Fapesb completa 14 anos de apoio à CT&I no estado

No dia 27 de agosto, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) completará 14 anos. Criada em 2001, a Fapesb tem como objetivo apoiar projetos em Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo o fomento à pesquisa, por meio de seus editais e à formação de recursos humanos por meio do seu Programa de Bolsas.

No dia 27 de agosto, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) completará 14 anos. Criada em 2001, a Fapesb tem como objetivo apoiar projetos em Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo o fomento à pesquisa, por meio de seus editais e à formação de recursos humanos por meio do seu Programa de Bolsas.

Nos últimos nove anos, a Fundação investiu cerca de R$ 585 milhões em programas e projetos por meio de 200 editais e chamadas públicas. Além disso, foram apoiados cerca de 5 mil projetos e concedidas cerca de 23 mil bolsas em diversas áreas do conhecimento.

Para comemorar seus 14 anos, a Fapesb realizará uma solenidade para convidados, que contará com a presença de secretários do estado, reitores e pró-reitores de universidades e instituições de ensino superior e pesquisa, representantes de instituições parceiras, ex-diretores da Fundação e membros da Academia de Ciências.

Como parte da solenidade, a Fapesb consagrará um pesquisador baiano com o Prêmio Roberto Santos de Mérito Científico, que em sua primeira edição, contemplará a área de Ciências da Vida. O prêmio tem por intuito reconhecer o trabalho realizado por pesquisadores do estado, bem como estimular o exercício de pesquisas científicas que compactuam com o compromisso da Fapesb em melhorar as condições socioeconômicas da população baiana.

Solenidade de Comemoração dos 14 anos da Fapesb
Data – 27 de agosto de 2015
Horário – às 14h
Local – Fapesb – Rua Prof. Aristides Novis, 203, Federação

Por: Ascom/Fapesb

A Fapesb e seu Compromisso com a Comunidade Científica e o Estado

Desde a antiguidade, a soberania das nações e evolução dos seus povos sempre estiveram diretamente relacionadas à Ciência. A busca pelo conhecimento representa os desafios, soluções e conquistas das grandes civilizações. Entretanto, na atualidade, para atender às demandas da sociedade moderna, utiliza-se o termo composto pelos vocábulos Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Ou seja, a Ciência deve ser aplicada para a criação, desenvolvimento e produção de tecnologias.

Desde a antiguidade, a soberania das nações e evolução dos seus povos sempre estiveram diretamente relacionadas à Ciência. A busca pelo conhecimento representa os desafios, soluções e conquistas das grandes civilizações. Entretanto, na atualidade, para atender às demandas da sociedade moderna, utiliza-se o termo composto pelos vocábulos Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Ou seja, a Ciência deve ser aplicada para a criação, desenvolvimento e produção de tecnologias.

Nesse contexto, o governador Rui Costa tem permitido acontecimentos importantes no setor da CT&I do Estado. O passo decisivo foi dado com a nomeação do Professor Doutor da UFBA Manoel Mendonça como dirigente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). Com um perfil técnico de alta qualificação, o Secretário tem exercido sua liderança com medidas muito bem vistas pela comunidade científica. Além de compor uma Secretaria eficiente, cuja reputação é notória no seu quadro formado por diversos pesquisadores doutores em diferentes Áreas do conhecimento, sua indicação para a Diretoria Geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) foi atendida. Em abril deste ano, o também Professor Doutor da UFBA, Eduardo Santana de Almeida, foi nomeado pelo governador como dirigente máximo da Fundação. Vinculada à SECTI, a Fapesb apoia programas, instituições e projetos científicos do Estado.

Outrossim, nesses quatro meses, a nova gestão vem adotando uma filosofia semelhante quanto à composição de sua equipe e medidas que visem à melhoria da aplicabilidade de recursos públicos para o progresso da CT&I na Bahia. Para efeito de constatação, basta mencionar que para os seis editais lançados no último mês de abril, que somavam um montante de quase 35 milhões de reais, mais de 1200 propostas de projetos foram submetidas à Fapesb. Um número bastante expressivo e que motiva os pesquisadores da Bahia. Embora o panorama econômico não seja favorável, para manter esses investimentos, a Fundação tende a aumentar as parcerias federal e internacional, fortalecendo a relevância científica local. Ademais, mudanças internas e estruturais também são essenciais. Um novo sistema informatizado e a criação de um observatório que apresente indicadores estatísticos reduzirão a burocracia e custos, ao passo que aumentarão a transparência e agilidade. Apenas com bolsas de pesquisa, o investimento mensal da Fapesb gira em torno de 3,7 milhões de reais para a formação de novos cientistas. Portanto, é imprescindível uma gestão eficiente baseada em critérios específicos e responsáveis.

Sob tal prisma, entende-se que os recursos devem ser direcionados às Áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social do Estado. Setores como mobilidade urbana, segurança pública, energia e recursos hídricos representam uma perspectiva de aumento significativo em soluções científicas, uma vez que temos pesquisadores renomados nas engenharias e ciências exatas, Áreas estas que, no entanto, foram menos contempladas anteriormente pela Fundação. A Bahia tem um elevado potencial para a exploração do uso das energias solar e eólica, por exemplo. Dessa maneira, a Fapesb irá lançar editais temáticos nos próximos anos e continuará o fomento à pós-graduação das universidades. Nessa esfera, uma forma de direcionar e aplicar as pesquisas no Estado é manter um alinhamento com suas respectivas secretarias. Finalmente, ratifica-se um aperfeiçoamento das relações com a indústria, o que viabiliza a transformação da Ciência em inovação tecnológica, gerando emprego, renda e maior competitividade às empresas baianas.

Sem embargo, apesar da importante simbiose entre a SECTI e a Fapesb, é necessária uma participação maior da comunidade científica no planejamento e definição das ações para o desenvolvimento sustentável do Estado. Para tanto, nossa Fundação mantém fortemente um diálogo transparente com pesquisadores, cientistas e lideranças políticas, de tal forma que tenhamos cada vez mais uma representatividade relevante perante a sociedade. Vale destacar que a Academia de Ciências da Bahia, sob a presidência e vice-presidência dos Professores Doutores Roberto Santos e Edivaldo Boaventura, respectivamente, promove diversas palestras e debates abertos ao público no auditório da Fapesb. Mestres e Doutores são formados não somente para atuar nas universidades, mas também para promoverem avanços científicos e tecnológicos que impactem positivamente na economia e melhorem a qualidade de vida da população, sendo este o compromisso da Fapesb.

Por: Marcus Americano
Fonte: Bahia Notícias

Fapesb apoia II Simpósio Micológico do Semiárido

A UNEB, por meio do Colegiado de Ciências Biológicas do Departamento de Educação (DEDC) do Campus VII, realiza o II Simpósio Micológico do Semiárido, entre os dias 26 e 29 de setembro de 2015, em Senhor do Bonfim – BA.

A UNEB, por meio do Colegiado de Ciências Biológicas do Departamento de Educação (DEDC) do Campus VII, realiza o II Simpósio Micológico do Semiárido, entre os dias 26 e 29 de setembro de 2015, em Senhor do Bonfim – BA.

O Simpósio tem como perspectiva de discussão temas ligados a Micologia. Nesta segunda edição, pretende-se discutir a exploração de recursos micológicos no Brasil. O evento conta com a participação de profissionais renomados para difundir e demonstrar os diferentes estudos e avanços alcançados nesta área do conhecimento no nordeste e em todo território nacional.

O público alvo do simpósio são estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais da área. A programação conta com palestras, mini-cursos, apresentações de trabalhos e mesas redondas. Aqueles que desejam participar como ouvintes devem preencher a ficha de inscrição e encaminhar para o e-mail enbiomicologia@gmail.com até o dia 21 de agosto. Há ainda a opção de efetuar a inscrição presencialmente até o dia do evento, no Espaço de Micologia do Campus VII.

Este evento conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia.

Para mais informações, acesse: http://enbiomicologia2015.blogspot.com.br/.

Por: Ascom/Fapesb

Giro na Ciência – Embalagens feitas de materiais biodegradáveis ajudam a preservar frutas frescas

Embalagens biodegradáveis, obtidas a partir da adição de nanocristais de celulose a polímeros feitos com amido e quitosana – fibra produzida a partir do esqueleto de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta – ,poderão se tornar uma vantagem competitiva relevante para as exportações baianas de mangas na forma fresh-cut, ou seja, sem casca e sem caroço, para o mercado internacional.

Embalagens biodegradáveis, obtidas a partir da adição de nanocristais de celulose a polímeros feitos com amido e quitosana – fibra produzida a partir do esqueleto de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta-, poderão se tornar uma vantagem competitiva relevante para as exportações baianas de mangas na forma fresh-cut, ou seja, sem casca e sem caroço, para o mercado internacional. Tudo vai depender dos resultados em escala industrial de um projeto de inovação desenvolvido pelo Laboratório de Alimentos e Bebidas do Senai-Cimatec, em Salvador. “Atualmente, existe uma forte demanda para as frutas frescas já prontas para consumo, denominadas produtos minimamente processados, tendo em vista, principalmente, a facilidade e a praticidade”, diz Bruna Machado, coordenadora do projeto.

A ideia de adicionar os nanocristais ocorreu em decorrência da experiência da pesquisadora com seu projeto de mestrado em Ciências de Alimentos, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seu objetivo era a obtenção de nanocristais oriundos do coco, incorporados em embalagens de amido de mandioca, utilizadas para envasar azeite de dendê. Os resultados da dissertação renderam a Bruna Machado o primeiro lugar na categoria Pesquisadores do concurso Ideias Inovadoras, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). Ela explica que a exportação de mangas in natura implica uma perda econômica elevada para o país, já que a casca e o caroço são considerados rejeitos. “Em muitos casos, as frutas, quando chegam aos países de destino, são processadas em fábricas ou nos próprios supermercados e embaladas para chegar até as prateleiras e atender à demanda dos consumidores locais.”

O custo com o transporte das frutas in natura é outro obstáculo enfrentado pelos exportadores. Os empresários do setor esclarecem que a casca e o caroço ocupam cerca de 40% a 60% do peso e espaço nos contêineres e paletes frigorificados a serem enviados pelos navios mercados afora. As mangas são exportadas inteiras dentro de caixas de papelão específicas, que podem estar envolvidas em cera de carnaúba e embaladas em papel seda. O uso da refrigeração se dá com o intuito de preservar as características das frutas durante a viagem aos mercados europeu e norte-americano, que dura em média 14 dias.

De acordo com Bruna Machado, o objetivo da pesquisa do Senai-Cimatec é desenvolver embalagens biodegradáveis inovadoras, com propriedades antioxidantes, que possibilitem aumentar a vida de prateleira, agregando valor ao produto baiano, e permitir a exportação de um maior volume efetivo da fruta. “A exportação das mangas já minimamente processadas e embaladas com essa tecnologia no país de origem poderá minimizar o custo do transporte e ainda preservar as frutas por mais tempo”, diz.

O tipo de manga escolhido para o estudo foi a Tommy Atkins, resultado de extensas pesquisas de seleção e melhoramento genético, que tem sabor doce e pouca fibra. Além disso, outra vantagem da fruta, quando comparada a outras variedades, é sua resistência mecânica e térmica durante o transporte, e mais tempo de estocagem prolongado e a boa tolerância à antracnose, doença causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, considerado a maior praga dos mangueirais. A variedade é a preferida dos agricultores brasileiros, respondendo por cerca de 80% da área cultivada no país.

A pesquisadora ressalta que o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis para aplicação em frutas processadas com permeabilidade seletiva aos gases é um processo promissor, pois funciona, em princípio, como um acondicionamento de atmosfera modificada. “Como frutas em geral são muito sensíveis, o processamento que permita o controle eficiente da concentração dos gases pode prolongar satisfatoriamente o período de armazenamento dos produtos processados, bem como seu transporte eficiente”, diz.

Para ela, o maior desafio do projeto é melhorar as propriedades mecânicas e de barreira desses produtos inovadores com a adição de nanocristais, responsáveis por evitar que os frutos sejam machucados, amadureçam rapidamente e apodreçam. Para tanto, é preciso desenvolver e caracterizar diferentes embalagens biodegradáveis e poliméricas para os cortes das mangas e compará-las para identificar a composição que melhor garanta a manutenção das características nutricionais, microbiológicas e sensoriais da fruta, adequando-se às exigências do mercado internacional.

A obtenção de nanocristais envolve a extração de celulose da fibra de coco, sabugo e palha de milho, além do farelo de trigo, que são adicionados a matrizes poliméricas obtidas de fontes naturais renováveis como o amido e a quitosana. Dessa maneira, segundo a coordenadora do projeto, o uso de embalagens biodegradáveis incorporadas com nanocelulose pode torná-las mais resistentes mecanicamente, além de apresentar barreira ao vapor d’água ao reduzir a concentração de oxigênio em seu interior.

RESULTADOS PRELIMINARES

Cada material testado no Laboratório de Alimentos e Bebidas do Senai-Cimatec passa por análise para avaliação de rendimento. Primeiro, as fibras são lavadas com solução alcalina, para a remoção de material solúvel e parte da lignina, uma fibra insolúvel em água. Geralmente, essa lavagem é feita quatro vezes. Depois é realizado o branqueamento da massa obtida na etapa anterior. A celulose obtida é secada e triturada e em seguida é feita a hidrólise ácida do material resultante. Nessa etapa, o ácido presente consegue “atacar” a celulose, quebrando as fibrilas, restando apenas a parte cristalina, ou seja, os cristais de celulose. Por fim, os cristais se encontram “dispersos” em uma solução aquosa. “Chamamos de nanocristais porque na análise pela técnica de microscopia eletrônica de transmissão conseguimos medir os cristais, que estão em tamanhos nanométricos”, explica Bruna.

Os resultados preliminares indicam que a celulose originária da fibra do coco rende por volta de 20% a 30% a mais do que a do sabugo e palha de milho e do farelo de trigo. Esta celulose, chamada de aditivo de reforço, é adicionada às matrizes poliméricas, que podem ser amido de mandioca, batata ou milho e quitosana, formando soluções filmogênicas que deverão ser aquecidas para produzir os filmes. “O importante aqui é encontrar o produto com melhor custo-benefício, pois pretendemos partir da escala laboratorial para a industrial”, ressalta.

Outra proposta é a elaboração de embalagens com atmosfera modificada, nas quais são testados diferentes gases, como nitrogênio e dióxido de carbono, ou reduzidos os teores de oxigênio, a fim de inibir a proliferação de microrganismos e retardar o apodrecimento natural na fruta. “O resultado obtido com o uso desse tipo de embalagem é um produto que se mantém fresco por um período muito maior, sem necessidade de congelamento.” Segundo a pesquisadora, essa é uma técnica já empregada comercialmente, principalmente para hortaliças. Ela destaca ainda que faz parte da linha de frente da pesquisa a combinação de algumas dessas tecnologias, como, por exemplo, adicionar a atmosfera modificada na embalagem de amido e/ou quitosana, incorporada ou não com os nanocristais.

O estudo do Senai-Cimatec ainda está em fase de desenvolvimento das embalagens ecológicas, mas Bruna Machado informa que outros estágios já estão por vir e seguem um cronograma estabelecido. O próximo passo é avaliar o tempo de vida do produto na prateleira. Nessa etapa, serão observados parâmetros sensoriais, como coloração, consistência, aroma e sabor, além de aspectos microbiológicos e nutricionais das mangas acondicionadas.

Todo o sistema, segundo Bruna, será realizado de forma a simular a maneira como os frutos poderão ser exportados em sua forma fresh-cut e empacotados em freezers. “Em média, o transporte de cargas de um país para outro por via marítima leva de 14 a 40 dias, mas nossa investigação deverá durar 90 dias para avaliar o tempo de estocagem das mangas até a fase em que serão vendidas diretamente ao consumidor estrangeiro”, anuncia.

As atividades do projeto, intitulado “Desenvolvimento, caracterização e análise comparativa de diferentes embalagens para acondicionamento de mangas fresh-cut para agregação de valor ao processo de exportação”, tiveram início em novembro de 2014, após ter sido contemplado no Edital de Apoio a Soluções para a Fruticultura no Estado da Bahia, da Fapesb. O recurso aportado é de R$ 192 mil, incluindo duas bolsas de pesquisa, sendo uma de iniciação científica e outra de apoio técnico. Um estudante de mestrado também participa do projeto, feito em colaboração com a UFBA, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

A pesquisa está prevista para ser feita durante 34 meses e envolve desde o desenvolvimento das embalagens, a avaliação do estado de vida de prateleira, até a publicação de artigo e depósito de patente, se for o caso. Bruna Machado chama a atenção para o fato de que o objetivo do estudo não é substituir as embalagens de papelão, que são tradicionalmente usadas no transporte das mangas, e sim oferecer uma opção diferenciada na linha de produção do agronegócio baiano.

TECNOLOGIA LIMPA

Um quesito que deve ser levado em consideração é que as embalagens provenientes de fontes naturais renováveis têm sido foco de interesse para o desenvolvimento de novas tecnologias que visam à preservação ambiental e a busca de potenciais alternativas de substituição de plásticos convencionais oriundos do petróleo, que levam centenas de anos para se decompor.

O engenheiro de materiais José Manoel Marconcini, do Laboratório de Nanotecnologia para o Agronegócio da Embrapa Instrumentação, localizado em São Carlos, no interior de São Paulo, explica que na literatura científica existem estudos que avaliam frutas em seu estado minimamente processado utilizando embalagens convencionais, como, por exemplo, produzidas com poli (ácido lático), ou PLA, um produto comercial derivado do milho, uma fonte natural renovável e biodegradável. Outras embalagens também bastante estudadas são as produzidas a partir da espécie bacteriana Burkholderia sacchari, que se alimenta do açúcar da cana, chamadas de poli-hidroxibutirato (PHB).

Marconcini chama a atenção para as dificuldades de inserção da embalagem biodegradável no mercado. Ele explica que o principal empecilho pode ser o preço final do produto. “Se a embalagem for muito cara, o consumidor não vai querer pagar”, diz. No caso das embalagens comestíveis, como a desenvolvida na Embrapa, o pesquisador afirma que as barreiras de laboratório já foram vencidas e o processo de transferência para as empresas já está em fase de negociação. “O mercado de alimentos read to eat (pronto para comer) e fresh-cut está crescendo exponencialmente e existe uma série de empresas interessadas em absorver essas tecnologias”, evidencia.

Na Bahia, ainda não há uma produção local de filmes biodegradáveis. Segundo Bruna Machado, no momento, o que está sendo produzido é em escala laboratorial. “Após os resultados de nossa pesquisa, visamos à possibilidade de produção industrial”, diz. “Estamos unindo esforços com a UFBA, mais especificamente com a professora Janice Druzian, da Faculdade de Farmácia, para viabilizar a produção industrial dessas embalagens”, completa.

No mercado baiano de exportação de mangas acompanha-se com atenção esses novos desenvolvimentos de embalgens.O exportador de frutas Sílvio Medeiros, da Agrobras, empresa localizada em Casa Nova, entende que o consumidor do exterior quer praticidade e diz que as frutas fresh-cut já ocupam cerca de 20% das vendas no mercado americano. “Se o preço da embalagem não encarecer muito o produto, os nossos ganhos e o da economia baiana podem ser maiores”, comenta em relação à possibilidade de usar embalagens biodegradáveis.

Outro executivo do setor, Thiago Silva, da Ibacem Agrícola Comércio e Exportação, com sede em Juazeiro, ressaltou que só em feiras internacionais vê essas novas embalagens biodegradáveis. “Entramos em contato com essa tecnologia em feiras agrícolas fora do país.” O gerente agrícola gostaria de testar o produto do Senai-Cimatec como uma opção a mais na oferta de produtos da Ibacem.

Para Bruna Machado, Sílvio Medeiros e Thiago Silva são potenciais parceiros de seu projeto, além das cooperativas e packing houses da região do Vale do Submédio do São Francisco e Sudoeste da Bahia. “Essa é a nossa ideia inicial, transferir o conhecimento aos produtores. Nossa esperança é que eles possam adequar a infraestrutura de suas fazendas para poder produzir essas embalagens e utilizá-las no processamento das frutas”, diz.

A pesquisadora comenta que, para a coleta das mangas voltadas ao estudo, o grupo do Senai-Cimatec visitou os principais produtores da fruta no estado e estabeleceu o compromisso de transmitir os resultados dos testes em laboratório. “Também pretendemos elaborar uma cartilha ensinando como fazer o corte das mangas, embalá-las e acondicioná-las”, acrescenta. Ainda de acordo com Bruna, outra possibilidade poderia ser a colaboração com empresas que já produzem embalagens biodegradáveis.

A manga brasileira é um dos objetos de desejo nas prateleiras dos supermercados americanos e europeus. Trata-se de uma das frutas tropicais mais consumidas em todo o mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), o Brasil ocupa o terceiro lugar na produção mundial de frutas, sendo o sétimo produtor mundial de manga. Ainda de acordo com os dados da FAO, em 2010, foram exportadas cerca de 120 mil toneladas de manga, com uma receita próxima a US$ 120 milhões. Em 2011, apesar do pequeno crescimento do volume, que passou para 127 mil toneladas, a receita de exportação se aproximou dos US$ 141 milhões por causa dos bons preços da manga brasileira no mercado internacional.

Nesse cenário, a Bahia lidera, pois é responsável pelo abastecimento dos mercados mais exigentes, dominando as exportações brasileiras. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as mangas do Vale do Submédio São Francisco responderam, em 2012, por aproximadamente 80% do total exportado pelo país. Até outubro do mesmo ano, o Brasil havia exportado cerca de 90 mil toneladas do fruto. Deste total, cerca de 80 mil tiveram origem nessa região. Na Bahia, as cidades de Juazeiro, Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio se destacam como os maiores polos produtores de manga.

Enquanto soluções tecnológicas não são incorporadas pelos produtores brasileiros, já existem companhias internacionais que atuam na exportação de mangas e apostam na logística de transporte. Um exemplo é a empresa Blue Skies, que investe no processamento das frutas no país de origem em vez de serem transportadas e processadas nos países de consumo. “Conseguimos entregar nos pontos de venda as frutas frescas diretamente do produtor num período de 48 horas via transporte aéreo”, informa Simon Derrick, gerente de comunicação. Segundo ele, este processo rápido garante que as frutas mantenham as suas características sem a adição de conservantes. As mangas brasileiras são acondicionadas em bandejas de plástico PET reciclável e embaladas em uma película respirável. “Ao fazermos isso, acreditamos que cerca de 70% do valor fica no país de origem, em comparação com os 15% quando o processamento é feito em outro local.”

Por: Mariana Alcântara – Revista Bahia Ciência

Presidente da Fapesb fala sobre dificuldades e planos futuros para a Fundação

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Eduardo Santana de Almeida, proferiu palestra na manhã da última terça-feira (04/08) sobre o cenário atual da Fundação e as perspectivas para o futuro. Para uma plateia cheia, que contou com a presença da comunidade acadêmica, pesquisadores, quadro de funcionários da Fapesb e estudantes universitários, Eduardo apresentou os números da Fapesb e falou sobre as dificuldades atuais.

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Eduardo Santana de Almeida, proferiu palestra na manhã da última terça-feira (04/08) sobre o cenário atual da Fundação e as perspectivas para o futuro. Para uma plateia cheia, que contou com a presença da comunidade acadêmica, pesquisadores, quadro de funcionários da Fapesb e estudantes universitários, Eduardo apresentou os números da Fapesb e falou sobre as dificuldades atuais.

“Durante esses quatro meses de minha gestão, passei um tempo conhecendo a Fapesb e fiz questão de conhecer cada setor e ver como cada um operava. Visitei outras Faps no Brasil, com realidades similares à nossa, como a de Pernambuco, a do Ceará e a de Santa Catarina, para entender as dificuldades que estão acontecendo em outras Fundações e o que podemos melhorar em nosso cenário”, afirmou Eduardo.

Dentre os problemas citados, está a infraestrutura computacional que vem dificultando o acesso do público ao portal, com congestionamento constante, gerando diversas reclamações. O backup e o armazenamento físico são outros aspectos que precisam de melhorias. “A documentação que a Fapesb acumula com o recebimento de propostas gera um problema de espaço físico. Temos relatórios de bolsas de mais de 10 anos armazenados na Fundação. Por outro lado, o processo digital, não possuímos”, afirmou.

Eduardo falou sobre as fontes de receita da Fapesb, que corresponde a 1% da receita líquida tributária do estado, e lembrou de outra importante fonte que são os dividendos do estado oriundos do Desenbahia.

O chamado índice de execução também consta na lista de problemas a resolver. “Deveríamos receber algo em torno de R$ 111 milhões, porém, o que está sendo de fato repassado para a Fundação é muito menor”, afirmou o gestor. A nível de comparação, Eduardo citou duas grandes FAPs do país, a de São Paulo e a de Minas Gerais: “A Fapesp, em 2013, tinha o orçamento de R$ 1 bilhão com 100% de execução. Historicamente, o repasse é cumprido completamente”, disse. “A Fapemig também sempre teve o seu repasse historicamente cumprido e quando o governo não liberou, o assunto foi discutido em assembleia, a comunidade científica pressionou até a Fapemig entrar com uma ação contra o governo. Acredito que o diálogo é o melhor caminho e não podemos continuar com esse problema do repasse não acontecer”.

Outros problemas citados foram o atraso na liberação de recursos, a inadimplência dos pesquisadores e o excesso de burocracia nos processos da Fundação. Eduardo também falou sobre o atraso das bolsas, que tem sido motivo de reclamações constantes dos estudantes nas mídias sociais.

Um dos pontos mais enfatizados por Eduardo foi a falta de indicadores na formulação das políticas da Fapesb. Segundo o presidente, não há uma fonte de informações que possa ser facilmente acessada. Como exemplo, ele citou o Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional (DCR), cujo objetivo é fixar pesquisadores doutores no estado: “Quando perguntamos: ‘Quantos pesquisadores foram contratados? Quantos foram de fato fixados? Em que áreas houve mais adesão?’ Não temos essas informações”.

Perspectivas futuras

O primeiro projeto de melhoria, que já está em discussão, é a criação do observatório Fapesb. Este projeto visa sanar o problema da falta de indicadores, facilitando o acesso às informações referentes à Fundação: “Estamos falando de uma fundação de 14 anos, com investimentos de pelo menos R$ 100 milhões, e precisamos de indicadores e de transparência. O observatório vai nos trazer isso”, afirmou Eduardo.

Aliada a esta ideia, Eduardo disse que pretende trabalhar a gestão do conhecimento: “Temos um número elevado de bolsas, de contratos, de convênios, mas queremos saber, por exemplo, o que tem sido feito na área de energias renováveis, dengue? Não temos como conseguir essa informação. Precisamos compilar os resultados olhando todo esse histórico e isso é inviável”.

O presidente também falou que pretende organizar workshops transversais. A ideia é dialogar com as secretarias do governo e ver de que forma as pesquisas que estão sendo apoiadas pela Fapesb podem ser direcionadas e aplicadas no estado. “Vamos organizar esse workshops por área: em saúde, em educação, em agricultura, com suas respectivas secretarias, e fazer com que esse investimento em pesquisa volte para a esfera governamental.”

Outra ação que consta nos planos de melhoria é a criação de um sistema de bolsas online. De acordo com Eduardo, este sistema será similar ao do CNPq, onde o usuário poderá verificar todas as bolsas que estão implantadas no estado com o apoio da Fapesb. “Estamos em fase final e esperamos implantar já no próximo mês, auxiliando na questão da transparência”, disse. A obtenção de uma nova plataforma também consta na lista de ações futuras. “As pessoas têm cobrado muito pela burocracia e demora. Vamos buscar mais agilidade. Já começamos a conversar com o Instituto Stela, que criou a plataforma Lattes e tem influência muito forte nessa área”, afirmou Eduardo.

Quanto à política de editais, Eduardo já começou a implementar uma análise mais aprofundada, por meio de indicadores, para determinar, por exemplo, a distribuição de recursos para cada faixa de pesquisa, de acordo com a demanda. O mesmo se aplica aos eventos, que receberão recursos de acordo com a sua relevância científica.

O presidente da Fapesb citou, ainda, outras ações como a busca por mais parcerias federais; o lançamento de um ou dois editais temáticos por ano; a continuação do fomento à infraestrutura de pesquisa do estado e à pós-graduação de excelência; e o fomento à cooperação internacional.

Regimento interno

Em relação ao regimento interno, Eduardo falou sobre a necessidade de maior participação da comunidade acadêmica e científica na escolha dos membros das câmaras. Quanto ao banco de consultores Ad-Hocs, Eduardo disse que estão ocorrendo novas indicações de pesquisadores de diferentes áreas com o respaldo da comunidade cientifica. “Queremos que todos os projetos sejam avaliados por pesquisadores de reconhecida competência no país”.

O presidente afirmou que, embora o momento não seja propício, a questão das bolsas será trabalhada: “Hoje, o custo mensal da Fapesb com bolsas gira em torno de 3,7 milhões. Temos tido uma dificuldade muito grade com o governo porque o repasse do valor mensal tem sido muito pequeno”, explicou. Diante desta dificuldade, Eduardo disse que o orçamento mensal da Fundação tem sido usado principalmente para pagamento de bolsas e custos e que, por essa razão, o recurso de muitos projetos ainda não foi repassado.

Por fim, Eduardo disse que tentará minimizar o máximo possível a burocracia nos processos da Fundação e que a Fapesb deverá caminhar independentemente de interferências políticas, mantendo sua autonomia.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

Pesquisa brasileira desenvolve vacina via oral contra a hepatite B

O mercado de nanotecnologia está em franca expansão no mundo, com a descoberta de novos métodos e aplicações para os produtos desenvolvidos por meio desta técnica. O Brasil ainda não é uma das potências do ramo, mas produz pesquisas inovadoras sobre as utilizações desta tecnologia.

O mercado de nanotecnologia está em franca expansão no mundo, com a descoberta de novos métodos e aplicações para os produtos desenvolvidos por meio desta técnica. O Brasil ainda não é uma das potências do ramo, mas produz pesquisas inovadoras sobre as utilizações desta tecnologia.

Uma delas é feita em uma parceria entre o Instituto Butantã e a Universidade de São Paulo (USP), que busca o desenvolvimento de uma vacina que pode ser administrada por via oral. Em vez de levar a famosa injeção ou as gotinhas pingadas nas bocas de bebês, será por meio de um comprimido que utiliza nanoestruturas de silício para guardar os antígenos. Atualmente, os testes são feitos apenas para prevenir a hepatite B.

A ideia nasceu de um encontro entre o infectologista Osvaldo Santana, do Butantã, e a física Márcia Fantini, do Laboratório de Cristalografia da USP. Durante a conversa, os cientistas começaram a traçar uma parceria para aliar as pesquisas em uma vacina contra a hepatite B e o desenvolvimento de uma sílica nanoestruturada para guardar os antígenos.

Com a estrutura em forma de favo de mel construída por meio de um longo processo de pesquisa e desenvolvimento, passou-se aos testes com camundongos, que apontaram resultados satisfatórios. A próxima etapa é provar a eficiência do método em seres humanos.

Na avaliação de Osvaldo Santana, a nova técnica tem amplas condições de se provar eficaz em humanos. Ele se baseia no fato de as nanoestruturas de sílica protegerem os antígenos da ação do sistema gástrico.

“Como ela protege a proteína, ela poderia proteger da barreira do suco gástrico, que é a barreira principal que você tem. A acidez do estômago e a protease, que são enzimas que quebram as proteínas, atacam a vacina. Toda vez que você tenta fazer a vacinação por via oral, você não consegue. Porque as proteínas são destruídas no estômago e não chegam no sistema imune, que está lá no intestino”, ressaltou Santana ao programa SP Pesquisa, da Univesp TV.

Outra vantagem apontada pelo pesquisador é que o invólucro de sílica garante que os antígenos atuem apenas nas “células alvo”. “A vantagem é que ela realmente consegue atravessar essa barreira de acidez muito forte do sistema imune”, completou.

Patente

Atualmente, a vacina via oral contra a hepatite B é produzida de forma experimental pelo laboratório Cristália, que financiou as pesquisas. A companhia já concedeu ao governo federal e ao governo do estado de São Paulo a patente para a produção da SBA-15 – o nome científico da nanoestrutura de sílica.

Fonte: Agência Gestão CT&I

Pesquisas para reconstrução óssea são realizadas com apoio da Fapesb

Nossos ossos são estruturas sólidas, pouco flexíveis, que possuem uma capacidade de auto remodelação. Mas, a medida em que envelhecemos, eles se desgastam naturalmente, tornando-se mais rígidos e propensos a fraturas. Além disso, golpes e impactos violentos também podem quebrar os ossos. Acidentes de carro, ferimentos por armas de fogo ou quedas são algumas situações que costumam causar defeitos críticos nos tecidos ósseos.

Nossos ossos são estruturas sólidas, pouco flexíveis, que possuem uma capacidade de auto remodelação. Mas, a medida em que envelhecemos, eles se desgastam naturalmente, tornando-se mais rígidos e propensos a fraturas. Além disso, golpes e impactos violentos também podem quebrar os ossos. Acidentes de carro, ferimentos por armas de fogo ou quedas são algumas situações que costumam causar defeitos críticos nos tecidos ósseos.

Buscando uma forma de consertar estes defeitos, a pesquisadora Fabiana Paim, do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA, desenvolveu um projeto, com apoio da Fapesb, que utiliza biomateriais para a reconstrução óssea. Biomateriais são substância encontradas na natureza ou produzidas artificialmente em laboratório que são colocadas em contato com os tecidos do organismo com o objetivo de reconstruí-los. Cada biomaterial é desenvolvido de acordo com as propriedades do tecido que necessite de reconstrução. Hidroxiapatita, polímeros a base de colágeno e quitosana são exemplos de biomateriais.

Para que um biomaterial possa ser comercializado, é necessário que ele passe por uma série de testes. Primeiro são realizados os testes in vitro, com cultura de células; em seguida, são feitos os testes in vivo, utilizando seres vivos, como, por exemplo ratos de laboratório; por fim, são realizados ensaios clínicos. O biomaterial passa por um órgão regulador para ver se atende a todas as normas exigidas e, caso seja aprovado, pode ir para o mercado.

O grupo de pesquisa de Fabiana é responsável pela parte dos testes in vivo. Eles testam os biomateriais em ratos de laboratório por meio de três propostas terapêuticas.

1- Terapia local com biomateriais isolados
Como os defeitos críticos são grandes e têm um formato que não permite que a regeneração ocorra sozinha, é preciso colocar algo dentro do defeito para formar o osso. Sendo assim, o grupo de pesquisa utilizou microesferas de hidroxiapatita, um mineral formado basicamente por fosfato de cálcio, que representa 99% do nosso cálcio corporal. As microesferas foram colocadas dentro do defeito para realizar a reconstrução óssea.

2- Associação de biomateriais e ranelato de estrôncio
Outra estratégia utilizada pelos pesquisadores foi associar o efeito local do biomaterial com a administração sistêmica de uma droga chamada ranelato de estrôncio, muito utilizada para tratamento de osteoporose, para redução de riscos de fratura. O ranelato de estrôncio promove a estimulação da formação de osso e foi adicionado na comida dos ratos, ao mesmo tempo em que as microesferas foram colocadas no local afetado.

3 – Cinesioterapia
Cinesioterapia é a terapia realizada através de movimentos para a reabilitação funcional. Neste projeto, foi utilizada uma plataforma vibratória desenvolvida pela NASA para auxiliar os astronautas que ficam muito tempo sem gravidade e por isso podem perder massa muscular e óssea. O sistema de vibração produz ondas que têm efeito sobre nossas células estimulando-as a produzirem matriz óssea.

Resultados:

Os pesquisadores fizeram diferentes associações das terapias, mas a melhor resposta veio de forma inesperada. Na primeira estratégia, da terapia local com biomateriais, para utilizar as microesferas de hidroxiapatita, os pesquisadores precisaram usar gelatina como aglutinador, para manter as esferas paradas no lugar do defeito. Mas, ao utilizarem a gelatina como uma espécie de cola, observaram que ela sozinha estava conseguindo reconstruir o osso. Como o resultado do teste piloto foi interessante, eles passaram a testar a gelatina como um biomaterial sozinho.

O uso do ranelato de estrôncio sozinho, apesar de apresentar bons resultados, não preenchia o volume do defeito por inteiro, sendo necessário usar o biomaterial como andaime para que o osso crescesse em volume. Porém, a associação de hidroxiapatita com ranelato de estrôncio não funcionou tão bem como se esperava. Usando apenas o biomaterial ou apenas o ranelato, o resultado era mais eficaz. Os pesquisadores estão fazendo novos estudos para entender porque a associação não teve tanto efeito.

Os estudos com cinesioterapia também revelaram um resultado interessante. As ondas produzidas pela plataforma vibratória estimularam a formação óssea mais rápida. Porém, mostrou-se necessária a colocação de um biomaterial dentro do defeito ósseo para servir como andaime, garantindo o crescimento do osso em volume, até o preenchimento total do defeito.

Portanto, a estratégia mais bem sucedida foi a da gelatina usada como biomaterial. O curioso é como foi feita essa descoberta: “Na primeira manipulação, para fazer um teste piloto, falei para a doutoranda pegar a gelatina, dissolver um pouquinho na água para ela ficar com a consistência molinha, misturar com o biomaterial e implantar. Aí ela me confessou que nunca tinha feito gelatina. Ela pôs o pó inteiro dentro do defeito e foi aí que, para a nossa surpresa, ele estava funcionando como um biomaterial”, explica Fabiana. “É aí que está a ciência, a pesquisa, para esgotarmos várias possibilidades”,diz.

Formas de tratamento

Hoje, existem algumas alternativas para consertar defeitos ósseos críticos. A primeira é o enxerto autógeno, no qual se retira um osso de alguma área do corpo do próprio paciente para ser colocado na área afetada. Normalmente, isso é feito em costelas ou na crista ilíaca. Em termos biológicos, este procedimento é muito bom, uma vez que o médico, ou o dentista, está trabalhando com os tecidos do próprio paciente, que contêm as mesmas células, fazendo com que o grau de rejeição seja praticamente nulo. Porém, o osso é retirado de um lugar que teve uma origem embrionária diferente de onde será colocado e isso significa que as características anatômicas daquele osso e seu metabolismo serão diferentes e o resultado pode não ser tão eficiente quanto se imagina.

Outra alternativa é o banco de ossos. Apesar de existir essa possibilidade, a aplicação é ainda complexa, pois atender às normas de biossegurança para a comercialização desses ossos é algo difícil.

A terceira alternativa é a desenvolvida pelo grupo de pesquisa de Fabiana, com a utilização de enxertos aloplásticos, que são os biomateriais. Muitos desses biomateriais são importados, o que significa que têm um custo alto. Isso muitas vezes impossibilita a sua aplicação pelo SUS. Por esta razão, Fabiana realiza pesquisas com biomateriais que são desenvolvidos no Brasil, para que seja possível comercializá-los no país, reduzindo os gastos com importação. O uso de biomateriais nacionais torna o custo mais acessível e contribui para que haja investimentos na tecnologia do Brasil.

Embora a pesquisa ainda não tenha atingido a fase final, em que pode ser aplicada clinicamente, todas as estratégias analisadas tiveram resultados positivos e nenhum material foi rejeitado pelo organismo. Alguns ainda precisam de mais investigações, para que os pesquisadores possam aprimorar os resultados, conseguindo o volume de osso necessário para reconstruir o defeito como um todo.

Segundo Fabiana, essa é uma área muito desafiadora e extremamente importante, pois cada vez mais o homem precisará de biomateriais, já que está vivendo mais, e está mais sujeito à perda de tecidos ósseos. “Hoje, já é possível até mesmo produzir biomateriais no formato do defeito através de impressoras 3D”, diz.

Apoio da Fapesb

Graças à Fapesb, o grupo de pesquisa conseguiu adquirir novos equipamentos e aprimorar o laboratório. “A Fapesb é uma parceira fundamental, desde que a inauguramos o laboratório. Conseguimos tudo isso graças aos recursos da Fapesb que, ao longo de 13 anos, desde que começamos a desenvolver essas pesquisas, tem nos apoiado ininterruptamente em todos os sentidos, não só com equipamentos mas também com materiais de consumo. Sem esse apoio nós não conseguiríamos”, afirma Fabiana.

Por: Lorena Bertino/ Ascom-Fapesb
Foto: Cortes histológicos com Biomaterial Microesfera de Hidroxiapatita e Alginato e osso neoformado

Pesquisador baiano desenvolve combustível feito de mel com apoio da Fapesb

Já pensou em abastecer o seu carro com um combustível feito do mel de abelha? O apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves decidiu dar uma utilidade para o mel que era descartado da fábrica por não passar pelo controle de qualidade. Desde 2011, ele estuda uma forma de zerar o desperdício, já que são descartados cerca de 11 kg de mel por mês.

Já pensou em abastecer o seu carro com um combustível feito do mel de abelha? O apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves decidiu dar uma utilidade para o mel que era descartado da fábrica por não passar pelo controle de qualidade. Desde 2011, ele estuda uma forma de zerar o desperdício, já que são descartados cerca de 11 kg de mel por mês.

Luiz Jordans desenvolveu um método para adquirir álcool do mel, ou álcool alimentício. O mel que seria descartado passa por um processo de fermentação seguido de destilação, que são os responsáveis por transformá-lo no álcool que pode ser usado como combustível. Por enquanto, apenas os veículos da empresa utilizam o álcool do mel. Esta inovação não apenas proporciona economia para a empresa, que consegue utilizar todos os seus recursos, como dá um exemplo de sustentabilidade.

Esta pesquisa foi apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), por meio do Edital PAPPE Integração.

Confira a matéria em nosso canal do youtube.

Por: Ascom/Fapesb

FAPESB lança Edital de Cooperação Internacional

Através do Institut des Sciences de l’Information et de leur Interactions da França, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com o Institut National de Recherche en Informatique et Automatique (IRIA) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), lança o Edital N° 019/2015 – Cooperação Internacional FAPESB/INRIA/INS2i – CNRS.

Através do Institut des Sciences de l’Information et de leur Interactions da França, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com o Institut National de Recherche en Informatique et Automatique (IRIA) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), lança o Edital N° 019/2015 – Cooperação Internacional FAPESB/INRIA/INS2i – CNRS.

O Edital tem como objetivo apoiar, por meio de recursos financeiros, equipes de pesquisadores baianos que queiram desenvolver atividades de pesquisa na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). As pesquisas deverão ser executadas em conjunto com equipes de pesquisadores franceses vinculados ao INRIA ou INS2o – CNRS. A iniciativa busca estimular a aproximação e a cooperação entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Poderão apresentar propostas pesquisadores doutores que tenham vínculo empregatício com instituições de ensino superior (IES), centros e institutos de pesquisa e desenvolvimento públicos e privados (sem fins lucrativos), constituídos sob as leis brasileiras, e que tenham sua sede e administração no Estado da Bahia.

O valor máximo disponibilizado pela Fapesb para este edital será de R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e para cada projeto o valor máximo será de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). As inscrições podem ser feitas pelo site da Fapesb até o dia 30 de setembro. Para mais informações confira o edital.

Por: Ascom/Fapesb

Fapesb apresenta Concurso Ideias Inovadoras para setor da Economia Criativa

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – Fapesb, em parceria com o escritório Bahia Criativa – Incubadora de serviços criativos, realizou, na última quinta-feira, 23/07, um encontro preparatório para a oficina de projetos do edital Concurso Ideias Inovadoras 2015 da Fapesb. O objetivo do encontro foi sanar as dúvidas sobre o Edital e esclarecer os pontos mais importantes do mesmo, principalmente para os candidatos interessados pela categoria Inventores da Economia Criativa. Nos dias 30 e 31 de julho, o Bahia Criativa estará promovendo oficinas para auxiliar os proponentes no projeto. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail bahia.criativa@cultura.ba.gov.br.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – Fapesb, em parceria com o escritório Bahia Criativa – Incubadora de serviços criativos, realizou, na última quinta-feira, 23/07, um encontro preparatório para a oficina de projetos do edital Concurso Ideias Inovadoras 2015 da Fapesb. O objetivo do encontro foi sanar as dúvidas sobre o Edital e esclarecer os pontos mais importantes do mesmo, principalmente para os candidatos interessados pela categoria Inventores da Economia Criativa. Nos dias 30 e 31 de julho, o Bahia Criativa estará promovendo oficinas para auxiliar os proponentes no projeto. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail bahia.criativa@cultura.ba.gov.br.

O encontro foi conduzido por Talita Costa, coordenadora pedagógica dos cursos do Bahia Criativa, que falou um pouco sobre a Economia Criativa no Brasil: “A economia criativa deriva do trabalho artístico, criativo de vocês, e o mais importante é a identidade, os valores, o imaginário”, afirmou. Segundo ela, o que determina o valor do fruto da Economia Criativa é a sua dimensão simbólica, e a criatividade e o capital intelectual são matérias-primas.

Vivian Alves, gestora do Concurso Ideias Inovadoras da Fapesb, falou sobre os objetivos do Concurso e seus pontos principais. Confira:

Categorias

O Concurso Ideias Inovadoras 2015 conta com oito categorias
1- Ensino Médio ou Técnico de Nível Médio
2- Graduandos
3- Pós Graduandos Lato Sensu e Stricto Sensu
4- Pesquisadores
5- Graduados Independentes
6- Inventores Independentes
7- Inventores da Economia Criativa
8- Inovações Educacionais – esta categoria foi lançada este ano, em parceria com a Secretaria de Educação, e é destinada a profissionais do magistério – gestores, professores e coordenadores pedagógicos que atuem nas unidades de ensino das redes públicas, estadual ou municipal.

Para participar do concurso, os candidatos devem preencher o formulário online no site da Fapesb, sem esquecer de concluir o procedimento. A não conclusão implica em desenquadramento. Além de preencher o formulário, é necessário enviar o projeto impresso pelo correio. “Aqueles que desejarem, podem incluir em anexo imagens do seu produto, ou enviar um CD com um vídeo explicativo, a fim de tornar mais clara a sua ideia”, disse Vivian. Os projetos serão analisados por consultores ad hocs de fora do estado da Bahia. Serão escolhidas dez propostas de cada categoria para a etapa de defesa oral, em que os representantes deverão apresentar pessoalmente a sua ideia inovadora para uma banca avaliadora. A última etapa é a premiação, que acontecerá em um evento promovido pela Fapesb, onde os vencedores serão anunciados.

O projeto pode ser apresentado individualmente ou em equipe, sem limite de número de participantes. Cada proposta, poderá concorrer em apenas uma categoria, mas o mesmo proponente pode enviar até duas propostas diferentes para uma ou duas categorias. O perfil do proponente deve ser compatível com os requisitos constantes na categoria em que submeterá a proposta, conforme explicou Vivian: “Se você já é formado na faculdade, não pode se inscrever na categoria graduandos, pois estará competindo com pessoas com um nível de conhecimento abaixo do seu. O próprio sistema não permitirá a sua inscrição na categoria errada”.

A banca avaliadora levará em conta os critérios de: originalidade; aplicação prática; impactos socioeconômicos, ambientais e culturais da inovação; diferenciação em relação ao mercado; capacidade de inserção no mercado; perfil do proponente e de sua equipe e a apresentação oral do projeto. Os três primeiros colocados em cada categoria receberão um prêmio no valor de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil reais para primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Para mais informações acesse o Edital no site da Fapesb, ou envie sua dúvida para cdteequipe@fapesb.ba.gov.br .

Por: Ascom/Fapesb