Pesquisadores e empresários falam sobre relação universidade-empresa em evento da Fapesb
Por: Ascom/Fapesb
Na manhã desta segunda-feira, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) promoveu a mesa-redonda com o tema “Diálogos para a Inovação e Empreendedorismo: a necessária sinergia entre Universidades e Empresas”, no Auditório Magno Valente, na UFBA. O evento foi mediado pelo Diretor de Inovação da Fapesb, dr. Lázaro Cunha e contou com a participação de Gesil Sampaio, professor da UESC e doutor em física; Felipe Crusoé, engenheiro civil, sócio da empresa Engpiso; Paulo Alberto Gomes, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFBA; e D’Artagnam Nascimento, diretor de inovação da empresa WWT.
Na abertura do evento, Lázaro disse que o desafio de disseminar a Inovação passa pelo conhecimento das empresas de nosso estado e o estreitamento da relação entre estas com as universidades. “Com a inovação, a universidade tem o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, já a empresa, o ganho de competitividade e para o estado, há um ganho no desenvolvimento econômico, emprego e renda”.
Gesil falou sobre a discrepância da relação entre empresas e universidades no Brasil e no exterior. Segundo ele há uma forte relação entre estes atores em outros países: “Em um grupo de pesquisa de fusão nuclear, com um perfil bem acadêmico, há empresas indo lá, apresentando demandas. A gente não vê isso aqui”, disse. Para Gesil, existem três elementos necessários para que haja uma maior cooperação. A primeira é acabar com o distanciamento entre universidades e empresas. Isso normalmente acontece quando uma empresa tem uma demanda, procura uma melhoria em um processo, ou precisa contratar pessoas de fora pela falta de profissionais na Bahia: “As incubadoras de empresa poderiam seguir uma linha de formar novas empresas de mercados nascentes, para atender a essa demanda de contratação de mão de obra de fora”, sugeriu. O segundo elemento seria criar canais de informação para os empresários, para que saibam o que está sendo feito nas universidades. Como exemplo, ele mostrou alguns instrumentos de TIC que servem como canais de comunicação. Em terceiro lugar, Gesil disse que é necessário criar maneiras de alimentar esses mecanismos e diminuir ao máximo a burocracia.
Felipe Crusoé apresentou a sua empresa, a Engpiso, que trabalha com produtos e serviços de pisos e revestimentos industriais, com foco em inovação. “O uso de produtos inovadores e essa interação universidade-empresa é o que nós buscamos”, afirmou. Como desafios, Felipe citou a necessidade de promover uma mudança de paradigmas, a começar pela grade curricular nas universidades, que deveria propor mais cursos em empreendedorismo e inovação. A Engpiso tem dois projetos de inovação que já receberam apoio financeiro da Fapesb. Um trata do estudo otimizado em pavimentos de concreto e o outro de uma capa autonivelante cimentícia com isolamento acústico. A pouca disseminação da cultura de inovação aliada à burocracia são as maiores dificuldades segundo Felipe.
Paulo Gomes afirmou que os papéis de cada ator no processo de inovação estão bem definidos no chamado modelo da hélice tríplice: as universidades têm o papel da produção do conhecimento e buscam ser reconhecidas como tal; as empresas pensam em aumentar a sua competitividade, gerar lucros; e o governo pensa no desenvolvimento econômico. “As empresas são racionais para se manterem no mercado e atingir seus objetivos, sobreviver e gerar lucro. Mas tem coisas que não se pode pedir a um empresário, como entender o tempo da universidade”, explicou Paulo. Já o governo foi definido como irracional, pois incentiva e financia a produção tecnológica e depois não compra os produtos. A universidade, segundo o palestrante, também não funciona racionalmente: “Ela tem de reconhecer que as atividades de inovação são diferentes das atividades da universidade (pesquisa, ensino e extensão). Ela tem que se redefinir, tem que construir estratégias para criar a inovação”. De acordo com Paulo, é preciso criar ilhas de excelência. “Eu acho que a Fapesb e a Secti já são exemplos dessas ilhas quando comparadas ao restante do governo.”
D’Artagnam Nascimento falou sobre a evolução de sua empresa com a introdução da inovação. Ele coordena a diretoria de Inovação da empresa Wellan Water Treatment (WWT), que tem como foco a gestão de águas com pensamento em sustentabilidade ambiental. Foi nesta área que a empresa inovou e se consolidou no mercado, na Bahia em 2008. “Construimos um produto/serviço que melhora a água potável e a adequa para o uso hospitalar. Inovamos inclusive no reuso de efluentes sanitários para make up de sistemas de resfriamento”, explicou. Em 2012, após uma consultoria com o Sebrae, a empresa iniciou na área de franquias, expandindo-se para o nordeste. Nesta época, D’Artagnam entrou na INCUBATEC (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica) para transformar o projeto em algo mais estruturado. Em 2013, com a visita do Coordenador de Competitividade Empresarial da Fapesb, Alzir Mahl, a empresa criou uma política de inovação que busca, entre diversos pontos, reconhecer os mais criativos, assumir o risco de inovar e pensar em longo prazo. O empresário falou sobre o projeto de inovação desenvolvido atualmente com apoio da Fapesb por meio do Edital de Apoio à Cooperação Entre Empresas e ICTs, e concluiu: “É preciso saber se a ICT tem o DNA para sustentar o projeto, senão vira só uma sistematização contratual e não vai para frente”.
Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb