Pesquisadora baiana alerta para riscos da ingestão de plantas medicinais por gestantes

Focado no romã, estudo identificou que 89% das entrevistadas não conheciam os perigos de consumir o fruto e outros tipos de alimentos com valor medicinal

A gravidez é um momento importante na vida de uma mulher. Nesse período, o corpo feminino sofre diversas mudanças e os cuidados com a saúde aumentam. As gestantes precisam evitar usos de diversas substâncias e ter atenção redobrada na alimentação. Observando esse cenário, Sâmela Gomes, graduanda na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), junto com o seu orientador, Murilo Scaldaferri, desenvolveu uma pesquisa sobre os riscos do consumo da fruta romã por grávidas no município de Itapetinga, na Bahia, intitulado como “Propriedades medicinais da Romã. Aplicações terapêuticas: uma análise para gestantes”.

O fruto apresenta muitos benefícios à saúde humana. Seus compostos têm efeito anti-inflamatório e antisséptico, além disso, podem auxiliar na prevenção de doenças como Alzheimer e câncer. Porém, essas substâncias em uma mulher grávida podem causar malefícios. Sabendo disso, a então estudante de ciências biológicas decidiu se aprofundar no assunto. “Sempre ouvi falar do uso da fruta, como planta medicinal, através de vizinhos e familiares. No final do curso pensei em me aprofundar mais no assunto, e, junto com meu orientador Murilo Scaldaferri, trouxemos a perspectiva das gestantes sobre seu uso antes e durante o período gestacional”, diz Sâmela.

A pesquisadora percebeu que as gestantes do seu município não sabiam que o uso indiscriminado de algumas partes do fruto poderia levar riscos ao feto. Ela aplicou um questionário para 80 grávidas que faziam parte do Programa de Saúde da Família (PSF) de Itapetinga. Os resultados mostraram que 89% das entrevistadas usavam a parte que pode trazer problemas para as gestantes. “11% utilizavam a romã de forma alimentícia e 89% faziam a infusão em água e chá do caule e folhas, mostrando assim a preocupação, pois o caule apresenta componentes químicos que, através dos seus princípios ativos, são capazes de atravessar a placenta e atingir o feto”, explica.

A pesquisa aponta o desconhecimento das gestantes sobre os perigos do consumo da romã e outras plantas medicinais. Sâmela afirma que seu estudo é fundamental para chamar atenção para a falta de conhecimento sobre esse assunto. “É importante levar tais informações para que sirvam de alerta às pessoas que desconhecem os malefícios de algumas plantas medicinais, que, por serem consideradas ‘naturais’, vindas da terra, são utilizadas indiscriminadamente. Às vezes uma simples ação para melhorar um resfriado, pode levar a morte do feto, má formação ou a embriotoxicidade”.

Com o estudo concluído, a pesquisadora defende a necessidade de fazer esse tipo de informação chegar às comunidades. “Ao evidenciar os malefícios de algumas partes da romã, notei a surpresa das mulheres entrevistadas que estavam presentes, e até de alguns profissionais da saúde, pois ninguém conhecia seus riscos. Diante disso, percebo que é fundamental levar esse conhecimento através de palestras para todas as pessoas atendidas pelo Programa de Saúde da Família e outros locais”.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Quem são elas? Baianas lideram startup

Cultiveae, incubada no Parque Tecnológico da Bahia, desenvolve projetos focados em ciência, tecnologia e inovação

Mulheres, mães, amigas, biólogas e empreendedoras. Para entender a história de Aldinéia Damião e Brena Mota, é preciso viajar no tempo e voltar à infância de ambas. Foi ainda criança que as meninas despertaram a paixão pela biologia. Inspiradas pelas aulas das professoras Sandra Peixoto e Tânia Freitas, respectivamente, os olhos delas brilhavam a cada descoberta.

Não é à toa que Brena afirma que desde muito pequena tinha o sonho de ser cientista. Enquanto as colegas ganhavam presentes como bicicletas, bonecas, videogames, a pequena Brena queria um microscópio. Filha de contabilistas, a menina ganhou o sonhado presente e não parou de “testar” tudo que encontrava na casa onde morava, no Matatu. “Tudo que via na frente, eu botava no meu microscópio e conseguia ver de perto”, conta.

A história de Aldinéia tem raízes no interior da Bahia. Natural de Barrocas, uma cidadezinha perto de Serrinha, Aldinéia viu seus pais, profissionais autônomos, escolherem se mudar para capital como forma de priorizar os estudos dos filhos. Seu Antônio, com seu carro, fazia o trajeto Paripe/Barrocas a cada 15 dias. E assim foi a infância de Aldinéia, dedicada aos estudos e à terra, já que no interior sempre teve muito contato com animais e plantas.

“Tenho uma irmã gêmea. Meu pai queria que a gente fizesse veterinária. Uma das três filhas precisava fazer algo na área de saúde. Quando fui fazer vestibular, coloquei biologia como primeira opção e fisioterapia como segunda, mas torcendo para não entrar nessa última, porque não era o que eu queria. Acabou que eu e minha irmã fizemos biologia”, lembra Aldinéia.

Enquanto a menina do interior se formou em biologia pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL), a amiga fez o caminho inverso e foi estudar em Feira de Santana, onde cursou biologia na UEFS. Em 2009, quando buscaram o mestrado, elas se conheceram no laboratório do Instituto de Ciências da Saúde (ICS-UFBA). Nascia ali uma amizade que se fortaleceu do mestrado ao doutorado.

Uma década se passou até que ambas decidiram que estava na hora de empreender. Foi assim que fundaram em 2020, a Cultiveae, uma startup, que em tradução literal significa empresa emergente, incubada no Parque Tecnológico da Bahia, que é vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e gerido pela Associação de Empresas do Parque Tecnológico (AEPTEC).

A Cultiveae nasceu da inquietação das suas fundadoras, que, em conjunto com Alexandre Marques, antigo sócio, trouxeram para o mercado a Horta Íris, com o método hi#OOPS#ônico, que permite o cultivo sem a necessidade do solo. “Nosso produto surgiu com a proposta de solucionar a dor daquelas pessoas que desejam ter uma horta em casa ou trabalho, mesmo que falte habilidade, tempo e espaço”, ressalta Brena. Ela destaca ainda que a equipe da startup inclui Luisa Andrade, Rodrigo Guimarães e Lis Rosas.

A arte de criar um produto ou técnica requer tempo. “Nosso desafio foi criar um produto eficiente, bonito e sustentável. Entre conhecimento do sistema compacto e a validação da estrutura, foram mais de dois anos. Não é fácil validar uma estrutura que ficará 24h com água sem ter plástico. Passamos por modelo tubular, de plástico, de impressão 3D, três modelos de argila, até chegar a peça de cerâmica, que é encantadora. Depois de todos os testes, tivemos a validação de que essa era a melhor opção”.

Sem receita mágica, mas com vontade e persistência é possível alcançar os objetivos traçados. “O importante é seguir seu sonho. Independentemente do que for, tem que focar. Não adianta colocar empecilhos, seguir outros caminhos, porque lá na frente você vai se arrepender de não ter feito. Se tiver oportunidade, seja resiliente que o retorno vem”, estimula Aldinéia.

A Cultiveae pode ser contatada pelas redes sociais e pelo site www.cultiveae.com. Nesses canais, é possível obter mais informações sobre a startup, seus produtos e pontos de venda.

Para além do feijão no algodão

Incentivar as pessoas a cultivarem alimentos frescos para suas refeições. Esse é o principal objetivo das empreendedoras em um novo projeto, o de “microverdes”, que caminha em paralelo com o da Horta Íris. Trata-se de hortaliças ainda no período inicial de desenvolvimento, mas que, se relacionado aos cultivos adultos, podem ser até 60 vezes mais nutritivas.

O “Kit Microverdes”, com todo material necessário para o cultivo, custa em média R$20, e permite que as pessoas possam plantar e consumir. Os superalimentos, como também são conhecidos, tem o consumo recomendado em sopas, saladas, sanduíches e até em preparo de drinks. “Eles têm uma colheita de 7 a 21 dias e tem uma bomba nutritiva em relação à planta adulta, variando de acordo com a espécie”, destaca Aldinéia.

Esta é uma ação especial para as biólogas, já que, além das casas do consumidor, elas conseguiram chegar às escolas com o kit “Minha Hortinha”, que tem materiais focados em crianças, dando um upgrade na famosa atividade escolar de plantar um feijão no algodão. “É uma ferramenta educacional, um experimento científico, no qual o professor pode explorar muita coisa. Você permite que as crianças cultivem e vejam o crescimento da raiz, caule e folha, e depois ainda comem”, explicam.

Incubadora de inovações

A Cultiveae é uma das 11 startups incubadas na Áity, incubadora de empresas do Parque Tecnológico da Bahia, gerida pela Agência de Inovação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que tem como objetivo contribuir na transformação de ideias inovadoras em negócios de sucesso. Selecionadas por meio de chamadas públicas, as startups recebem todo o suporte para acelerar o seu desenvolvimento.

Brena e Aldinéia acreditam que o processo de incubação é decisivo para atingir os objetivos da Cultiveae. “O Parque permite que tenhamos um espaço de trabalho, bem como o networking com a troca de conhecimento com outras startups. Temos ainda a possibilidade de contar com pessoas para poder crescer, tanto no mundo do empreendedorismo, quanto da tecnologia e ciência. Além disso, o Parque traz visibilidade para o projeto”, afirmam.

Para o secretário da Secti, André Joazeiro, estimular a criatividade das pessoas é compromisso essencial na formulação de políticas públicas na área da inovação. “Temos um povo criativo, que, diariamente, em suas próprias casas, criam soluções para diversos problemas do cotidiano. Com fomento, através de editais, queremos ajudar essas pessoas a desenvolverem suas técnicas e produtos. Para ser inventor, não é preciso estar trancado em um laboratório. Ideias surgem a todo o momento nos mais variados ambientes”.

Entre as vantagens de incubar uma startup no Parque Tecnológico estão isenção do IPTU, redução do ISS para 2%, atuação em rede, visibilidade no mercado, ambiente equipado e que permite uma ampla troca de experiência, dentre outros fatores. As empresas recebem consultorias, capacitações, mentorias e assessorias de empresas engajadas com o mercado e com conteúdo atualizado.

Fapesb recebe cerca de 300 ideias inovadoras no Programa Centelha Bahia

Lista com as 200 ideias selecionadas deve ser divulgada até o dia 5 de agosto

A segunda edição do Programa Centelha Bahia recebeu cerca de 300 ideias inovadoras. O Edital, que encerrou a fase de recebimento de propostas, é responsável por apoiar financeiramente inventores de todo o estado na elaboração de seus projetos e demais fases. A Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), informa que o Centelha 2 teve ideias submetidas por 847 participantes espalhados por 49 municípios.

Em relação às temáticas das ideias submetidas, dentre as 18 disponibilizadas, as que mais se destacaram foram Tecnologia Social (30,2%), TI e Telecom (11,4%), Inteligência Artificial e Machine Learning (10,1), Biotecnologia e Genética (9,4%) e Química e Novos Materiais (7,7%). Os municípios que mais submeteram propostas foram Salvador, Vitória da Conquista, Ilhéus, Feira de Santana e Jequié.

O Programa Centelha, que tem investimento de mais de R$ 4 milhões, visa estimular a criação de empreendimentos inovadores, a partir da geração de novas ideias, e disseminar a cultura do empreendedorismo inovador em todo território nacional, incentivando a mobilização e a articulação institucional dos atores nos ecossistemas locais, estaduais e regionais de inovação do país.

Na segunda fase, os 200 proponentes selecionados deverão elaborar seu Projeto de Empreendimento, detalhando o plano de negócio executivo com o objetivo de demonstrar as chances da sua ideia gerar um bom negócio. A terceira fase, com 100 proponentes selecionados, consiste no desenvolvimento do Projeto de Fomento, com apresentação detalhada do orçamento e do planejamento de execução do projeto.

Durante todas as etapas são oferecidas capacitações para auxiliar o empreendedor a aprimorar sua ideia e desenvolver seu negócio. Ao final, até 50 projetos serão contemplados na Bahia, cada um com recursos de R$ 86 mil, além de outros benefícios oferecidos pelos parceiros do Programa. Ainda, durante um ano, essas empresas passarão por uma etapa de acompanhamento com suporte e capacitação para transformar suas ideias em negócios de sucesso.

Na Bahia, a execução do Programa Centelha é da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesb), que é vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), enquanto no âmbito federal fica por conta da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). São também apoiadores o Conselho das Fundações de Amparo (Confap), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Fundação CERTI.

Casal desenvolve proposta de coleta seletiva e reciclagem do azeite de dendê

Com foco em Salvador, proposta tem o objetivo de estimular a economia circular e diminuir os impactos que o descarte do produto causa na natureza

O acarajé, que é patrimônio cultural do Brasil, é uma comida típica da Bahia e muito consumida pelos moradores e turistas. Mas você já se perguntou para onde vai o azeite de dendê usado nesta e em outras iguarias da culinária baiana? Esse foi o questionamento feito por Carolina Heleno e Flávio Cardozo. O casal fez uma pesquisa de campo e notou que devido aos problemas de gestão de resíduos da cadeia, 90% dos tabuleiros de acarajé não conseguem fazer o descarte adequado dos resíduos e não reciclam o produto. A partir disso, eles desenvolveram uma proposta voltada para a coleta seletiva, logística reversa e reciclagem de azeite de dendê em Salvador.

De acordo com Carolina Heleno, esse projeto, que faz parte da startup ÓiaFia!, uma saboaria artesanal, apresenta três soluções principais: EcoColeta, EcoPonto e E-Commerce. O primeiro tem o intuito de conectar o público-alvo. “A EcoColeta representa uma solução digital com mecanismos de coleta seletiva e logística reversa inteligente. Por meio de um aplicativo mobile, tabuleiros de acarajé, cooperativas e ecopontos serão mapeados, conectando a população às principais iniciativas de reciclagem”.

Já os outros dois pontos têm objetivo comercial e rentável. “Os resíduos de dendê serão então direcionados para o EcoPonto, um espaço físico onde serão reciclados por meio da produção de sabão. Posteriormente, os sabões de dendê reciclados serão comercializados por meio de um E-Commerce, que também disponibilizará a venda de créditos de reciclagem, possibilitando a compra por empresas, que poderão comprovar seu engajamento na compensação dos resíduos da cadeia de dendê”, explica Carolina.

A capital baiana possui cerca de 3.500 baianas de acarajé, que consomem mais de 6 milhões de litros de azeite de dendê por ano. Segundo Flávio Cardozo, as consequências para o meio ambiente são visíveis. “Os impactos ambientais desse processo são claros. O azeite despejado no ralo polui milhares de litros de água, causa a morte de várias espécies aquáticas, e causa o mau funcionamento das redes coletoras de esgoto, gerando altos custos ao município e a população”.

Carolina ressalta que além de ser socioambiental, a ideia fomenta a economia circular, conceito que une atividades econômicas e cuidado com a natureza, e gera benefícios aos envolvidos. “Não existe hoje uma instituição baiana que reúne essas soluções em um único modelo. As companhias existentes, que, geralmente, têm como foco apenas grandes redes, não conseguem atender pequenos empreendedores, como as baianas de acarajé. Nossas soluções buscam resolver esses problemas e desenvolver um modelo tecnológico expansível para outros tipos de óleos de fritura e regiões do país”.

O projeto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), está na fase inicial e busca mais patrocinadores. “Em paralelo ao desenvolvimento dos processos e tecnologias do projeto, a startup tem como próximos passos a busca de patrocínio, apoio e investimentos para montagem da fábrica e adequação da infraestrutura de equipamentos relacionados ao armazenamento, pré-tratamento, reciclagem e produção de sabão de azeite de dendê”, diz Carolina.

Os cofundadores Co-CEO da ÓiaFia também contaram com o apoio do Programa de Aceleração de Startups realizado pela Vale do Dendê, Google for Startups e a Qintess e o Programa Investe Mais, financiado pela MDC Energia. Além disso, a startup desenvolveu uma parceria com pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Pesquisadoras baianas desenvolvem cosmecêutico à base do licurizeiro

Além de combinar benefícios do cosmético e de produto farmacêutico, o projeto também fortalece agricultura familiar e produção da planta

O mercado de cosméticos e higiene pessoal é um dos que mais fatura no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor de cuidados pessoais faturou R$ 122,4 bilhões em 2020. Agregado a esse crescimento, o segmento de cosmecêutico, que é a combinação de cosméticos e produtos farmacêuticos, também mostra expansão. Visando esse ramo, a farmacêutica Cristiane Santos e a doutora em química e professora, Djane Santiago, desenvolveram um cosmecêutico através de partes não aproveitadas da árvore do Licuri.

A Syagrus coronata, palmeira que produz o licuri, é muito comum na região da caatinga baiana. Por isso, os alunos da professora Djane começaram a fazer questionamentos sobre as características do fruto. A partir disso, no ano de 2003, ela decidiu desenvolver uma pesquisa sobre o tema. “Devido à pouca literatura existente sobre o assunto na época, iniciei a pesquisa da cadeia produtiva do Licuri e das propriedades da palmeira. Percebi que muitas partes da planta eram subutilizadas. Nelas estavam presentes importantes bioativos utilizados na indústria de cosméticos”, explica Djane.

Hoje muitas pessoas têm optado por alinhar o uso de produtos estéticos com a saúde. Em razão disso, as pesquisadoras criaram o produto com base nas partes que são consideradas descartáveis da palmeira, como folhas, flores e bagaço. “O princípio ativo é obtido através do pé de Licuri, que tem propriedades benéficas para cabelo, pele e saúde em geral, a partir da utilização das suas várias partes da planta. O cosmecêutico à base do licurizeiro funciona de forma a entregar benefícios anti-inflamatórios, bactericidas, hidratantes, dentre outros”, diz Cristiane.

O projeto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), reforça a agricultura familiar, através da geração de emprego, e a utilização de fragmentos que, normalmente, não são usados da palmeira. “Ao utilizar as partes da palmeira que eram descartadas, fortalecemos a cadeia produtiva, agregando valor ao produto, e diminuindo a quantidade de resíduos através do aproveitamento integral da planta. Neste caminho, ocorre a valorização do trabalho da agricultura familiar”, afirma Cristiane.

O cosmecêutico está em fase de aprimoramento da fórmula para atender a escala industrial e adequar-se às regras da Anvisa para iniciar a comercialização. O produto de Cristiane Santos e Djane Santiago também tem parceria com a indústria Supernova Cosméticos, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba) e cooperativas de agricultura familiar da cadeia produtiva do licuri.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Pesquisadores baianos desenvolvem teste rápido para detectar menores bactérias do planeta

Micoplasmas causam doenças em humanos e animais de produção, como caprinos, bovinos, suínos e ovinos

As bactérias e doenças estão presentes em nosso planeta há milhares de anos. No decorrer do tempo, o homem foi compreendendo os microrganismos, seus benefícios e seus males, como, por exemplo, as micoplasmas, que são as menores bactérias conhecidas e causam infecções em animais e humanos. Com o intuito de disponibilizar no mercado uma opção para a identificação rápida da contaminação pelo organismo, Bruna Carolina, que é formada em biotecnologia, e um grupo de pesquisadores desenvolveram um teste rápido que detecta o micróbio em amostras provenientes de animais e de culturas celulares.

Os microrganismos causam diversas doenças, principalmente em animais de produção. “A contaminação por micoplasmas leva às doenças graves em animais, como pneumonia, poliartrite, mastite e serosite. Em sua maioria, acomete animais de produção de carne e leite e, por esta razão, além de ocasionar sofrimento intenso a estes animais, impacta financeiramente o setor produtivo. As bactérias também podem atuar como contaminantes de bioprodutos como vacinas e, por isso, toda a produção deve ser testada quanto à presença/ausência destas bactérias, a fim de evitar a contaminação em humanos”, explica Bruna.

De acordo com a especialista, os testes atuais do mercado são caros e demoram para disponibilizar os resultados. “Os métodos vigentes de detecção de micoplasmas são caros e laboriosos, além de demandar um tempo considerável para sua execução e conclusão. Diante disso, o mercado necessita de métodos que reúnam praticidade, rapidez e custo-benefício. A tecnologia proposta atende à necessidade do mercado, oferecendo rapidez, praticidade e baixo custo frente aos testes convencionalmente utilizados”, diz.

O produto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), constata a contaminação de forma ágil e não precisa de um local específico para ser usado. “O teste rápido identifica a presença de micoplasmas em uma amostra coletada do ambiente suspeito, através de uma interação com moléculas específicas para sua detecção. Ele é portátil e pode ser feito fora do ambiente laboratorial, sem a ajuda de um profissional habilitado”, afirma Bruna.

Nos próximos meses, os pesquisadores têm o objetivo de regulamentar o produto e produzir uma pequena quantidade de teste para iniciar a comercialização. Além de Bruna, o projeto conta com a colaboração de Lucas Miranda, Bruno Lopes, Hellen Braga, Nathan das Neves, Beatriz Almeida, Wesley Dias, Maysa Santos e tem parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba).

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A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Baiana utiliza flora da Região Metropolitana de Salvador para potencializar produção de óleos essenciais

Proposta tem o objetivo de fortalecer o cultivo da região, promover a geração de renda para a comunidade e diminuir o custo de produção

O mercado de óleos essenciais cresceu nos últimos anos. De acordo com informações divulgadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil é o quarto maior exportador em comparação a outros países. O produto, que é composto por extrato de plantas aromáticas concentrado, é usado para melhorar o bem-estar. Diante desse cenário, Sueli Conceição, moradora de Salvador, desenvolveu um projeto focado em óleos essenciais para potencializar o cultivo local e, a partir disso, baratear a produção.

A ideia surgiu quando Sueli percebeu que poderia explorar a flora da região para desenvolver óleos essenciais com um melhor custo-benefício. “Nasceu a partir da necessidade de incrementar e potencializar a produção dos fitocosméticos com os óleos essenciais produzidos aqui na região. É uma tentativa de baratear o custo dos produtos utilizando as plantas locais. Além disso, houve um aumento significativo de tratamentos usando ervas, florais e óleos essenciais. Logo, identifiquei um mercado promissor”, explica.

Segundo Sueli, que é Doutora em Desenvolvimentoe e Meio Ambiente, as plantas usadas serão cultivadas dentro de espaços de comunidades tradicionais da região, como terreiros da Região Metropolitana de Salvador e um quilombo em Simões Filho. “O objetivo é fortalecer o cultivo nas bases agroecológicas dentro dos espaços dos povos e comunidades tradicionais, em especial Terreiros de Candomblé e quilombo, evidenciando o protagonismo dos grupos que historicamente sempre promoveram a cura a partir da utilização das plantas. É uma forma de manter a prática de cultivo ancestral”, diz.

O projeto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), também tem o intuito de mostrar a sociedade que o uso de óleos essenciais pode ajudar no tratamento de doenças emocionais. “Queremos apresentar e divulgar para a sociedade a relevância dos óleos essenciais para tratamento de enfermidades emocionais, produzidos com plantas que fazem parte do nosso dia a dia, como aroeira vermelha (Schinus terebinthifolia), capim santo (Cymbopogon citratus) e manjericão (Ocimum basilicum)”, afirma.

A empresa de Sueli, Iya Omi Cosmética Natural, já desenvolve fitocosméticos, produtos que são elaborados a partir de extratos, óleos ou partes de vegetais. A produção de óleos essenciais é uma proposta recente e irá iniciar a fase de cultivo das plantas para obter os extratos. O empreendimento conta com a colaboração de Hegair das Neves (Engenheira agrônoma) e Carolina Cunha (Farmacêutica) e tem parceria com a Associação Awa Ações Afirmativas.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Baiana usa recursos do semiárido para criar sorvete com alto valor nutritivo

Produto associa biotecnologia com melhoria nutricional e usa frutas exóticas, vegetais e leite da região semiárida da Bahia
O sorvete é um produto muito consumido pelo mundo. Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Medicina da Universidade de Maryland, a sobremesa tem o poder de diminuir o mau humor e reduzir a agressividade. Porém, normalmente, esse doce não é saudável. Pensando em melhorar o valor nutricional do produto, Ivelise Santiago, moradora de Feira de Santana, desenvolveu um sorvete bioativo adoçado com mel e fermentado com frutas exóticas, vegetais e leite de vaca ou de cabra.
A ideia surgiu quando Ivelise, mestre em ciências farmacêuticas e doutora em biotecnologia, estava conversando sobre como entrar no mundo da sorveteria com produtos diferentes. “Associar o sorvete à biotecnologia e melhoria no valor nutricional surgiu em uma conversa com uma amiga e ex-orientadora de mestrado e doutorado, professora Elinalva Maciel. É um produto que traz o sabor doce e refrescante tradicional, mas com ingredientes nutritivos. Pode ser uma fonte de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes”, afirma.
Ivelise explica que o produto tem como base frutos exóticos que são comuns na região semiárida do estado da Bahia. “O sorvete à base de vegetais e frutas exóticas do semiárido baiano é uma alternativa de agregar valor e permitir a obtenção de novos sabores, gerando benefícios em uma nova opção de apresentação e de consumo para o público. Além disso, ajuda os pequenos produtores da agricultura familiar da caatinga e da mesorregião do Nordeste Baiano”.
O projeto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), tem o objetivo de oferecer uma opção de sorvete saudável para pessoas que buscam uma dieta mais equilibrada ou não pode consumir alimentos sem bons nutrientes.
“Temos o intuito de combinar o valor nutricional de frutas ou hortaliças, importantes fontes de vitaminas, minerais, antioxidantes e bactérias láticas, com a mudança nos hábitos alimentares da população. Queremos atender o público que vem buscando alimentos mais saudáveis ou que não podem consumir certos tipos de produtos”, diz Ivelise.
Bahia Faz Ciência
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação para contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Baiana desenvolve plataforma solidária que arrecada mantimentos para pessoas em vulnerabilidade

Além de permitir doações, projeto disponibiliza cursos para que os beneficiados possam mudar suas realidades

A vida da população brasileira está cada dia mais difícil. O número de pessoas que vivem em situação de pobreza no país triplicou no período de seis meses. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FV), o total de pobres chegou a 27 milhões em fevereiro de 2021, sendo que em agosto de 2020 era de 9,5 milhões. Diante desse cenário, Roseane Vieira, moradora da capital baiana, desenvolveu o Minha Cesta, um software de serviço que faz arrecadação de produtos e alimentos e doa para quem precisa.

A plataforma é 100% online e tem disponíveis planos de assinatura de cestas. De acordo com Roseane, o projeto tem o intuito de fazer com que o indivíduo faça doações periódicas e ajude aqueles que necessitam. “A Minha Cesta soluciona o problema da falta de constância das doações. Isso acontece por causa da contratação de pacotes com recorrência. A pessoa é estimulada pela importância da manutenção do recebimento desta assistência nas Instituições e para as famílias”, explica.

No entanto, a empresa foi além e criou o programa Minha Cesta + Educação. Roseane revela que sentiu a necessidade de quebrar o ciclo de dependência e dar às pessoas oportunidades para conquistarem a independência financeira. “Entendemos a necessidade de oferecer oportunidades para que os beneficiados possam mudar suas realidades. Disponibilizamos cursos e treinamentos para o mercado de trabalho, em parceria com empresas do ramo”.

De acordo com a CEO, a plataforma funciona como vitrine para empresas e instituições. Além disso, os doadores têm disponível vários descontos e promoções. “Minha Cesta permite que as empresas encontrem instituições mais fáceis, e ainda que as instituições acompanhem o trabalho umas das outras e possam fortalecer a rede de cooperação. Nossa proposta é criar um ciclo de sustentabilidade social, no qual todos que investem na rede recebam alguma forma de retorno, seja para seu benefício pessoal ou para impulsionar seu negócio. Para isso lançamos o nosso aplicativo de Clube de Benefícios, onde todos podem se beneficiar de descontos em produtos e serviços de nossas empresas parceiras”.

O software foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Agora, o planejamento é implementar o Calculadora de Planos. “O recurso permitirá ao assinante selecionar os itens que compõem o seu plano – alimentos, higiene pessoal, educação – e calcular o valor da sua assinatura dinamicamente. Isso tornará o fluxo de aquisição mais simples, rápido e flexível”, diz Roseane.

O projeto possui cerca de 20 instituições beneficentes e tem parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Vale do Dendê, Future Females, Business School, dentre outras organizações. Além disso, conta com a colaboração de Caio Marcus, Jade Nayara e Francisco Pimenta.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação para contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.