeto “Aquaponia na Escola como Atividade Inovadora de Aprendizagem”. Residente da cidade de Casa Nova, Luiz veio para Salvador acompanhado de uma professora, para representar sua equipe de oito alunos. “Acho importante desenvolver esse tipo de projeto porque aprendemos mais. Mesmo se não ganharmos o prêmio, a gente ganha em aprendizado”, diz. O projeto de aquaponia envolve um sistema de criação de peixes e o cultivo de hortaliças e venceu em primeiro lugar na última Feira de Ciências da Bahia. Se ganhar o prêmio do Concurso Ideias Inovadoras, Luiz diz que vai dividir o dinheiro entre os colegas do grupo e comprar um laptop. “Eu pretendo fazer vestibular de medicina e preciso de um computador portátil para poder levar a qualquer lugar e estudar”, diz.

A pesquisadora Camila Duarte Ferreira, de 26 anos, apresentou o “Azeite de Dendê Microencapsulado”, uma alternativa para preservação de compostos. O azeite encapsulado criado por Camila serve para fortificar alimentos de grande utilidade, tais como iogurte, achocolatados e bebidas lácteas. A pesquisadora diz que o Concurso Ideias Inovadoras ajuda a proteger as criações: “O Concurso incentiva a criação de novas ideias e as protege, porque nos dá a oportunidade de patentear”. Camila está concorrendo ao prêmio na categoria Pós Graduando Lato Sensu e Stricto Sensu.

Como Inventor da Economia Criativa, o pedagogo Edson de Jesus, de 33 anos, conselheiro tutelar na cidade de Sapeaçu, levou o projeto “Caravana do Beiju de Coco”, que tem como objetivo criar carros personalizados para a venda dos produtos feitos com a farinha de tapioca. “Acredito que essa é uma oportunidade que vem somar na história da Economia Solidária”, afirma. Edson conta que o projeto faz parte de sua história de vida e que conhece as dificuldades dos vendedores que vão de porta em porta carregando os produtos. “Quero adaptar carros para vender, porque a venda de porta em porta é difícil e injusta, pois compete com os grandes comércios”, explica. “Queremos que os produtores de beiju tenham sua atividade potencializada e valorizada.” A ideia é criar trailers com o maquinário necessário para a produção e venda dos produtos, como chapas de aço, fogão e raladores de coco. Os produtos incluem beiju de coco, beiju seco, sequilhos, tapioca recheada e o inovador beiju enriquecido com frutas e legumes. “Se eu ganhar o prêmio, vou realizar meu sonho e criar um carro adaptado”, diz Edson.

O músico Antônio Dimas Jr., mais conhecido como Japa System, levou sua “Nave System”, uma espécie de bateria com uma concepção inovadora de percussão, onde é possível executar instrumentos orgânicos e eletrônicos ao mesmo tempo. “Um amigo me inscreveu no Concurso Ideias Inovadoras com o intuito de mostrar nossa criação para o mercado e estimular os profissionais da área musical”, explica. Para ele, o Concurso abre espaço para novos talentos e estimula as pessoas a pesquisarem e inovarem. “Caso eu receba o prêmio, pretendo dar continuidade à mais criações, ministrar workshops nas comunidades para promover a inclusão digital das pessoas na música”, afirma.

Neste ano, foram submetidas 148 propostas ao Concurso Ideias Inovadoras das quais 51 são finalistas. Poderão ser premiados até 21 projetos, sendo que os prêmios são de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil para primeiro, segundo e terceiro lugares respectivamente. A solenidade de premiação do Concurso Ideias Inovadoras está prevista para o dia 11 de dezembro, às 15h, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador-BA.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb
Foto: Luiz Neto apresenta seu projeto à banca avaliadora

FAPESB disponibiliza R$1,5 milhões para empresas de Comércio e Serviço

091.foto19112014

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia lançou este mês um edital inédito de Apoio à Inovação em Comércio e Serviço, no valor de R$ 1,5 milhões, que apoiará, por meio da concessão de recursos de subvenção econômica (recursos não-reembolsáveis) o desenvolvimento de inovações em produtos, processos e serviços em empresas baianas dos segmentos de comércio e serviços. O objetivo do Edital, além de apoiar projetos nesta área, é promover um aumento das atividades de pesquisa, inovação e o incremento da competitividade das empresas e da economia do Estado. O Edital de Apoio à Inovação em Comércio e Serviço da Fapesb é pioneiro neste segmento no Brasil.

O edital será apresentado em detalhes nesta quinta-feira, 20 de novembro, no auditório da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração – SICM, às 10h, em reunião promovida pelo Fórum Regional Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado da Bahia em parceria com a Fapesb. Este Fórum está vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Secretaria da Indústria e Comércio e reúne empresários e representantes de entidades empresariais do estado.

Segundo Wilson Andrade, coordenador do núcleo de Inovação e Tecnologia para Pequena e Média Empresa (um dos seis núcleos do Fórum Regional) a inovação e a tecnologia são o caminho para o progresso: “Se você não tem inovação e não traz tecnologia para a empresa, não tem produtividade e não pode concorrer com os produtos chineses da vida. Para fazer isso, o grupo vem estudando há quatro anos”, afirma. Nestes quatro anos, o núcleo dialogou com os empresários baianos para identificar suas dificuldades em relação à inovação e tecnologia e listaram alguns pontos como a falta de conhecimento, de recursos e de estímulos fiscais. Eles também perceberam que o Micro Empreendedor Individual (MEI) não estava contando com incentivo financeiro de nenhuma agência de fomento ou linha de crédito. “Na Bahia já são 150 mil MEI e eles precisam de acesso à tecnologia e inovação para buscar competitividade, senão eles não crescem”, diz. “Houve uma sensibilidade da Fapesb, que acatou nossa sugestão e lançou este edital.”

Alzir Mahl, coordenador do Apoio à Competitividade Empresarial da Fapesb, fala sobre o edital: “Este é um Edital inédito no país, não existe outra chamada com este formato e público a ser apoiado, e surgiu através da demanda de associações e empresas do segmento empresarial baianos”. Para Alzir, o edital poderá contribuir para aproximar empresas, universidades e centros de pesquisa: “A Fapesb, com este apoio, expande seu olhar sobre segmentos empresariais muitas vezes não atingidos pelas linhas de apoio da Fundação e, ao mesmo tempo, incentiva a prática da cultura da inovação nos empreendedores locais e a cooperação destes com as universidades e centros de pesquisas do Estado”.

Tiana de Araújo, da Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB) e coordenadora do comitê temático “Desoneração e Desburocratização” do Fórum Regional, diz que o edital é uma concretização de benefícios de grande importância para os MEI atuantes no segmento de comércio e serviços que têm dificuldade em investir no desenvolvimento e inovação de seu produto. “Fazemos acontecer a aplicação da Lei Geral efetivamente, trazendo um benefício deste porte não só para os micros e pequenos empresários e empresas de pequeno porte, mas também para o MEI em geral, que terá a oportunidade de ser beneficiado com recursos subvencionados. É um grande feito do Fórum de Microempresa que vem tornar concreto um trabalho sério conduzido por uma equipe comprometida”, diz.

O diretor do Parque Tecnológico da Bahia, Leandro Barreto, explica a importância do edital para as empresas de comércio e serviços: “As empresas Startups são as típicas que captam recursos em editais de inovação, mas agora o estado da Bahia entendeu que é preciso também apoiar e colocar a inovação na ponta, naquele comércio de bairro, numa papelaria, numa borracharia, para que essas pessoas possam enxergar que inovação não é somente um novo Smartphone ou um aparelho super tecnológico, mas que ela pode estar no nosso dia a dia”. Segundo ele, é importante atender a um público que não se enxerga dentro de um escopo de inovação: “Entendemos que é fundamental e inovador atender essa classe de comércio e serviços, cabeleireiros, mecânicos, qualquer área que possa, por meio da inovação, melhorar sua empresa e sua renda”, afirma.

O edital será apresentado pelo Diretor de Inovação da Fapesb, Artur Caldas Brandão e estará vigente até as 17h do dia 06 de março de 2015. Clique aqui para ver o edital.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

Giro na Ciência – Mitos Prejudicam o socorro de vítimas de animais peçonhentos

090.foto14112014

Emilly Sales tinha 16 anos e estava na cidade de Elisio Medrado no interior da Bahia, localizada há 223 km de Salvador no ano de 2011, quando foi picada por um escorpião enquanto dormia. Como na cidade, não havia um hospital que oferecia o soro antiescorpiônico, Emilly foi encaminhada para uma unidade de saúde da cidade de Amargosa (BA), referência no tratamento de soroterapia na região. Lá, havia banco de soros, e toda uma equipe capacitada para fazer o atendimento. “Quando cheguei até a unidade de saúde, o soro já não era mais indicado, devido ao tempo de locomoção para receber o atendimento”, conta Emilly que não sofreu qualquer sequela, após o acidente.

Assim como Emilly, muitas pessoas são vítimas de ataques de animais peçonhentos como serpentes, escorpiões e aranhas. No ano passado 14.313 acidentes foram registrados na Bahia pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), um sistema do Ministério da Saúde que controla e armazena todos os dados sobre acidentes com animais peçonhentos no país.

A maioria dos casos ocorre em matas, margens de rio e terrenos baldios em áreas urbanas, sendo comuns, acidentes que se agravam pela falta de informação e atendimento errado. De acordo com o SINAM, 59 % dos acidentes ocorrem no interior da Bahia. O número de acidentes com escorpiões é bem maior, quando comparados aos que ocorrem com serpentes no Brasil. Em 2013, o sistema registrou na Bahia 11.057 acidentes com escorpiões e 2.666 com cobras.

O Centro Antiveneno (CIAVE), ligado à Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, é responsável pela assistência aos pacientes, diagnóstico e capacitação dos profissionais que realizam os atendimentos e tratamentos no estado. O CIAVE ainda coordena a distribuição de soros nas 300 unidades de saúde localizados nos 286 municípios da Bahia.

O CIAVE acompanha o número de casos a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os municípios que mais registram ocorrências de acidentes com animais peçonhentos na Bahia são: Jequié, Feira de Santana, Caetité, Condeúba, e Ibiassucê. O farmacêutico e coordenador do programa de acidentes com animais peçonhentos e de apoio diagnóstico e terapêutico do CIAVE Jucelino Nery relata que o número de acidentes varia a partir de vários fatores. “Há locais onde o clima influencia, existem ainda questões como, a falta de saneamento e desmatamento que propiciam o aparecimento desses animais nas áreas urbanas. Em Jequié, por exemplo, os acidentes com escorpiões aumentaram em 38% em 2014, comparado com o primeiro semestre de 2013, devido aos casos de desmatamento na região e a construção da ferrovia oeste-leste,” alerta.

Mitos e verdades – O aposentado Francisco Tavares Cavalcanti, 71 anos, nascido e criado em um distrito do município de Itabuna, interior da Bahia, relata, que na década de 1970, época em que trabalhava em uma fazenda de cacau, viu vários amigos serem picados por cobras nas lavouras da região. Ele explica que no interior, as pessoas acreditavam em medidas ‘caseiras’ para tentar amenizar os efeitos do veneno das serpentes. “Era todo o tipo de coisa que faziam que dava até nojo. Passavam ovo, chupavam com a boca pra tentar tirar o veneno e até passavam querosene, mas na maioria das vezes não resolvia, e o sujeito tinha que ir pro hospital tomar o soro. Naquela época eu acreditava nessas coisas, mas hoje não”, conta o comerciante que, há 11 anos, vende frutas no Largo Dois de Julho, Centro de Salvador.

A bióloga e colaborada do Núcleo Regional de Ofiologia e Animais Peçonhentos (NOAP) da Universidade Federal Bahia, Yukari Mise explica que medidas absurdas são praticadas por muitas pessoas, na tentativa de anular os efeitos das picadas desses animais. “Já vimos medidas extremas como, abrirem a cobra, retirar o fígado e passar no local da picada. Isso é totalmente errado,” alerta a bióloga. “Existem também pessoas que benzem com plantas e fazem orações utilizando extrato de plantas”, diz a bióloga.

Ela ainda alerta sobre as famosas ‘garrafadas’, muito utilizadas em algumas cidades do interior, que é a mistura da aguardente de cana-de-açúcar com uma serpente morta no interior da garrafa. “Muitos bebem no intuito de ficar imune ao veneno, mas sabemos que essa mistura é prejudicial e desnecessária.”

O médico toxicologista e diretor do CIAVE Daniel Rebouças esclarece que é muito importante, observar o local da picada e fazer o possível para identificar o animal, porém, mais de 90% das pessoas não realiza a captura ou a identificação. Daniel Rebouças explica que os venenos das cobras cascavel e coral provocam nas vítimas, sintomas parecidos com os de pessoas alcoolizadas, o que se chama ‘cara de bêbado’, a pessoa fica com as pálpebras caídas, a fala embolada e tontura. “Também é possível identificar o tratamento correto, em alguns casos, através dos sintomas apresentados pela vítima”, esclarece o médico que ainda alerta: “É importante não dar qualquer tipo de medicação ou bebidas a essas pessoas, pois isso compromete a identificação do soro a ser aplicado, a partir da observação dos sintomas”.

Serpentes – A ideia de que as picadas de cobras representam um risco à saúde é também uma questão cultural, porém nem todas são venenosas, como explica o diretor do CIAVE, Daniel Rebouças. “Esse mito, acompanha a humanidade desde a corrente criacionista, que narra na bíblia, a história de Adão e Eva, a partir da civilização judaica cristã ocidental, que estigmatizou a serpente como um ser desprezível e perigoso”.

O fator cultural que se associa à questão das serpentes tem construído uma série de mitos e verdades, e levam as pessoas à realizarem ‘simpatias’ e procedimentos inadequados, para o tratamento das picadas.

Serpentes
A cobra que mais causa acidentes no Brasil e na Bahia é de Jararaca. Causa hemorragia e afeta a coagulação, modificando o número de plaquetas no sangue. De acordo com a bióloga Yukari, mais de 80% dos casos registrados com serpentes peçonhentas são de Jararaca.

Apesar do maior número de acidentes acontecerem com jararacas, elas são as cobras menos letais. A quantidade de óbitos comparada à quantidade de casos é mínima, 3 em cada 1000 casos. Contudo ela é serpente que mais deixa sequelas por causa do veneno de caráter degenerativo. A bióloga Yukari é um exemplo, ela conta que já foi picada, e imediatamente lavou o local com água e sabão, por causa das bactérias presentes na boca da cobra. Em seguida ela deixou a mão levantada, já que a picada foi no dedo, para evitar o inchaço, sinal característico das picadas de jararaca, o inchaço é indicativo de gravidade. Foi nessa ocasião que ela descobriu que era alérgica ao soro, explica “Muitas pessoas são alérgicas ao soro, mas mesmo assim ele é a única medida completa e eficiente, por isso, deve ser ministrado ao lado de antialérgicos e corticoides.”

Cascavel – A cobra mais letal é a cascavel, ela possui um veneno mais perigoso que a jararaca. Em 2013, 94 acidentes foram registrados na Bahia. Em quase 2% dos casos, as pessoas picadas morrem mesmo com o uso do soro, segundo o SINAN.

Coral – Seu veneno é neurotóxico (paralisante), afeta o funcionamento nervoso e provoca morte por insuficiência respiratória. A coral, tem o veneno mais potente entre as serpentes brasileiras. Ela possui cores chamativas, e por isso é difícil não identificá-la.

Falsa coral – Possui cores chamativas e veneno, mas de toxicidade baixa e não perigosa para seres humanos, a mordida provoca apenas coceira. É muito parecida com a Coral verdadeira, a diferença é que algumas não possuem listras na parte inferior, tem a barriga branca, mas só algumas tem essas características.

Como identificar uma serpente venenosa? A forma mais importante para identificar uma cobra perigosa é a fosseta loreal, uma cavidade entre a narina e o olho que em algumas cidades as pessoas chamam de ‘cobra de quatro ventas’. “A fosseta é a estrutura que as cobras usam para perceber o calor e produzir a imagem térmica. Das cobras mais perigosas – Cascavel, Jararaca, Surucucu e Coral – apenas a coral não possui a fosseta, mas ela é facilmente identificada pelas cores chamativas. A cascavel além da fosseta, possui o chocalho na cauda que facilita o reconhecimento”, explica a bióloga Yukari Mise.

Soroterapia – O diretor do CIAVE Daniel Rebouças explica que toda a produção de soros no Brasil é feita em três laboratórios principais: Instituto Ezequiel Dias, Instituto Butantan e Vital Brasil. Na Bahia existem municípios que concentram bancos de soros para atender às regiões próximas, como vilarejos e distritos.

A utilização do soro deve ser feita em doses e casos necessários. “No caso das picadas de escorpiões, por exemplo, o tratamento não requer soro para os adultos. Apenas crianças menores de 7 anos ou adultos e idosos que apresentem manifestações clínicas que justifiquem o uso do soro como hipertensão e diabetes, por exemplo,” esclarece o toxicologista. Quanto às serpentes e aranhas peçonhentas, o soro é sempre utilizado.

Como é produzido o soro? Os soros são medicamentos inócuos, ou seja, não são nocivos. O diretor do CIAVE Daniel Rebouças explica que o soro é produzido a partir da proteína do cavalo, o veneno é inoculado no cavalo que por ser um animal de grande porte, resiste à toxina, ele faz isso fabricando anticorpos que são filtrados para a partir daí, o soro ser produzido. “Por ser uma substância vinda de outro animal, pode provocar reação alérgica, por isso é importante usar o soro mais específico possível e a quantidade correta” destaca o médico.

A única coisa completa é o soro antiveneno específico, conta a bióloga Yukari Mise, “existem substâncias como alguns extratos de plantas que cumprem funções isoladas como analgésico ou anticoagulante, no entanto, o soro é o único que trata todos os sintomas gerados pela picada.” Ela esclarece que a maioria das pessoas, são alérgicas ao soro, por isso ele é sempre ministrado associado a antialérgicos, corticoides e antitetânica.

“Ninguém morre de imediato ao ser picado por uma serpente, os sintomas levam uma média de três horas para se manifestarem e isso depende de vários fatores, como idade ou estado de saúde da vítima” esclarece Jucelino Nery. Os casos de óbito geralmente acontecem quando as pessoas não procuram serviço médico ou procuram tardiamente. O primeiro sintoma que indica uma gravidade no estado do paciente é insuficiência renal. Os soros variam pelo gênero da serpente. Ele alerta, “O recomendado é usar o soro o quanto antes. Até 12h é recomendado, mas até 24h ele ainda fará efeito.”

Como identificar outros animais pelas suas características?

Escorpiões – Todos os escorpiões são venenosos (peçonhentos), mas nem todos são perigosos para as pessoas. O soro antiescorpiônico é universal pois as toxinas são parecidas. Os escorpiões que mais se destacam na Bahia em número de acidentes são o escorpião-amarelo e escorpião-listrado. O escorpião listrado registra alta incidência de acidentes no Nordeste de Amaralina em Salvador. Sua picada provoca muita dor e oferece um risco maior para crianças que ao serem picadas, podem morrer por edema pulmonar ou choque neurogênico, quando o cérebro não suporta tanta dor.

Aranhas – São três, as aranhas peçonhentas perigosas. Viúva Negra e Armadeira são as mais recorrentes na Bahia, já a aranha Marrom tem maior incidência no sul do país e na Bahia, ela aparece na região da Chapada, em algumas cavernas, onde o ambiente é mais frio. A aranha Marrom é a mais letal. Sua a picada não dói e depois de um tempo, provoca insuficiência renal. A Viúva Negra aparece em maior quantidade no Rio de Janeiro, é uma aranha dócil, o perigo está quando é comprimida, então ela morde para se defender e destila seu veneno. “A Armadeira é a mais agressiva, porém é a menos letal”, esclarece a bióloga Yukari.

Quanto à Caranguejeira, que muitos pensam ser perigosa, não oferece grande risco. É pouco peçonhenta, a picada dói devido ao seu tamanho. Os pelos podem causar apenas urticária, irritação que provoca coceira. Muitas aranhas produzem veneno que não oferecem nenhum risco para seres humanos, conta Jucelino Nery do CIAVE. “È preciso identificar antes de iniciar o tratamento com o soro”.

Caso da Viúva negra – Quando o programa de soroterapia no Brasil estava no início, a partir de 1986, o soro da Viúva Negra (soro antilatrodectus) foi trazido da Argentina. Um estoque doado pelo Instituto Malbran, já que no Brasil ele não era produzido. No início dos anos 2000, o Instituto Vital Brazil começou a fabricar o soro, conta o toxicologista Daniel Rebouças, “um lote foi enviado para o CIAVE aqui na Bahia, um soro muito bom, mas houve um problema, o Ministério da Saúde considerou esse novo soro inadequado e impediu sua distribuição, mesmo o soro sendo testado comprovando sua eficiência e segurança, feito da mesma maneira que os outros soros”, afirma. O impasse permanece até hoje, não há distribuição do soro da Viúva Negra e ele é muito caro para ser importado de laboratórios de outros países. Então quando alguma pessoa é picada pela viúva negra, o tratamento é de suporte aos dados vitais do paciente, com analgésicos e glicose, explica Jucelino Nery. “Com o soro, o tratamento levaria apenas algumas horas e com pouca dor. Sem o soro, o tratamento leva de 1 a 2 dias, com a dor persistindo mais tempo.”

Dados para destaque:

2013 – Aconteceram 14.313 acidentes com animais peçonhentos na Bahia, serpentes, escorpiões e aranhas.
59 % dos acidentes com animais peçonhentos ocorrem no interior da Bahia.

O número de acidentes com escorpiões é bem maior, 11.057.

Acidentes com serpentes somam 2.666

Acidentes com aranhas foi o menor, 590 acidentes.

2014 – primeiro semestre – 8.494 casos de acidentes com animais peçonhentos, sendo que 6.124 deles foram acidentes com escorpiões.

No Brasil, 40% dos acidentes com cobras são provocados por serpentes não peçonhentas, segundo o SINAM.

Os municípios que mais registram ocorrências de acidentes com animais peçonhentos na Bahia são:
Jequié – 3.078
Feira de Santana – 2.008
Caetité – 1.764
Condeúba – 1.606
Ibiassucê – 1.528

FONTE:SINAN/CIAVE

O que fazer quando for picado por animal peçonhento? Lavar o local com água e sabão. Imobilizar o membro atingido, ao transportar a pessoa até o local de atendimento médico. Colocar o membro ferido em uma posição mais elevada. Conduzir a pessoa rapidamente para o atendimento médico. Se capturar o animal, levá-lo junto para que o médico identifique o procedimento e o soro indicado para o tratamento.

O que não fazer: Nunca corte ou fure a pele no local onde recebeu a picada, isso só aumenta o risco de infecção. Não faça torniquete ou fure a região mordida. A boca da serpente é rica em bactérias que podem causar infecções A jararaca, por exemplo, possui um veneno que destrói o tecido, o risco de ocorrer necrose no local picado é muito grande. Não coloque nada no local, pessoas costumam acreditar que alho, fumo, café, querosene e outras coisas do gênero podem ajudar. Isso não é verdade. Nunca tente sugar o veneno, a presa do animal é grande e a inoculação é rápida.

Por: Laís Matos – Agência de Notícias em Ciência, Tecnologia e Inovação FACOM/UFBA

Praças da Ciência serão instaladas em 40 municípios baianos

089.foto13112014

Popularizar a ciência nos espaços públicos, despertando nos jovens e crianças o interesse por conhecimentos em tecnologia e inovação. Esta é a iniciativa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), com a implantação de Praças da Ciência em 40 municípios baianos, por meio da instalação de oito equipamentos educativos.

O projeto Praça da Ciência visa promover e incentivar o conhecimento científico de maneira lúdica e interativa para desenvolver a curiosidade de crianças. Cada município cederá o espaço onde os equipamentos educativos serão instalados, são eles: Conchas; Bicicleta Geradora; Harpa; Alavanca; Gangorra de comprimentos diferentes; Cadeira Giratória; Balanços de comprimentos diferentes e Basquete giratório.

A secretária da Secti, Andrea Mendonça, destaca a importância do projeto para o estado da Bahia. “As Praças da Ciência têm a finalidade de democratizar a ciência e tecnologia, de forma simples e acessível à população. Estamos trabalhando com afinco nesta missão de levar conhecimento científico aos baianos. Essa é apenas uma das muitas iniciativas em andamento na Secti”.

O projeto prevê também uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação da Bahia, junto com as Secretarias Municipais de Educação, para oferecer formação específica para professores. As prefeituras das cidades de Macaúbas, Juazeiro, Muritiba, Ubatã, Santa Luz e Brumado são algumas que já assinaram convênio para instalação dos equipamentos nas suas praças.

Fonte: Ascom/Secti

4º Encontro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária vai até dia 16/11

O projeto Turismo de Base Comunitário (TBC), vinculado a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da UNEB, promove, entre os dias 12 e 16 de novembro, o IV Encontro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária (ETBCES), no Colégio Estadual Aliomar Baleeiro, no bairro de Pernambués, em Salvador. (…)

Com apoio da Fapesb, UNEB promove jornada de discussão sobre igualdade

O Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens (PPGEL) do Campus I da UNEB, em Salvador, realiza a I Jornada Caminhos da Igualdade: margens, imagens e transbordamentos de um signo corrosivo no dia 4 de dezembro, às 9h, no Auditório Milton Santos, no prédio da pós-graduação, no campus. (…)

Núcleo de Pesquisa em Química Analítica da Bahia faz relatório de 10 anos das atividades do PRONEX

088.foto06112014

O Núcleo de Pesquisa em Química Analítica da Bahia (NQA) publicou, neste mês, o relatório Química para a Segurança e Agregação de Valor a Alimentos, mostrando os resultados de 10 anos de pesquisas realizadas em química fundamental e aplicada. Os trabalhos focaram especialmente no estudo de substâncias e reações químicas envolvidas na caracterização, conservação e degradação de produtos alimentícios e na segurança alimentar.

Os estudos foram realizados com bebidas e produtos de origem animal, marinha e vegetal, e abordam três perspectivas: a avaliação da qualidade nutricional de alimentos e bebidas; a identificação de espécies químicas relevantes para a aceitação e apreciação sensorial; e o controle químico e microbiológico nas etapas de produção e comercialização. O objetivo geral dos estudos é agregar valor aos produtos alimentícios e contribuir para a criação de uma Tabela de Composição de Alimentos que normalmente são consumidos no Brasil, especialmente na Bahia.

O NQA é composto por grupos de pesquisa vinculados à Universidade Federal da Bahia (UFBA), no Programa de Pós-Graduação em Química e de grupos de pesquisa da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Instituto Federal de Educação da Bahia (IFBA), Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB) e Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). Ele foi formalizado em 2003, por meio do Edital PRONEX da Fapesb em parceria com o CNPq.

No relatório pode-se conhecer a história do NQA, saber um pouco sobre seus estudos e pesquisas e os demais projetos a ele vinculados. Entre 2004 e 2013, por exemplo, foram registradas 17 patentes e realizadas 104 teses e 149 dissertações pelo NQA, além da participação em 20 livros. Além dos indicadores de produção científica, o relatório apresenta algumas atividades de extensão, como o projeto “PRONEX Química e Qualidade em Alimentos e Bebidas”, financiado pela Fapesb e NCPq, que agrega 15 grupos de pesquisa no estado da Bahia. Há também referência a outras publicações, como o Atlas da culinária da Baía de Todos os Santos, lançado em abril deste ano, bem como projetos associados, como o Estudo Multidisciplinar da Baía de Todos os Santos. Todas estas ações contam com o apoio da Fapesb.

Fonte: Ascom/Fapesb

Fapesb apoia IV Encontro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária

088.foto04112014

De 12 a 16 de novembro, acontecerá o IV Encontro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária – IV ETBCES, no Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, situado na Rua Saturno, sem número, Pernambués, Salvador. O evento é organizado pelo grupo Cultarte (grupo organizado por um coletivo de artesãos e artistas), pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – ITCP da UNEB e coordenado pela professora Francisca de Paula. O IV ETBCES faz parte de um grande projeto desenvolvido no bairro do Cabula, denominado Turismo de Base Comunitária – TBC.

A professora Francisca de Paula vem desenvolvendo, há cinco anos, diversos projetos no entorno da Universidade, que incluem a organização de roteiros turísticos alternativos, responsáveis, sustentáveis e solidários – RTUARSS nos bairros do entorno da UNEB, no Cabula. O trabalho de pesquisa, extensão e ensino é voltado para a valorização cultural das comunidades, focado na educação e no desenvolvimento local com protagonismo social e comunitário. Nestes roteiros, mais diversificados, as próprias comunidades, de forma integrada e coletiva, oferecem saberes e fazeres, por meio dos quais visitantes e turistas conhecem de perto o seu estilo de vida e têm oportunidade de conviver com os moradores, conhecendo a cultura local e regional.

“O projeto de Turismo de Base Comunitária valoriza o jeito que os moradores das comunidades vivem, como eles são, e eles começam a se dar conta de que têm valor”, explica Francisca de Paula. “Os turistas não vão chegar, tirar a fotografia e ir embora. Eles vão chegar, conhecer, participar da vida, do cotidiano dessas pessoas”, afirma.

O IV ETBCES acontece juntamente com a III Mostra de Cultura e Produção Associada ao Turismo e à Economia Solidária – MCPATES; e a II Feira de Meio Ambiente e Saúde – FMAS. A programação inclui palestras, apresentações culturais, cursos e oficinas. Nos dias 15 e 16 estão agendadas visitas às comunidades. As informações podem ser encontradas no facebook: https://www.facebook.com/tbcUneb .

Confira a programação.

Fonte: Ascom/Fapesb

Com apoio da Fapesb, Fiocruz Bahia promove Seminário de Tecnologias Sociais

087.foto03112014

A Fiocruz Bahia, em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), realiza, no período de 4 a 6 de novembro, o I Seminário de Tecnologias Sociais: Biodiversidade, Inovação e Saúde. O evento, que acontece nas dependências da Fiocruz Bahia, tem o objetivo de ampliar a interação e o debate social em torno da temática das tecnologias sociais, a partir da participação de especialistas, de gestores públicos e de representantes da sociedade civil organizada em atuação nos campos da saúde, cultura, comunicação e inovação.

A programação combina o debate conceitual através de duas mesas redondas: Biodiversidade e Proteção aos Conhecimentos Tradicionais Associados e Tecnologias Sociais, Inovação e Saúde, com os relatos de experiências que destacam as atividades, ações e projetos de atores engajados nas dinâmicas das tecnologias sociais nas instituições e em seus territórios.

Para contemplar as diversas dimensões do debate sobre tecnologia social, o Seminário contará com a participação de Angela Maria da Silva Gomes, doutora em Geografia e Membro do Conselho Nacional de Política de Igualdade Racial, que fará a conferência de abertura, e de Renato Dagnino, Professor Titular do Departamento de Política Científica e Tecnológica da UNICAMP, além de outros estudiosos do tema. Estes compartilham a mesa com representantes de povos tradicionais: quilombolas; terreiros e indígenas, a exemplo de Cacique Ramon Souza Santos, do Conselho Estadual de Povos Indígenas, e de Ana Placidino, Coordenadora Nacional da Rede Kôdya, entre outros.

Com tradição no debate sobre tecnologias sociais, a Fiocruz terá três representantes no Seminário. José Leonídio Madureira, da Coordenadoria de Cooperação Social, Joseane Costa, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, e Adriano de Lavor, da Revista Radis já confirmaram presença.

Clique aqui e confira também a programação completa do evento.

Confira alguns palestrantes.

Serviço

O quê: I Seminário de Tecnologias Sociais: Biodiversidade, Inovação e Saúde

Onde: Na Fiocruz Bahia

Quando: 4 a 6 de novembro

Contato: Antonio Brotas – (71) 3176-2299/ (71) 9343-0008

Fonte: Ascom/Fiocruz

Embaixador de Israel visita Fapesb e propõe acordo de cooperação

086.foto03112014

Na última quarta-feira 29/10, o embaixador de Israel no Brasil, Reda Mansour, em visita à Bahia, reuniu-se com o diretor geral da Fapesb, Roberto Paulo Lopes. O embaixador propôs a formulação de um acordo de cooperação entre a Bahia e o estado de Israel para o desenvolvimento de um conjunto de projetos de pesquisa entre instituições baianas e israelenses.

Mansour diz que vê muitos aspectos na Bahia que permitem a ampliação de negócios com Israel, principalmente no setor da agroindústria. “Estamos vendo a possibilidade de realizar um seminário de negócios aqui na Bahia para, depois, levar uma delegação de empresários baianos para Israel”, disse. Ele também mostrou interesse em projetos acadêmicos e culturais, principalmente na área musical. “Israel é um país que produz muita tecnologia e tem um enorme potencial cultural.”

Roberto Paulo considera importante um acordo de cooperação com Israel: “Na busca de ampliar a cooperação internacional no estado da Bahia, um dos elementos centrais do desenvolvimento científico e tecnológico do estado, considero importante e estratégica a formulação de uma acordo de cooperação com Israel, haja vista as competências técnicas e científicas deste país em áreas como uso e reuso da água, tecnologias para a produção de alimentos em regiões semiáridas, TIC e outras”, disse.

Fonte: Ascom/Fapesb

Fapesb lança proposta de Editais de R$ 25 milhões para Fortalecimento das Engenharias no Estado da Bahia

085.foto30102014

A Fapesb promoveu na manhã desta quinta-feira um encontro com pesquisadores e profissionais das áreas de engenharias e ciência da computação, para apresentar o plano de criação do Programa de Fortalecimento das Engenharias e Ciências da Computação no Estado da Bahia. O objetivo do programa é promover ações de fortalecimento para ambas as áreas, abrangendo todo o estado e promovendo a desconcentração espacial dos recursos.

O Programa baseia-se em dois pilares principais. O primeiro, para o fortalecimento da infraestrutura, por meio do apoio à realização de obras e aquisição de equipamentos. O segundo, para o fortalecimento da articulação em rede, por meio do desenvolvimento de projetos multi-institucionais.

Para a realização das ações dentro do Programa, a Fapesb disponibilizará R$ 25 milhões para serem executados dentro do período de cinco anos. Com isto, a Fundação busca criar infraestruturas de referência tecnológica no país e estimular a interação entre universidades e empresas. Além disso, visa criar novos cursos de mestrado e doutorado, fortalecendo os já existentes, criar novos grupos de pesquisa, empresas inovadoras e empresas incubadas, e atrair pesquisadores para o estado.

“As universidades, principalmente as estaduais, estão muito interessadas neste programa, pois a Fapesb estará promovendo áreas importantes, carentes de um olhar mais atencioso”, diz Vivian Alves, da Coordenação de Apoio ao Desenvolvimento Científico, Tecnológico e Empreendedorismo da Fapesb. “Estas áreas são ícones importantes do processo de inovação e precisamos garantir que tenham apoio”, completa.

O encontro contou com a presença das pró-reitoras da UESC, Élida Ferreira, UESB, Alexilda Oliveira de Souza e UFRB, Ana Cristina Soares.

natal