Com apoio da FAPESB, moradores da Fazenda Guerreiro melhoram condições de vida
Por: Ascom/Fapesb
Há dois anos, os moradores da Fazenda Guerreiro, localizada no município de Simões Filho, há 24 quilômetros de Salvador, tiveram uma reviravolta em suas vidas. Apoiados pelo Edital de Apoio a Incubadoras de Empreendimentos Econômicos, Solidários e Ambientais, fruto de uma parceria entre Fapesb, Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) do Estado da Bahia, em 2010, eles se viram envolvidos em uma série de ações que contribuiriam para uma significativa melhora da produção e consequentemente da sua qualidade de vida. O projeto foi proposto pela Associação das Comunidades Paroquiais de Mata Escura e Calabetão (Acopamec), coordenado por Jacqueline Santos e Vânia Vieira, e envolveu a Associação de Produtores Rurais da Fazenda Guerreiro.
Atualmente, a fazenda abriga cerca de 53 famílias, das quais 30 estão envolvidas com o projeto, somando um número aproximado de 200 pessoas. A associação de Produtores Rurais já foi desincubada e agora coordena as atividades por conta própria. O objetivo da Acopamec foi estruturar a produção e estimular a geração de trabalho e renda através da aplicação da tecnologia social de incubação dos empreendimentos econômicos solidários (EES). Buscando valorizar e resgatar os saberes e vocações da população local, o trabalho envolveu quatro núcleos produtivos: avicultura, com a criação e vendas de galinhas caipiras; agricultura orgânica, com produção de maracujá, aipim e hortaliças; piscicultura, com a criação de peixes; e floricultura, com a produção de flores ornamentais.
Os resultados da incubação foram muito positivos, em diversos aspectos. O trabalho, antes realizado de forma individual, passou a ser executado em grupos. A renda das famílias aumentou, ajudando a melhorar suas condições de moradia. O senhor Raimundo Bispo, de 65 anos, conta orgulhoso que se mudou de sua antiga casa de taipa para uma casa de tijolos e cimento, tudo com as economias que conseguiu fazer com a ajuda do projeto. “Eu já plantava maracujá, mas aí aumentei a produção e comecei a vender também melancia, aipim e amendoim”, conta. “Foi com a venda do maracujá que fiz a minha casa nova, de bloco e cimento.” Hoje, Raimundo vive com a esposa, a filha e os netos em uma casa com três quartos, sala, banheiro e cozinha, construída atrás da antiga casa de taipa: “Dá para ver o antes e o depois”, diz. O projeto não apenas contribuiu para melhorar a moradia de Raimundo como também o estimulou a trabalhar ainda mais: “Quanto mais eu vejo o fruto do meu trabalho, mas eu quero trabalhar”, conta.
O projeto também contribuiu para a fixação das famílias no campo. A presidente da Associação, Josenilda Silva Santos, morava sozinha na Fazenda Guerreiro, criando galinhas. Por conta do aumento da produção e o consequente aumento da renda, Josenilda convenceu a filha, que morava em Salvador com o marido e os dois filhos, a voltar para o campo. “Aqui na fazenda a gente consegue viver e se sustentar”, explica. Hoje, todos vivem juntos e cuidam da produção de galinhas caipiras e ovos, vendendo cerca de 30 dúzias por semana. A casa foi reformada e melhorada e lá foi instalado o computador adquirido com recursos do projeto, que pode ser usado por todas as famílias. A filha de Josenilda montou uma barraquinha em frente à casa para vender os ovos e outros alimentos que também são produzidos em seu lote, como tomate, pepino, maxixe, laranja, abóbora e aipim.
Com o amadurecimento do trabalho e o sucesso das produções, Josenilda e seu vizinho Gilson Batista Santos, agricultor, produtor de aipim e maracujá, decidiram fazer um fundo rotativo, uma espécie de poupança comunitária gerida coletivamente. A poupança recebe doações voluntárias dos membros participantes que podem usar o recurso quando necessário. A senhora Ana Maria Mendes, de 56 anos, diz ter sido muito beneficiada pelo fundo rotativo: “Eu recebi 50 pintinhos. Com o lucro das vendas, comprei 100 e devolvi o valor dos 50 para o fundo. Assim eu fiz dinheiro e fui multiplicando”, conta. Antes do projeto, Ana Maria tinha um galpão de taipa para abrigar as galinhas. Hoje, com a renda maior, ela já construiu três galpões de tijolos e uma casa nova, onde vive com o companheiro, dois filhos e dois netos. “Eu fui uma das mais beneficiadas nesse projeto. Hoje eu tenho uma moto, uma casa nova e quatro galpões”, diz orgulhosa.
Em setembro de 2012, a coordenadora Vânia e as famílias da Fazenda Guerreiro decidiram realizar uma feira para vender os produtos e divulgar o trabalho realizado. O sucesso foi tão grande que a feira continua sendo realizada todo segundo domingo do mês, atraindo um público de cerca de 500 pessoas. A demanda tem sido tão alta que os produtores não estão dando conta dela e, por isso, estão buscando captar mais recursos para adquirir maquinário, veículos e equipamentos de irrigação e outros materiais que contribuam para a melhoria e o aumento da produção e comercialização. É nessa feira que Eliete Santos vende a flor Palma de Santa Rita. Ela já havia tomando um curso de cultivo de flores em um programa oferecido pela prefeitura, e está feliz com sua independência: “Eu sempre plantei flores, mas nunca fui dona de minha própria plantação. Agora eu planto e o dinheiro é meu”, comemora.
A coordenadora Vânia conta que o trabalho foi intenso e que, no início, ela contou com o apoio de uma psicóloga social para desenvolver as relações intergrupais. “Houve conflitos, alguns saíram, mas no fim, deu certo”, diz. A aplicação dos recursos do projeto coincidiram com a chegada da energia elétrica e da estrada de asfalto na Fazenda Guerreiro, o que melhorou ainda mais o transporte dos produtos. Josenilda diz que embora alguns produtos sejam vendidos em feiras nos arredores, o foco é vender diretamente ao consumidor: “Nós temos uma espécie de mercado itinerante: o consumidor faz o pedido e a gente entrega direto em casa”, explica.
A história da Fazenda Guerreiro teve uma boa repercussão e já foi divulgada na rádio, no site da prefeitura de Simões Filho e até em matéria de televisão. Gilson resume o sucesso da experiência em uma simples frase: “Se formos dar uma nota de 1 a 10, neste projeto, nós chegamos a 10!”.
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Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb