
Mosquito Zero foi lançado nesta segunda-feira (19) pela Secretaria Municipal de Saúde
Notificar possíveis focos de Aedes aegypti aos órgãos públicos deve ficar mais fácil em Salvador. Essa é a promessa do aplicativo Mosquito Zero, lançado nesta segunda-feira (19) pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Além de registrar focos, as pessoas podem, através do app, informar, em tempo real, casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika na cidade.
Quem vai responder às solicitações é a própria SMS: para isso, foi montado um Centro de Monitoramento na sede do órgão, na Rua Carlos Gomes, que vai registrar tudo em tempo real. Depois que a pessoa envia sua denúncia ou notificação, os agentes da secretaria que receberem a informação terão até 72 horas para responder à demanda – seja indo até o local, seja solicitando a ajuda de algum outro órgão. É possível até enviar fotos do local onde há suspeita de foco do Aedes.
Apesar de moradores de todos os bairros poderem baixar o software, nessa primeira fase de implantação, o aplicativo vai responder apenas às denúncias feitas nos bairros da Palestina e do Itaigara – os dois que tiveram os maiores índices no último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), que indica a infestação do mosquito e é divulgado a cada três meses pelo órgão de saúde. No caso da Palestina, em junho, o LIRAa foi de 4,6%; no Itaigara, 3,6%. Até 3,9%, o índice é de “alerta”. A partir daí, significa que há um alto risco de epidemia – como já é a situação da Palestina. Só para dar uma ideia, Salvador teve um LIRAa de 1,4%.
“Estamos começando as ações estrategicamente na Palestina e no Itaigara, porque é preciso ter cautela nesse primeiro momento, até porque são bairros com perfis diferentes”, explicou o gerente em pesquisa do Núcleo de Tecnologia da Informação da SMS, Alex Sandro Correia, que desenvolveu o software.
Quando a SMS receber a notificação pelo centro de monitoramento, vai ser a hora de dar encaminhamento para que os órgãos públicos envolvidos respondam – nem sempre vai ser só a saúde. É possível, por exemplo, que o foco suspeito seja um local com lixo acumulado, cabendo, assim, à Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb). Se for um carro abandonado, é a mesma coisa: mas, dessa vez, pode ser responsabilidade da Transalvador ou da Secretaria Municipal da Ordem Pública (Semop). Após os primeiros 90 dias, o Mosquito Zero deve ser ampliado para outros bairros – os 10 com maiores índices de infestação.
Orientação nos bairros
Nesta segunda-feira, inclusive, agentes de saúde e controle de endemias percorreram ruas da Palestina para conversar e orientar moradores sobre o aplicativo e como fazer as denúncias. A estudante de Pedagogia Rafaela Oliveira, 29 anos, foi uma das que gostaram da ideia. No ano passado, a filha teve chikungunya. “Tenho tanque fechado em casa, mas acho que falta conscientização de alguns vizinhos ainda. Às vezes, você faz a sua parte, mas o outro lado não faz a parte dele”, diz.
Para a líder geral de agentes de endemias do distrito de saúde de Cajazeiras, que inclui a Palestina, Evanize Cerqueira, o Mosquito Zero deve até ajudar que os moradores informem sobre problemas nas casas dos vizinhos. “Às vezes, muitos moradores não querem indicar o foco na casa do outro para não criar problema”.
A agente de saúde Ana Paula Medrado acredita que o software vai facilitar a vida dos servidores também. “A gente espera que tenha uma melhora, porque essa comunicação é muito importante, especialmente porque a Palestina é uma comunidade carente e distante (do centro da cidade)”.
Nesta terça-feira (20), os agentes de saúde da SMS vão caminhar pelas ruas do Itaigara para conversar com os moradores do local – assim como foi feito na Palestina.
Disponível para sistemas Android, o aplicativo é gratuito. A versão para iOS deve chegar em breve – daqui a cerca de três meses – mas é possível acessar o portal mosquitozero.com.br usando qualquer smartphone. Também é possível acessar nos idiomas Inglês e Espanhol, além de Português.
O Mosquito Zero é financiado pelo Ministério da Saúde e foi um dos vencedores do Concurso Ideias Inovadoras, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) – na época, em 2014, o app conquistou o 1º lugar na categoria Pós-Graduandos Lato Sensu e Stricto Sensu, em 2014. Por isso, foi o único programa no país selecionado pelo Governo Federal para receber recursos que viabilizassem o funcionamento.
Fonte: Correio 24horas
Link: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/com-maiores-indices-de-infestacao-de-aedes-aegypti-palestina-e-itaigara-poderao-usar-aplicativo-para-notificar-focos-do-mosquito/?cHash=398fc936832d8078bb950521ba32ba97