Passar pela graduação sem fazer iniciação científica (IC) é o mesmo que não aproveitar a faculdade em sua totalidade. Além da vantagem de ter um currículo mais rico, o estudante desenvolve – ou melhora – potencialidades que irão ajudá-lo a conseguir se destacar no mercado de trabalho, independentemente da área profissional que irá seguir.
O processo é metódico e exige muita disciplina. Por esse motivo, na Universidade Salvador (Unifacs), por exemplo, os estudantes são provocados a ingressar em pesquisas científicas a partir do segundo semestre, período considerado “ideal” pela professora/orientadora do curso de psicologia Daniela Moscon. “Nesse período, o aluno tem mais disponibilidade de tempo”.
Segundo a pró-reitora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Comunitária, Carolina Spínola, há 12 anos a faculdade promove um evento com palestras, mesas, apresentações de concluintes de pesquisas e premiações de incentivo.
O hábito da leitura, o interesse por pesquisa e a tolerância à frustração são algumas das características que os interessados em produzir uma pesquisa científica precisam ter.
Experiência
O domínio de um segundo idioma é outro fator importante. “Isso porque muitos autores consultados são estrangeiros e a pesquisa ganha mais credibilidade quando traduzida”, ressalta Daniela.
Mas não basta ter todos esses atributos. Numa pesquisa científica é fundamental avaliar se o problema colocado apresenta interesse para a comunidade científica e se irá produzir resultados novos e relevantes para a sociedade.
O estudante do 7º semestre do curso de arquitetura da Unifacs Nuno Moreira, 23, está em sua terceira bolsa de iniciação científica. Para ele, a pesquisa soma pontos para quem quer seguir a carreira acadêmica. Além disso, Nuno afirma que as aulas não estavam dando a real perspectiva da necessidade urbana de Salvador.
“Quando comecei a pesquisar, passei a ver a cidade de outra forma. Com o olhar mais apurado sobre suas necessidades”, conta.
Interessado em acessibilidade arquitetônica, as três pesquisas desenvolvidas pelo estudante estão atreladas ao assunto. A mais recente aborda as condições de acessibilidade nas estações do metrô e terminais de integração e seu entorno na região do Iguatemi/rodoviária.
O trabalho foi desenvolvido na perspectiva de contribuir de forma crítica na intervenção realizada pelo governo do estado, priorizando aspectos relacionados aos indivíduos que se deslocam a pé e, sobretudo, ao deslocamento de deficientes e pessoas com mobilidade reduzida.
O discente é bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) da faculdade, conveniada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
Para ele, a liberdade de trabalho como bolsista é maior do que em um estágio, apesar de demandar a mesma responsabilidade. “É preciso tempo e muita dedicação porque tem que mostrar resultado. Mas o esforço vai me proporcionar vantagens profissionais”, acredita o estudante, que mantem o próprio sustento por meio da bolsa recebida mensalmente.
Para a orientadora de Nuno, a professora Marília Cavalcante, o aluno que se envolve em pesquisa científica desenvolve uma base teórica conceitual mais sólida ao se deparar com problemas que fazem parte de sua realidade. “O laboratório do aluno de urbanismo é a própria cidade em que vive. Então, para ele, propor análises e soluções é sempre oportuno”, afirma.
Ainda segundo Marília, a experiência é importante porque coloca o aluno em bons contatos profissionais. “O estudante acaba construindo relações mais próximas com professores e pessoas que estão em órgãos públicos. É um ensaio para a vida profissional”, diz.
Fonte: A Tarde