Pesquisadora cria plástico biodegradável e antimicrobiano na Bahia

Projeto tem o objetivo de diminuir a quantidade de lixo plástico no mundo
Com o Brasil ocupando o 4º lugar como maior produtor de lixo plástico no mundo – segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) – quando se trata de medir a importância de solucionar este problema, os índices falam por si. Na busca para ajudar a diminuir a produção desta matéria-prima que comumente vai parar nos mares e na natureza, prejudicando a vida no planeta, a pesquisadora Luana Dias, estudante de mestrado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), desenvolve uma alternativa sustentável que pode substituir a composição padrão de embalagens e outros derivados plásticos. A novidade se trata de filmes polímeros biodegradáveis e antimicrobianos.

“Vários tipos de polímeros já são avaliados para o desenvolvimento das embalagens, entretanto, na maioria das vezes utilizam-se os polímeros derivados do petróleo, devido as características dos alimentos, que podem conter água, nutrientes (carboidratos, proteínas, lipídeos, etc), além do armazenamento ao longo da cadeia produtiva”, explicou a pesquisadora Luana. Ela destaca que na tentativa de minimizar o descarte desordenado de plásticos no meio ambiente e ao mesmo tempo propor uma alternativa sustentável, foram utilizados polímeros biodegradáveis, cujas bases são capazes de estabelecer contato com alimentos sem oferecer riscos à saúde dos consumidores, pois boa parte desses polímeros são naturais e fazem parte da alimentação humana.

“Os materiais que eu utilizei para desenvolver este novo tipo de plástico, com orientação da professora Cristiane Patrícia, podem ser exemplificados com amido, quitosana, gelatina e álcool polivinilico. Além de não serem agressivos ao meio ambiente, os materiais são misturados para gerar embalagens resistentes”, destaca Luana. Estes compostos unidos promovem qualidades que são essenciais, tais como a permeabilidade ao vapor d’água, ao oxigênio e a baixa ou alta resistência mecânica, o que não acontece quando os materiais são utilizados individualmente.

Se for introduzido como matéria-prima para embalagens, o novo tipo de plástico busca também promover a segurança do alimento, visto que estabelece um controle microbiológico devido a incorporação de uma enzima que elimina micróbios causadores de doenças ao consumidor. “Com este estudo, aliamos a ideia de um polímero biodegradável com a tecnologia inovadora das embalagens ativas para que sejam aplicados em alimentos”, destacou a mestranda. O projeto ainda está em fase de testes em bancada de laboratório para avaliar sua efetividade, como o tempo de vida útil em prateleiras de mercado, toxicidade, etc.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br

Fapesb recebe o dobro de inscrições para Edital voltado à Doença Falciforme

Financiar pesquisas científicas que busquem soluções para doenças prevalentes na população negra. Esse é o objetivo de um edital lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Com o prazo de propostas encerrado nesta segunda-feira (17), a equipe responsável pelo edital comemora os números alcançados. Com 39 submissões, o edital se consolida com o dobro da quantidade de participantes que comumente demonstram interesse em temas específicos.

A iniciativa vai destinar R$ 1,1 milhão para pesquisas científicas que busquem soluções para patologias como doença falciforme, dentre outras que acometem a população negra. Os próximos passos envolvem o envio dos documentos para a Fundação e sua análise para que tenha início o processo seletivo. Com 39 propostas, o edital supera o número de submissões de outros editais com direcionamentos específicos, que costuma variar entre 16 e 20 inscritos.

A secretária da Secti, Adélia Pinheiro, destacou o caráter de ineditismo em torno do edital e comemorou os números registrados pela Fapesb. “Essa é a primeira vez que uma Fundação de Amparo à Pesquisa do Brasil lança um edital voltado a um tema tão específico e urgente. Estamos felizes com os resultados iniciais e temos a certeza de que a Bahia sai na frente, mais uma vez, em busca de melhores condições de vida e saúde para a população negra”, disse.

De acordo com o diretor de Inovação da Fapesb, Handerson Leite, pesquisas voltadas a um tema tão específico mostram a sensibilidade do Governo do Estado para com a ciência e o desenvolvimento científico. “Isso é muito importante para a Bahia, pois a doença falciforme é prevalente em grande parte da nossa população. O edital dá abertura para melhorar as condições de tratamento e a qualidade de vida do cidadão ao buscar mitigar o número de pessoas que sofrem com este tipo de patologia”, afirmou.

 

Estudante desenvolve pomadas cicatrizantes a base de frutos típicos do Cerrado na Bahia

Além de contribuírem no bem-estar e na saúde humana, as formulações promovem sustentabilidade e valorização do bioma local

A comunidade é Vau da Boa Esperança, localizada a 62 Km de Barreiras, Oeste da Bahia, e o nome tem tudo a ver com uma solução que surgiu como uma alternativa para ajudar pessoas que sofrem com ferimentos e diversos tipos de escoriações. É que o estudante chamado Pedro Oliveira, do Centro Juvenil de Ciência e Cultura de Barreiras (CJCC), desenvolveu formulações semissólidas com ação cicatrizante através dos frutos Pequi e Buriti, ambos típicos da região onde ele mora. Além de contribuir para o bem-estar na saúde humana, os produtos ainda promovem o teor sustentável ao utilizar matérias-primas orgânicas.

Conforme relata o jovem pesquisador, os óleos dos dois frutos são ricos em nutrientes como a vitamina A e a vitamina E, além de ácidos graxos, palmíticos e oleicos, que auxiliam no tratamento de ferimentos cutâneos e na geração de renda para as comunidades tradicionais extrativistas, que podem fornecer a matéria-prima devido à disponibilidade na região. “Este projeto também visa estimular a preservação da vegetação nativa, visto que o cenário tem sido ameaçado com o constante desmatamento para expansão de áreas agrícolas e os frutos nativos são pouco conhecidos em determinadas regiões do país”, explicou.

Pedro conta que a inspiração surgiu após ele e sua orientadora, Valdoiana Brito, terem realizado uma visita de campo à comunidade Vau da Boa Esperança. Lá, eles se depararam com moradores que relataram o uso de óleos de Pequi e Buriti para curar feridas, inclusive de animais. Foi a partir daí que o interesse em pesquisar o assunto se desenvolveu e os estudos para comprovar a eficácia e as melhores maneiras de produção tiveram início. “Descobrimos que os óleos juntos poderiam ser alternativas para um tratamento rápido e eficaz, pois são produtos fitoterápicos e sustentáveis com uma formulação totalmente natural e de baixo custo”, destacou.

No total, três itens foram desenvolvidos: a pomada hidrofóbica, a pomada hidrofílica e o cerato. O projeto está em fase de testes e foi apresentado na III Mostra Científica da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), em 2019, quando o aluno conquistou uma bolsa de iniciação científica júnior, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que terá início em março deste ano, em parceria com a Universidade. Foi nos laboratórios da Ufob que o pesquisador foi auxiliado pelo professor André Leandro na concepção da fórmula. “Se futuramente, as formulações forem industrializadas e comercializadas, a região finalmente pode ser reconhecida pelo grande potencial que possui”, concluiu o estudante.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br

Edital Centelha Bahia divulga resultado final

Programa vai conceder R$ 1,6 milhão para apoiar negócios inovadores; saúde e bem-estar lideraram como a linha de pesquisa com mais projetos.

Após sete meses de seleção, o resultado final dos trabalhos aprovados no Edital Centelha Bahia foi divulgado e está disponível no site da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O Programa, que vai conceder R$ 1,6 milhão para apoiar negócios inovadores, selecionou 27 projetos de seis municípios baianos que serão contemplados com até R$ 60 mil (cada um) em recursos financeiros para que possam ser concretizados. Os participantes, provenientes dos municípios de Salvador, Ilhéus, Feira de Santana, Paulo Afonso, Guanambi e Itajuípe, passaram por três fases com capacitações, workshops e ações relacionadas ao sucesso de uma startup, com especialistas de diversas áreas abordadas nestes eventos.

O Centelha teve 2047 inscritos, provenientes de ensino médio, superior e pós-graduação, e 932 propostas de negócios, espalhadas por 86 municípios, com o intuito de trazer ideias inovadoras para promover o avanço do estado. Tecnologia social, eletroeletrônica e biotecnologia e genética lideraram como áreas de concentração com mais trabalhos aprovados. No total, são 109 membros envolvidos em uma maioria de trabalhos dos quais a maior parcela já está em estágio de teste dos protótipos. Após a divulgação do resultado final da fase 3, será realizada uma reunião com os 27 proponentes, a fim de esclarecer as dúvidas e definir os próximos passos conforme o cronograma do Edital.

Para a secretária da Secti, Adélia Pinheiro, o investimento em inovação é de suma importância para estimular o empreendedorismo do povo baiano. “Somos um estado reconhecido pela sua criatividade, então o investimento de recursos no valor de R$ 1,6 milhão nos ajuda a apoiar negócios que no futuro retornarão como soluções e benefícios para toda a sociedade”, disse, lembrando que o Governo da Bahia, através do Edital, segue a missão de democratizar o acesso à ciência, tecnologia e inovação.

O Programa Centelha é resultado de uma ação cooperada de parceiros do Ecossistema de Inovação. Na Bahia, a execução é da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesb), que é vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), enquanto no âmbito federal fica por conta da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). São também apoiadores o Conselho das Fundações de Amparo (Confap), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Fundação CERTI.

Estudantes desenvolvem adubo feito de planta baronesa

Trabalho busca transformar um problema de poluição ambiental em uma solução sustentável

A cada dia, o ser humano busca maneiras de reverter a poluição causada pelo urbanismo acelerado e o consumismo incessante. Com isso em mente, uma dupla de estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Tecnologia da Informação Álvaro Melo Vieira, localizado em Ilhéus, Sul da Bahia, utilizou uma planta conhecida como Baronesa para criar um tipo de adubo. A novidade é que esta planta, em sua forma original, possui um tamanho quase microscópico, mas, devido à poluição, acabou por cobrir diversos rios da região. Assim, ao mesmo tempo em que a produção deste novo fertilizante pode minimizar os impactos no ecossistema local, também é capaz de contribuir para o crescimento saudável de uma nova vegetação.

Lusbbel Queiroz e Lucas Barbosa deram continuidade em um projeto criado pelo pesquisador Bruno Carrasco, da Universidade Estadual de Santa Cruz, enquanto estudava no mesmo local que os garotos. O trabalho se trata da criação de um adubo para diminuir um processo chamado eutrofização, um fenômeno no qual o ambiente aquático poluído retém uma quantidade grande de nutrientes, e por isso aumenta a quantidade de algas que antes eram microscópicas. No caso dos rios em Ilhéus, o excesso de baronesa influencia na qualidade da água e impacta diretamente no ecossistema local.

Lucas afirma que diversas espécies de animais e alguns moradores são prejudicados com a contaminação. “Quando a poluição aumenta, ela se reproduz descontroladamente, empobrecendo os nutrientes da água. A baronesa absorve esses nutrientes, tornando-se muito rica em substâncias que auxiliam no desenvolvimento de plantas”, disse. Já o seu companheiro de equipe, Lusbbel, afirma que “além de tudo, o adubo também ajuda a diminuir a adição a fertilizantes químicos nas lavouras e incentivar a busca para utilizar matérias orgânicas como adubo”.

Em testes realizados com sementes de tomate cereja, com 12 vasos contendo dosagens variadas de adubo, foi constatado que a planta cresce de maneira abundante mais rapidamente quando conta com o fertilizante. Os testes também demonstraram que a viabilidade do adubo foi comprovada para ser utilizado em plantações não comestíveis, como plantio de cana-de-açúcar para geração de etanol e plantas decorativas. “Temos a pretensão de realizar testes para que futuramente possamos aprimorar o crescimento de vegetais”, disse o jovem pesquisador Lusbbel.

Com esta solução, além de reduzir o uso de adubos químicos nas plantações, será possível investigar fatores como a umidade local, avaliar a qualidade e o vigor das sementes e o crescimento das plantas. “Um dos primeiros resultados que obtivemos foi que tivemos uma perda de aproximadamente 97% de massa líquida para as plantas que receberam o adubo feito de baronesa”, afirmou Lucas. O trabalho agora passa por fases de aprimoramento, em que novos testes de qualidade serão realizados para testar a não contaminação e a comprovação da eficácia do adubo como substitutos de fertilizantes fabricados nas indústrias e utilizados nas plantações. O trabalho recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), do Programa Ciência na Escola e do Governo do Estado da Bahia.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br

Pesquisadora baiana é premiada em Londres por tese doutoral

Levantamento de dados sobre riscos da dengue durante gestação recebeu reconhecimento internacional

“Ter dengue durante a gestação aumenta o risco de óbitos fetais e maternos”, afirma a pesquisadora Enny Paixão, que desenvolveu sua tese de doutorado para investigar os riscos ocasionados pela doença ao longo da gravidez. O projeto, que tomou como base os dados do Ministério da Saúde, permite conhecer os principais indicadores de riscos e visa alertar a população, além de servir de base para a criação de políticas adequadas para minimizar esses riscos.

O doutorado foi realizado sob a orientação da professora Laura Rodrigues, uma das parceiras do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), sediado no Parque Tecnológico da Bahia, espaço administrado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Segundo a pesquisadora, o estudo só foi possível de ser concebido devido as grandes bases de dados que viabilizou estudar eventos raros, como por exemplo o óbito fetal. “Conhecer fatores de risco durante a gravidez é importante para alertar a população a buscar novos meios de prevenção”, ponderou.

Enny conta que investigar os fatores de risco da doença entre este público alvo já era um desejo antigo de todo o grupo de pesquisa com o qual ela trabalha. “O empecilho era que para realizar esses estudos precisaríamos de amostras grandes que só seriam possíveis utilizando dados administrativos e técnicas de vinculação probabilística de dados”, afirmou. Ao tornar o estudo viável, a pesquisadora constatou que mulheres grávidas que contraem a dengue possuem mais riscos de ir à óbito, assim como de também perder o bebê. “Esse risco é ainda maior entre as mulheres que tiveram a forma grave da doença, como a dengue hemorrágica”, ressaltou.

A pesquisa foi concluída em 2019 e recebeu o prêmio de melhor tese da London School of Hygiene and Tropical Medicine no The Bradford-Hill Prize. “Agora estou iniciando outros projetos ainda utilizando dados administrativos”, disse Enny. A tese recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde que cedeu os dados para a investigação dos indicadores de risco.

Conselho da Fapesb se reúne para dialogar sobre concessão de bolsas

Diversos representantes do setor acadêmico estiveram presentes no encontro

O Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) se reuniu, em caráter extraordinário, nesta terça-feira (21), no Espaço Lazareto, com pauta única, para tratar sobre as normas da concessão de bolsas de mestrado e doutorado. Vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a Fapesb tem papel primordial no apoio aos pesquisadores de todo o estado, tendo como foco o desenvolvimento e o progresso da CT&I na Bahia.

A discussão e deliberação no Conselho permitiu que todas as instituições e a comunidade científica estivessem envolvidas no diálogo e desta maneira pudessem construir os melhores parâmetros para concessão das bolsas. A secretária da Secti, Adélia Pinheiro, acompanhada pelo diretor geral da Fapesb, Márcio Costa, foi a responsável por liderar os trabalhos durante a reunião extraordinária.

Com uma formação vigente desde outubro de 2019, o Conselho é composto por representantes do poder público, como a Secretaria da Educação (SEC), além de membros das universidades federais, estaduais e particulares e da comunidade científica. A concessão dessas vagas corresponde a oferta que ficou disponibilizada após a conclusão do curso dos estudantes em 2019.

A secretária da Secti, Adélia Pinheiro, enfatizou que este é um momento importante para deliberar sobre a forma de alocação de cotas institucionais de bolsas de mestrado e doutorado para as instituições e programas de pós-graduação stricto sensu. “O Conselho estabelece regramento para concessão de bolsas e maior protagonismo na gestão dessas bolsas, definindo os requisitos que resguardam o interesse público, a política estadual de ciência, tecnologia e inovação e os planos de desenvolvimento”, disse.

Estudantes utilizam café para criar velas e sabonetes repelentes ao Aedes Aegypti

Projeto que envolve medicina natural une os fatores sustentável e social

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que onze estados brasileiros correm risco de passar por um surto de dengue em 2020. Na luta contra o mosquito Aedes Aegypti, novidades que ajudem a combater os focos do inseto são sempre bem-vindas. Agora, um trio de alunos Centro Estadual de Educação Profissional em Saúde Tancredo Neves (Ceeps), em Senhor do Bonfim, localizado no Centro-Norte da Bahia, resolveu somar esforços nesta luta através de uma solução empreendedora. Com o objetivo de levar a proteção para regiões que não possuem cobertura dos agentes de saúde, como é o caso de partes da zona rural do próprio município, eles desenvolveram materiais como vela e sabonete que possuem capacidade repelente.

De acordo com João Vitor Almeida, os produtos são livres de substâncias químicas que prejudicam a saúde e possuem custo acessivo a toda população. “Utilizamos o óleo extraído da borra do café, que tem várias propriedades medicinais, dentre elas a capacidade de prevenir a ação de mosquitos sobre a pele, evitando a proliferação de diversas doenças”, explicou João Vitor. Segundo ele, o sabonete repelente cria uma barreira protetora rica em tiamina, capaz de proteger a pele contra a ação dos mosquitos, enquanto a vela através de sua queima dissipa no ar essas substâncias nocivas aos mosquitos.

Daniela Pereira, que faz parte do grupo de pesquisa, também ressalta que esses produtos são produzidos com substâncias livres de aditivos químicos. “Não possuem toxicidade, são 100% naturais, altamente sustentáveis, além de oferecerem um bom custo/benefício e fácil comercialização”, destacou. Os materiais foram desenvolvidos na cozinha experimental do Ceeps e depois doado a um grupo da comunidade local que possui alto índice de doenças transmitidas por mosquitos para analisar a eficácia dos produtos.

Apesar de ainda estarem em fase de testes, a vela e o sabonete podem servir de solução para as comunidades menos favorecidas, isso porque, para prepará-los, basta extrair o óleo da borra de café e misturá-lo com outros ingredientes como azeite, glicerina, parafina e essência. “São ingredientes fáceis de serem encontrados e que podem contribuir para prevenir doenças e até salvar vidas”, disse Joana Santos, que completa o trio de jovens pesquisadores.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br

Inscrições para Edital com foco em doenças que acometem população negra estão abertas

Um dos focos deste projeto, que é pioneiro entre as fundações de amparo à pesquisa no Brasil, é a doença falciforme

Estão abertas até o dia 17 de fevereiro (sexta-feira) as inscrições para o edital voltado para pesquisar soluções para as doenças prevalentes na população negra, entre elas, a doença falciforme. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença é o maior problema de saúde pública do mundo. Em busca de reverter esta situação, o Governo do Estado, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), criou um edital que vai destinar R$ 1,1 milhão aos pesquisadores que investem conhecimento no tema. Os interessados podem se inscrever e acessar mais informações na aba “Editais“.

Estudantes desenvolvem talheres comestíveis no interior da Bahia

 

O município é Ibiassucê, população estimada em 9.5 mil habitantes, conhecido como Capital da Amizade, localizado na região de Vitória da Conquista e Brumado. Como muitas cidades do interior, a população tem o forte costume de frequentar sorveterias. A novidade é que dois estudantes do ensino médio enxergaram a possibilidade de levar uma ideia inovadora para os moradores. Buscando algo que pudesse promover a sustentabilidade, em sintonia com os hábitos dos cidadãos, eles desenvolveram talheres comestíveis. Com esta engenhoca, eles incentivam a população a diminuir o uso de plástico ao mesmo tempo que propõem uma alternativa saborosa.

Sabrina Ribeiro e João Vitor Cardoso, ambos com 16 anos de idade, estudam no Colégio Estadual Antônio Figueiredo. De acordo com os jovens pesquisadores, a ideia de desenvolver este trabalho surgiu através da observação dos problemas ambientais relacionados ao descarte de resíduos plásticos no planeta. “A gente observou que esse tipo de lixo contribuía bastante para a sujeira presente nas ruas da nossa cidade”, disse Sabrina. “Dessa forma, criamos o projeto que pode gerar inúmeros benefícios para a sociedade, além de possibilitar geração de renda para os que se dispuserem a produzir os talheres”, pontuou a estudante, ressaltando que o objeto comestível pode ser reproduzido facilmente em casa.

O talher é feito com os seguintes ingredientes: 2 claras de ovos; 4 colheres de sopa de açúcar; 1 colher de sopa de essência (sabor a critério da pessoa); 1 colher de sopa de manteiga; 1 pitada de sal e 3 xícaras de farinha de trigo, sendo que os ovos podem ser substituídos por linhaça. Desta forma, pessoas veganas também podem se tornar consumidoras dos talheres. “Buscamos uma maior preservação do meio ambiente, o que fará com que as pessoas e os animais, em especial, vivam de forma mais harmoniosa entre si”, pontuou João.

O talher produzido apresenta diversas vantagens em comparação com a versão de plástico. “Entre os exemplos, é possível destacar que são biodegradáveis (se decompõem no ambiente, não trazendo dano algum ao planeta), apresenta um bom custo-benefício, além de gerar renda extra para pessoas com salário baixo ou desempregadas que se tornem produtoras do material”, explicou João.

Atualmente, os estudantes estão desenvolvendo melhorias e buscando novas ideias para tornar o talher mais resistente e de fácil distribuição. Além disso, eles reafirmam o espírito empreendedor ao buscar levar a ideia para empresas e estabelecimentos que possam aderir ao produto. “No momento, contamos apenas com a orientação do nosso professor, porém, estamos buscando parcerias com sorveterias e lanchonetes da cidade”, concluiu Sabrina.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br