Pesquisador baiano insere tecnologia Blockchain em sistema de rastreabilidade

Aplicação da tecnologia pode garantir mais confiança e credibilidade nos produtos

A tecnologia Blockchain, um dos principais assuntos quando o tema é futuro ou inovação, minimiza erros de transação e o risco de informações faltantes, quando comparada à funcionalidade dos bancos de dados, que necessita de interação humana. Entretanto, se engana quem pensa que os benefícios tecnológicos servem somente para o mercado financeiro ou de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Um pesquisador baiano da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Rogério Oliveira, resolveu avaliar o potencial da Blockchain na composição de um sistema de rastreabilidade de origem, com o objetivo de garantir a autenticidade dos dados do produto e avaliar se ele está de acordo com os padrões informados nas embalagens.

De acordo com Rogério, o Sistema de Rastreabilidade faz com que a informação do processo produtivo chegue ao consumidor para que ele seja capaz de identificar as características importantes do produto final. Já as certificações buscam evidenciar a aplicação de boas práticas de produção, do aspecto social até o ambiental. “Neste contexto a blockchain seria aplicada para garantir a autenticidade dos dados do produto e do Certificado de Qualidade, o qual atesta que a amostra está em conformidade com os padrões da Unidade Certificadora, apresentados pelo sistema de rastreabilidade de origem”.

O pesquisador afirma que por ser um consumidor bastante atento aos detalhes dos produtos, ele sempre levou em consideração fatores relacionados à confiança do que se apresenta nas embalagens e a sua real origem, no que diz respeito aos processos de fabricação adotados. Além disso, ele afirma que até o momento de sua pesquisa não existiam, no Brasil, outros projetos utilizando a blockchain em sistemas de rastreabilidade. “Queremos disponibilizar a nossa tecnologia para Indicações Geográficas utilizarem, sem precisar dispor de muito dinheiro para a implementação do projeto”, disse o pesquisador, ao explicar que Indicações Geográficas constituem um mecanismo de proteção intelectual que reconhece a origem de um produto quanto à sua localidade e reputação atribuída às suas características regionais, assim como os fatores naturais e humanos.

Para Rogério, aplicar esse tipo de tecnologia possibilita identificar, da origem até o destino, caso haja um problema em algum insumo, diminuindo o impacto gerado, além de minimizar as chances de contradição entre as características descritas e reais de um determinado produto. “Na maioria das vezes, os centros compradores estão distantes dos centros produtores, por isso disponibilizar e popularizar um meio para checagem de referências de forma prática e com maior confiabilidade é tão relevante. Ao agregar valor aos produtos, fortalecendo os processos de produção, é possível atribuir um preço que faz jus a uma boa remuneração para os produtores e que também corresponde aos ideais de sustentabilidade”, finalizou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Governo do Estado lança revista de jornalismo científico em comemoração ao Dia da Ciência

Publicação reúne temas como saúde, tecnologia e sustentabilidade em matérias que divulgam pesquisas científicas nas diversas áreas do conhecimento

Perto de se aproximar do número 100 em matérias de divulgação sobre trabalhos científicos, a série de reportagens Bahia Faz Ciência (BFC), da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), lançará uma revista comemorativa ao Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, na próxima quinta-feira (8), às 15h, com transmissão pelo Canal do YouTube da Secti. A publicação, que reúne algumas matérias lançadas desde a estreia do projeto, em julho de 2019, traz estudos, soluções e invenções criadas em território baiano, com o objetivo de demonstrar a importância de investir em pesquisa para o avanço da sociedade, a melhoria na qualidade de vida da população e o desenvolvimento econômico do Estado.

A secretária da Secti, Adélia Pinheiro, contextualiza a relevância do Bahia Faz Ciência. “Há cerca de dois anos, antes do contexto da pandemia, tínhamos o interesse de mostrar para toda a população o potencial enorme que baianas e baianos têm para fazer ciência. Agora, enquanto enfrentamos uma crise sanitária de grandes proporções, podemos dizer que este projeto auxilia no combate ao obscurantismo, ao levar informações para toda a sociedade, que muitas vezes estão restritas ao ambiente acadêmico. Em uma linguagem acessível e um formato semanal, lançamos toda segunda-feira uma notícia diferente sobre um novo estudo, pesquisa ou trabalho científico que venha para agregar ferramentas ou soluções inovadoras”.

Com foco em diversidade, a série aborda diferentes temas e áreas do conhecimento na hora de selecionar os trabalhos que serão divulgados para a população e à mídia. O diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), Márcio Costa, também destaca que todas as universidades estaduais e federais do Estado já tiveram trabalhos divulgados, assim como algumas particulares, além de diversas instituições, escolas e institutos. “Através dessas matérias, mostramos para o público, não só da capital, mas também de todas as regiões baianas, a importância de investir em pesquisa científica. Os cientistas contemplados pelo Bahia Faz Ciência estamparam jornais, sites, deram entrevistas a TVs e rádios e puderam levar um pouco do que é produzido em laboratório e sala de aula para o conhecimento da sociedade”.

Novos tipos de curativo, remédios, vacinas, ferramentas inovadoras, plataformas tecnológicas para facilitar trabalhos manuais do dia a dia e até novos tipos de alimentos já foram pauta da Secti nos últimos dois anos. Mas foi em um novo método para tratar diabetes, através da casca de um fruto chamado mangostão, criado por jovens estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano), no município de Catu, que o Bahia Faz Ciência encontrou sua primeira pauta. “Somente com a divulgação científica dos trabalhos e projetos realizados nos centros educacionais é que conseguiremos demonstrar a importância da ciência no Brasil e no Mundo. E assim, entendermos que cada centavo investido em pesquisa não é prejuízo, mas sim lucro para uma geração de novos cientistas, com possibilidades de melhorar a vida de todos”, pondera Saulo Capim, professor do IF Baiano e orientador da primeira pesquisa científica divulgada pelo BFC.

A professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Silmara Carvalho, que teve seu trabalho recentemente divulgado pelo Bahia Faz Ciência, destaca que a população, em geral, precisa conhecer mais as pesquisas que são realizadas nas universidades públicas brasileiras porque a realização científica envolve o desenvolvimento desde atividades mais complexas, como a produção de vacina, até atividades mais simples, como cuidados higiênicos para evitar proliferação de doenças. “Muitas destas pesquisas trazem benefícios direto para a sociedade, seja na área médica, farmacêutica, alimentícia, ambiental, social, dentre as muitas possibilidades. Toda a forma de divulgação deve ser potencializada. Um bom exemplo diz respeito à minha área de atuação, a engenharia de alimentos, porque um produto como iogurte sabor morango foi primeiramente produzido em uma Universidade Pública (UFV), fato que poucas pessoas fora do ambiente acadêmico sabem”, sinalizou.

Para ter acesso à edição online da revista Bahia Faz Ciência, que conta com temas como saúde, sustentabilidade, tecnologia e Covid-19, basta acessar o site da Secti, onde também se encontram todas as matérias já divulgadas dentro do projeto. Os interessados em ter seus trabalhos divulgados nos sites e redes sociais da Secti e Fapesb e para toda a imprensa, devem enviar a sugestão de pauta para o e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Professora desenvolve inseticida e fitoterápicos à base de produtos naturais

No futuro, pesquisadores esperam substituir os medicamentos industrializados e importados, além de promoverem o cenário econômico do Brasil

“O uso das plantas medicinais na cura de doenças é uma prática antiga e encontra-se em expansão por todo o mundo”. É o que afirma Simone Gualberto, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), que estuda a criação de inseticidas e fitoquímicos à base de plantas do Semiárido Baiano. Segundo a pesquisadora, essa vegetação, apesar de ser pouco estudada com esta finalidade, é muito utilizada no tratamento de enfermidades das comunidades carentes da região e também para o controle de vetores de doenças. Agora, junto ao seu grupo do Núcleo de Pesquisa em Química Aplicada, a professora busca obter informações sobre o perfil químico e farmacológico dessas plantas, com o objetivo de gerar desenvolvimento da economia regional e sustentável, através do manejo adequado das espécies, além de promover a criação de novos fitoterápicos e inseticidas naturais, que podem gerar novas patentes para o país.

De acordo com Simone, o estudo das plantas do Semiárido trará informações úteis para ampliar o conhecimento acerca das características biológicas das espécies, possibilitando o uso sustentável para a promoção da saúde. “Nossa intenção é investigar espécies da Caatinga ainda pouco estudadas, gerando um banco de dados com informações úteis sobre elas, com acesso livre para a comunidade científica e não-científica. O maior acesso a essas informações contribuirá para o uso sustentável dessas espécies e, consequentemente, para a conservação da biodiversidade”, declarou.

A pesquisadora ressalta que a busca por produtos eficientes, seguros e menos tóxicos caracteriza o grande interesse dos pesquisadores, pois doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya, que são transmitidas por vetores, podem ser diminuídas com a eliminação desses insetos. Ela lembra também que produtos de origem vegetal são ótimas alternativas para o controle desse tipo de infestação, pois oferecem uma maior segurança no uso e, ao mesmo tempo, são mais seletivos, biodegradáveis, economicamente viáveis e de baixo impacto ambiental. Entre as plantas utilizadas atualmente, a professora ressalta que algumas aromáticas como hortelã, manjericão, alecrim, orégano, poejo, entre outras, são utilizadas para a criação de inseticidas, constituídos por moléculas voláteis, que podem promover, de forma natural, a adaptação das espécies ao ambiente onde se encontram.

Para Simone o maior diferencial deste estudo está em analisar a flora da Caatinga que pode ocasionar a descoberta de novos fitoterápicos e inseticidas naturais. “No futuro, poderemos obter novos fármacos potencialmente mais ativos e menos tóxicos, ampliando o arsenal terapêutico a ser utilizado para o tratamento das enfermidades que acometem as populações, permitindo o desenvolvimento de uma fitomedicina nacional, que irá substituir os medicamentos industrializados e importados, trazendo uma grande economia para o país, além de gerar novas patentes”. As novas substâncias poderão ser usadas como recursos alternativos para a melhoria da qualidade de vida da população, através da prevenção, tratamento e controle de vetores de doenças que atingem uma grande parcela da população.

A professora acredita que uma base de dados sobre plantas do Semiárido Baiano, a ser acessada livremente pela comunidade científica e não científica, poderá levar informações úteis sobre o uso de plantas medicinais, de maneira clara e acessível, destacando o potencial da região e promovendo a melhoria na qualidade de vida da população, ao mesmo tempo em que diversifica as opções de tratamento para diversos tipos de doenças.

Bahia Faz Ciência
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Baiana cria biofungicida a partir de proteínas do cacau

Inovação poderá ajudar a combater doenças que atingem cacaueiros e prejudicam o desenvolvimento econômico no Sul da Bahia

Em 1980, o Brasil liderava o ranking de produtores de amêndoas de cacau, uma das principais matérias-primas para a fabricação do chocolate. Atualmente, o país ocupa a sétima posição e a pesquisadora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Natasha Lopes, acredita que um dos motivos para esta queda esteja entre as pragas enfrentadas pelas plantações cacaueiras, entre elas, a vassoura-de-bruxa. Causada por um fungo, a doença, que é responsável por diversos impactos socioeconômicos, preocupa a população do Sul da Bahia até hoje, mas o problema pode ter encontrado uma solução, ou ao menos uma medida de contenção mais eficaz. É que a pesquisadora realizou um estudo a fim de investigar o potencial biotecnológico de uma proteína modificada do próprio cacau para combater esta doença. A boa notícia é que testes em laboratório já indicaram a possibilidade de inibir o fungo.

Natasha ressalta que desde a chegada da vassoura-de-bruxa no Sul da Bahia os cacauicultores têm sofrido grandes perdas. “Embora existam alguns métodos de controle, a doença ainda causa perdas anuais na produção das amêndoas de cacau, o que prejudica a produção do chocolate. O nosso produto irá beneficiar os pequenos produtores da Bahia que ainda são responsáveis pela maior parte da produção nacional”, disse a pesquisadora, destacando que atualmente existe um produto para controlar a doença, desenvolvido a partir do extrato de outro fungo, o Trichoderma, mas que o principal diferencial deste novo trabalho está em utilizar uma única molécula própria do cacau para proteger a plantação. “Este diferencial é de grande importância, pois limita os impactos ao meio ambiente e reduz a probabilidade do nosso produto interferir em outras características das amêndoas de cacau”, completou.

Em termos mais técnicos, a cientista explica como funciona a ação do biofungicida. “A proteína modificada do cacau tem atividade antifúngica contra M. perniciosa, via internalização da proteína pelo fungo, gerando estresse oxidativo nas suas hifas e, consequentemente, queda em sua viabilidade. Assim, propomos a produção de um fungicida à base dessa proteína, que irá atuar de forma precisa em dois estágios cruciais do desenvolvimento do fungo, na fase de infecção e na fase anterior à formação dos basidiósporos, a única forma de disseminação do fungo, diminuindo sua incidência nas plantações de cacau, sem causar impactos ao meio ambiente”, declarou.

De acordo com Natasha, sua equipe sempre teve um incômodo a respeito de como o conhecimento desenvolvido na pesquisa, dentro das universidades no Brasil, e o investimento público nesse setor, retornam à sociedade. “A nossa inspiração partiu da ideia de aplicar o conhecimento que produzimos no laboratório de forma prática. Como consequência, daríamos um retorno àqueles que muitas vezes desconhecem a relevância do nosso papel social como cientistas. Além disso, a molécula escolhida para compor o biofungicida é o meu objeto de estudo e, ao observar seu potencial, percebemos que poderíamos explorá-la para outras modalidades de controle da doença em prazos mais curtos”, finalizou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.

Pesquisadora baiana cria empresa de cosméticos à base de plantas medicinais

Projeto empreendedor está em fase de implementação após ter sido aprovado em edital da Fapesb

Empatia, respeito e sustentabilidade. De acordo com Ronilma Alves, esses são os três pilares que deram origem à sua empresa de fitocosméticos chamada “Lilás”. O projeto, oriundo de uma pesquisa de doutorado da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e que agora está em sua fase de implementação, busca produzir cosméticos à base de ingredientes vegetais, dentre eles, sabonetes, pasta de dente, protetor solar, desodorante, shampoos, entre muitos outros. Os produtos são todos respaldados por pesquisas em bioativos de plantas medicinais, somado a conceitos filosóficos como psico-aromaterapia, ou seja, o efeito nos estados emocionais proporcionados pelos óleos essenciais, um dos principais ingredientes dos cosméticos.

Ronilma, que está à frente da empresa, destaca algumas características importantes durante a produção. “Criamos produtos que tem como premissa usar matéria-prima orgânica e sem ingredientes alérgenos. Também prezamos por sustentabilidade e economia circular, buscando estabelecer uma rede que vai desde os produtores das plantas medicinais até o consumidor final. Além disso, nossas embalagens são recicláveis e apoiamos a reutilização do material, através de parcerias com associações de recicladores e incentivando a devolução das embalagens, por meio de descontos em produtos a cada pacote devolvido”, destacou a pesquisadora e empreendedora, relembrando que a Lilás surgiu de uma necessidade fisiológica, devido às alergias e irritações causadas por cosméticos comuns.

O objetivo, segundo Ronilma, é criar uma rede de franquias, desenhada para pequenas empreendedoras que compartilhem o mesmo ideal da empresa. “Em paralelo ao nosso trabalho, também realizo formações para profissionais que queiram montar a sua própria produção de cosméticos, porque acreditamos que somente o conhecimento pode dar autonomia”, completou. O projeto da Lilás, que foi aprovado no edital Centelha Bahia, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), atualmente está em processo de concretizar as licenças e certificações necessárias, com diversos produtos prontos para a primeira venda. A proposta é levar para o mercado um produto ético, que não degrada a saúde com componentes secundários, sem a necessária advertência e baseado em uma economia mais humanizada e colaborativa, nas quais tornam-se imprescindíveis o contato e a integração com a rede de produção.

“Com mais empatia, e respeito, entendemos que os milagres que se buscam em potes de cremes não são reais, são onerosos e tem afetado a saúde física e mental das pessoas. Com mais clareza na comunicação e uso de bioativos nas nossas fórmulas, oferecemos menos propaganda e mais verdade para que as pessoas possam perceber que já são suas melhores versões”, concluiu Ronilma.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Foto: Juliana Gonçalves

Pesquisadora baiana cria empresa de insetos comestíveis na Bahia

De acordo com a pesquisadora, os insetos destacam-se pelo elevado teor proteico com valores que podem ser superiores aos de fontes tradicionais como a carne bovina

A maioria das pessoas pode sentir arrepios ou até repulsa ao pensar na ideia de comer insetos, principalmente no mundo ocidental. Mas a pesquisadora Carolina de Souza, que está à frente da startup Superbugs, investe em remodelar esse pensamento negativo em uma proposta que associa sustentabilidade e uma possibilidade de negócio lucrativo. “O relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já incentivava a pesquisas, produção e consumo de insetos comestíveis como alternativa nutricional para a alimentação. Além disso, orientei uma aluna de mestrado da UFBA que buscava caracterizar os nutrientes provenientes de insetos, a fim de inseri-los na alimentação humana. Foi a partir daí que surgiram as primeiras ideias para desenvolver nossa startup na Bahia”, explicou Carolina.

Os insetos destacam-se pelo elevado teor de proteína, com valores que muitas vezes são superiores aos de fontes tradicionais: bovina, suína e aves. Mas, para quem ainda não está familiarizado com a proposta, Carolina faz questão de tranquilizar, contextualizando como funciona o processo de inserção de insetos na alimentação de animais e humanos. “Quando falamos neste assunto, o imaginário de algumas pessoas remetem diretamente a espetinhos de invertebrados que são comuns em algumas regiões da Ásia”, introduziu a pesquisadora, ressaltando que o projeto não se trata de gafanhotos temperados ou besouros assados. “Na verdade, nosso projeto visa a implantação de uma empresa de base tecnológica, baseada nos princípios da economia circular e sustentabilidade ambiental, na qual resíduos orgânicos da agroindústria, que poderiam ser descartados na natureza, são reutilizados como ração para os insetos. Esse processo resulta na criação de uma biomassa rica em compostos bioativos que poderão ser usados como matéria-prima para a alimentação”.

De acordo com Carolina, a inovação deste estudo está em alimentar os próprios insetos, com uma dieta baseada em resíduos orgânicos, contendo substâncias bioativas. “Ao incorporar essas substâncias naturais à biomassa das larvas, estamos ofertando diversos benefícios à saúde, através de nutrientes importantes para quem for consumir esses insetos. Ao inserirmos os resíduos, estamos gerando uma bioconversão, ou seja, um material que seria descartado em outras diversas cadeias produtivas, ao servir de base de alimentação para esses animais, pode gerar uma fonte proteica de excelente qualidade nutricional. Portanto, nossa empresa busca avaliar a produção de proteína animal com alto valor biológico, associada a um baixo consumo de água e de terra arável”, disse.

O projeto, que foi aprovado no edital Centelha, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), voltado para apoiar ideias inovadoras, já passou por um estudo piloto e, segundo Carolina, apresentou resultados preliminares excelentes. Conforme Carolina ressalta, o estudo se baseia no desenvolvimento de um produto, com foco primeiramente para animais, porém com potencial para serem consumidos por seres humanos. “A fabricação de produtos no Brasil, feitos à base de insetos, ainda está passando por algumas adequações a nível de legislação, por isso nossa empresa ainda é focada em pesquisa e desenvolvivimento. Nosso principal benefício para a sociedade é a oferta de uma fonte alternativa e sustentável de nutrientes para alimentação humana e animal e para o desenvolvimento de novos produtos alimentícios com alto valor agregado. Além da proteína, os insetos apresentam quantidades significativas de aminoácidos essenciais, além de ácidos graxos poliinsaturados, vitaminas e minerais. Sem contar que trabalhamos com a possibilidade de baixos investimentos para sua criação e menor uso de recursos naturais, quando comparado a outros animais, o que diminui bastante os já baixos impactos ambientais”, finalizou.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Secti realiza simpósio sobre doenças que impactam a população negra

Evento marca a apresentação dos projetos contemplados no edital da Fapesb voltado para doença falciforme

O primeiro edital voltado para a saúde da população negra do Brasil, lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), terá seus primeiros projetos apresentados à sociedade, em um simpósio realizado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que acontece nesta quinta (17), a partir das 9h, através do canal da Secti no Youtube. O encontro homenageia o Dia Mundial da Conscientização da Anemia Falciforme, data calendarizada pela ONU em 19 de junho. Na ocasião, os 11 projetos apoiados no Edital, que contou com a parceria das Secretarias da Saúde (Sesab) e de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), apresentarão os primeiros resultados de seus trabalhos, voltados não somente para a doença falciforme, mas também para diversas doenças que impactam a saúde da população negra.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Adélia Pinheiro, relembra que o valor investido no edital foi de R$ 1.100.000,00 e que duas linhas de pesquisa foram criadas, uma com foco na doença falciforme e outra direcionada às doenças crônicas, outros agravos e impactos do racismo na saúde. “As propostas aprovadas são oriundas de diversas universidades, não somente da capital, mas também do interior do Estado, firmando nosso compromisso com a interiorização do conhecimento”, disse. Adélia destaca que os projetos mobilizam pesquisadores das universidades Federal da Bahia (Ufba), Estadual de Feira de Santana (Uefs), Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba) e o Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia).

Durante o evento, que contará também com a participação dos secretários da Sesab e Sepromi, Fábio Vilas Boas e Fabya Reis, respectivamente, e dos reitores das instituições de ensino superior contempladas no Edital, serão abordados temas como tecnologias educativas de promoção do autocuidado para pessoas com doença falciforme, avaliação da fertilidade em pacientes com a mesma doença na região metropolitana de Feira de Santana, e condições de vida e saúde de comunidades quilombolas. Além disso, os participantes e convidados poderão debater sobre os temas e contarão com uma apresentação sobre boas práticas para gestão de projetos.

Para a secretária da Sepromi, Fabya Reis, a iniciativa é uma contribuição significativa da ciência e seus pesquisadores para equidade racial na esfera da saúde. “Esta ação agrega um conjunto de instituições importantes neste debate e fará a Bahia avançar na atenção integral à saúde da população negra, cumprindo o nosso Estatuto da Igualdade Racial do Estado e a política destinada à promoção dos povos e comunidades tradicionais, afetados historicamente pelas desigualdades étnico-raciais”, pontuou.

O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, destaca a relevância do edital. “A Doença Falciforme é uma das condições genéticas e hereditárias mais comuns no mundo e é mais prevalente na população negra, apesar de não ser exclusiva. Só na Bahia, estima-se que 30 mil pessoas possuam a condição, que provoca anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes da má circulação sanguínea. Sendo a Bahia o estado com a maior incidência do País, é de interesse de toda a sociedade o investimento em ciência, pesquisa e inovação nesta área”, afirma.

SERVIÇO

O que: Simpósio Doença Falciforme, outros agravos e impactos do racismo na saúde.
Quando: 17/06 (quinta-feira), das 9h às 12h
Onde: youtube.com/sectibahia

Governo da Bahia investe em mulheres criativas e inovadoras

Cada ideia aprovada no edital vai receber até R$ 80 mil para seu desenvolvimento

“Vamos empreender, vamos inovar e vamos fazer ciência”. O discurso da pesquisadora Carolina de Souza, que está à frente da startup Superbugs, é um convite direcionado para que as mulheres se inscrevam no Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), em parceria com as secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Política para as Mulheres (SPM). A ação, que vai contemplar cada ideia inovadora aprovada no edital com até R$ 80 mil, é voltado para mulheres, independente da área de conhecimento ou atuação.

Carolina faz parte de um grupo, que assim como outras pesquisadoras como Silmara Carvalho e Natasha Lopes, tiveram seus trabalhos contemplados em editais anteriores. “Através do apoio da Fapesb é possível levarmos o que é produzido no ambiente acadêmico para toda a sociedade”, declarou Natasha, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), uma das selecionadas no Programa Centelha Bahia 2019. Para Silmara, editais como o Inventiva são fundamentais para que as mulheres ocupem seus espaços em projetos de pesquisa e empreendedorismo. “Incentivo todas as mulheres a buscarem oportunidades como essa, pois foi o edital Centelha Bahia que nos impulsionou para avançarmos com nosso trabalho de inovação tecnológica”.

O diretor de Inovação da Fapesb, Handerson Leite, explica como funciona o edital Inventiva. “Em ocasiões anteriores, a Fundação já havia lançado oportunidades voltadas para mulheres cientistas. Agora, nossa chamada foi ampliada para mulheres, não somente cientistas, mas também artesãs, empreendedoras, dona de casa, entre outras, que tenham uma ideia inovadora, independente da área de atuação. O Inventiva vai conceder R$ 60 mil em recursos financeiros para o desenvolvimento de cada projeto, mais R$ 20 mil em bolsas para que essas mulheres possam se dedicar integralmente às suas ideias durante o período de desenvolvimento”.

Além de apoiar com recurso financeiro, a Fapesb também acompanhará as mulheres inscritas durante o processo de seleção, com o intuito de auxiliá-las no desenvolvimento de seus projetos. Para isso, serão disponibilizados vídeos, recursos e orientações, a fim de estruturar melhor as ideias, para que possam alcançar o sucesso nos trabalhos propostos. Para as interessadas em realizar a inscrição no Inventiva, o edital está disponível na aba editais no site da Fapesb. A Fundação promove ainda, na próxima quarta-feira (16), às 15h, com transmissão pelo canal do YouTube Secti Bahia, um Workshop para tirar dúvidas e auxiliar no processo de inscrição.

Secti apoia edital da SEI Bahia para publicar artigos científicos

A revista Bahia Análise & Dados é uma publicação semestral com foco em Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo

A partir desta terça-feira(18), cientistas e pesquisadores podem se inscrever para submeter seus artigos científicos para publicação na revista Bahia Análise & Dados com o tema Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo. É que a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), criou um edital para selecionar diversos estudos que busquem construir infraestruturas robustas, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

O edital apresenta detalhes sobre a publicação e está disponível integralmente no site da SEI.  Acesse o link!

Pesquisador utiliza equações físicas para melhorar produção de chocolates no Sul da Bahia

Alterações na produção podem influenciar no sabor e na qualidade dos produtos

Cálculos e equações são duas palavras que podem gerar receio em diversas pessoas que não possuem proximidade com as matérias exatas, mas é de conhecimento geral como elas fazem parte da rotina de todo ser humano. Agora, um pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), chamado Jorge Sales, demonstra como essa área do conhecimento pode influenciar no processo de um dos alimentos preferidos mundialmente: o chocolate. “As propriedades térmicas são de grande importância na análise de processos de secagem, aeração e resfriamento dos grãos e impactam diretamente no sabor e textura desse alimento”, destaca o pesquisador.

Em seu projeto de pesquisa na Uesc, o professor propôs um novo modelo para um dos processos que envolvem a produção de chocolate e a secagem de amêndoas. Ele explica como isso pode ser fundamental para influenciar na qualidade desse doce. “O cacau comercial é resultante de um conjunto de operações unitárias, entre elas está o processamento das amêndoas desses frutos. Essas operações objetivam modificar as características das amêndoas frescas, que são indispensáveis à produção de chocolates. Elas são submetidas à secagem, depois de passar por um processo fermentativo que dura de 5 a 7 dias, a fim de realçar o sabor e o aroma, típicos do chocolate”, disse. E é nesta etapa de produção que Jorge decidiu aplicar as equações, com o objetivo de modelar a distribuição da temperatura na amêndoa do cacau.

“Utilizamos a equação de Fick para o calor, que em certas condições especiais recai na equação de Fourier. Através desse método, podemos construir sensores para medir temperatura e umidade, junto com uma interface gráfica na qual será possível indicar o tempo ideal de secagem e fermentação para que o produtor tenha um melhor controle do seu processo e assim possa atingir um chocolate de alta qualidade”. Ainda segundo Jorge, o conhecimento das propriedades térmicas de produtos é de grande importância para a engenharia, pois é o que possibilita predizer a taxa de secagem e prever a distribuição de temperatura no interior de produtos agrícolas de composição e formas variadas, bem como sua esterilização e resfriamento.

Jorge afirma que com o secador e o sensor já prontos, a próxima etapa do trabalho seria o desenvolvimento de um programa que gerasse gráficos, a fim de facilitar a operação de controle do futuro usuário. “Nosso projeto pode gerar ganhos econômicos na produção de cacau e chocolates, fortes matérias-primas do Sul da Bahia. Além disso, o produtor poderá evitar contaminação no seu processo de secagem, pois terá um controle mais preciso da temperatura e umidade”, completou. O trabalho recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da empresa Legon, da cidade de Santa Rita, em Minas Gerais, que auxiliou no desenvolvimento do protótipo.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.