Giro na Ciência: Professor cria máquina 3D capaz de imprimir casas em 20 horas

Casas construídas em velocidade recorde e com a vantagem de exigir menos custos com mão-de-obra. São essas as grandes vantagens da Contour Crafting, uma impressora 3D gigante que pode produzir uma casa, feita por encomenda, em apenas… 20 horas.

A criação é de Behrokh Khoshnevis, professor da University of Southern California, que surpreendeu todo mundo mostrando que é possível imprimir em 3D uma casa de 230 m³, em menos de um dia inteiro, exatamente com o mesmo processo (camada por camada) que uma impressora 3D utiliza pra montar uma peça menor.

Os muros e paredes são feitos com camadas de concreto, mas o mais incrível é que a máquina pode ser programada para pintar paredes, adicionar telhas, pisos, encanações e fiação elétrica. A forma rápida como tudo isto é feito pode ser essencial para uma situação de desastre natural, por exemplo, em que as casas precisam ser reconstruídas em pouco tempo.

Assista ao vídeo em que Khoshnevis explica o processo e a tecnologia por trás da Contour Crafting.

Fonte: www.hypeness.com.br

FAPESB apoia XI Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação

De 19 a 21 de agosto o Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estará promovendo o XI Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação (CINFORM), em Salvador. Concebido como um espaço para reflexão sobre questões teóricas e práticas que afetam a área da Informação e as áreas correlatas, o evento deste ano tem como tema “Mundo digital: uma sociedade sem fronteira?”.

O Encontro reunirá pesquisadores, professores, estudantes, profissionais e estudiosos para dialogar e discutir, sob a ótica de diferentes campos de atuação e influência, as transformações sociais, econômicas, políticas e culturais da atualidade. As discussões estão divididas em três subtemas: 1) Acesso ao conhecimento: quebra das barreiras por meio de tecnologias digitais; 2) Transparência e opacidade da informação: reflexões sobre a atual conjuntura política; 3) Midiatização da informação: aplicações e implicações.

Além de palestras e mesas redondas, o evento oferece cursos que acontecem das 8h às 12h e das 14h às 18h, possibilitando aos interessados se inscreverem em mais de um.

Mais informações podem ser encontradas no site: blog.ufba.br/cinform

Entrevista: Mitermayer Galvão fala sobre o apoio da Fiocruz e da Fapesb para a CT&I na Bahia

Mitermayer Galvão, ex-diretor da Fiocruz – BA, um dos maiores centros de pesquisa do país, é líder e membro de importantes grupos de pesquisa nas áreas de saúde e meio-ambiente. Pesquisador apoiado pela FAPESB desde 2002, Mittermayer já desenvolveu diversos projetos de pesquisa e coordenou eventos voltados para problemas que acometem o estado da Bahia, como esquistossomose, hepatite C, meningites, leptospirose, dengue e tuberculose. Em maio deste ano, completou seu quarto mandato à frente da Fiocruz. Confira a entrevista de Mitermayer:

1- Qual é o papel da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz no desenvolvimento científico e tecnológico da Bahia?

A Fundação Oswaldo Cruz é a principal instituição de pesquisa para a saúde pública na América latina e tem um papel muito importante para a Bahia. Na década de 50 foi criado aqui um núcleo de pesquisa, vinculado ao Instituto Oswaldo Cruz do RJ. Não era uma unidade propriamente dita. Esse núcleo teve um papel importante naquela época, liderado pelo pesquisador baiano Otávio Mangabeira Filho, com foco principalmente nos estudos da entomologia das doenças endêmicas. Na década de 70, ele veio para Salvador e começou a expandir os estudos na área de esquistossomose, chagas e leishmaniose. No início da década de 80, esse centro avançado da Fiocruz se transforma em uma unidade propriamente dita e aí ele passa a ser o Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz da Fundação Oswaldo Cruz. No fim da década de 80, foi implantado aqui um laboratório avançado de saúde pública, com a finalidade de fazer o isolamento e caracterização do vírus da AIDS no Brasil. Isso foi um grande avanço. Em dezembro de 1993, nós assumimos a direção do centro e fizemos um plano diretor que envolvia a melhoria do espaço físico. Hoje em dia, a infraestrutura da Fiocruz Bahia é considerada de ponta para os nossos padrões no Brasil e também pelos colegas do exterior. Também definimos que era importante investir em recursos humanos. Então começamos ampliando nosso curso de pós-graduação que, inicialmente, era voltado exclusivamente para médicos patologistas. Incluímos os colegas das áreas de ciências biológicas e da saúde abrindo espaço para os estudantes de biologia, farmácia, veterinária, nutrição, enfermagem. Hoje temos estudantes de várias áreas, inclusive sociais, história e geografia. Essa diversidade de expertise permite que a gente execute um projeto com uma ação multidisciplinar, eu diria até transdisciplinar. Nós também criamos espaços coletivos multiusuários com os grandes equipamentos que geralmente estavam ligados a um determinado pesquisador e chamamos isso de plataforma. Estas plataformas estão disponíveis para todos os pesquisadores da unidade e do Estado da Bahia. Outro avanço importante é o fato de nós recebermos aqui estudantes desde o nível secundário, para fazer Iniciação Científica Júnior, até estudantes que vêm para fazer mestrado, doutorado ou pós-doutorado. Temos no nosso quadro pesquisadores de ponta para a C&T na Bahia e até para o mundo e, por isso, passamos a funcionar como referência. Eu não tenho dúvida que a Fundação Oswaldo Cruz tem um papel extremamente importante para o desenvolvimento científico e tecnológico no estado da Bahia, com foco principal na área de saúde.

2- Este ano, o senhor deixou a presidência da Fiocruz. Como o senhor avalia sua gestão à frente desta instituição tão importante para o país?

Evidentemente que a avaliação deve ser feita por outras pessoas, mas eu não vou me furtar de chamar a atenção para alguns avanços que eu coordenei. Nós conseguimos, no primeiro ano de nosso mandato, o orçamento de 1,6 milhões de reais que foi um valor considerável. Isso de alguma maneira nos permitiu atrair novos grupos de pesquisadores para trabalharem aqui na nossa unidade. Nós ampliamos as possibilidades para formar recursos humanos e, ao lado disso, conseguimos melhorar a estrutura física e adquirir equipamentos. Também ampliamos as nossas linhas de pesquisa. Criamos um programa de epidemiologia clínica e molecular. Organizamos grupos de atividades programáticas para o estudo da imunopatogênese das doenças para identificar biomarcadores. Também estimulamos pesquisas para a identificação de antígenos com potencial diagnóstico e de vacina. Estamos fazendo isso com a leishmaniose e já fizemos com relativo sucesso na leptospirose. Estamos trabalhando com uma coisa nova que é a terapia celular. Hoje existe um laboratório muito bem equipado no Hospital São Rafael numa parceria com a Fiocruz para trabalharmos com terapia celular. Além disso, criamos seções científicas mensais das quais participam nossos pesquisadores, convidados de fora e o público em geral. Além disso, esse centro passou a oferecer a todos os cidadãos aqui do Estado da Bahia uma biblioteca extremamente confortável, onde se tem acesso a mais de dois mil periódicos financiados pela CAPES. É comum chegar aqui e encontrar vários garotos sentados no computador. Alguns deles moram aqui nas comunidades mais carentes no entorno. Isso mostra que essa unidade faz ciência com inclusão social e redução das desigualdades. Nós criamos o Bloco da Camisinha, que era um bloco para chamar a atenção para o uso do preservativo no carnaval, onde distribuíamos preservativos gratuitamente e, com isso, estimulamos o governo a criar uma fábrica de camisinha no Acre. Eu não poderia deixar de dizer também que nós fizemos vários convênios com as universidades estaduais, com os institutos de pesquisa, com as associações de moradores de Salvador, com alguns municípios onde nós desenvolvemos atividades de pesquisa e também com grandes universidades internacionais. Enfim, eu acho que nós criamos paradigmas, que são utilizados hoje por nossos colegas de outras unidades da federação e do exterior. Eu acho que quando olhamos todas as atividades que nós desenvolvemos aqui, todas as pesquisas, concluo que tivemos sucesso.

3- Muito se tem falado sobre a expansão da produção científica no Brasil. O conhecimento produzido na Bahia está se transformando em desenvolvimento tecnológico para a população?

Realmente tem se falado muito da expansão da produção científica no Brasil. Eu não tenho dúvidas que o conhecimento produzido na Bahia tem contribuído para o crescimento do Brasil. Toda pesquisa na Bahia, até pouco tempo, estava concentrada na UFBA, e toda pesquisa na área de saúde na UFBA e Fiocruz. Mas hoje não, hoje você já encontra grupos de pesquisa em universidades daqui da Bahia, nas estaduais, nas escolas particulares, nas filantrópicas, e isso não só em Salvador, mas no interior também. Antes a pergunta era: você faz pesquisa? E você publica essa pesquisa em revistas de impacto? Nós aumentamos a publicação de pesquisas e hoje o Brasil está entre, eu diria, 13º ou 14º em termos de produção científica no mundo. Mas estamos lá em 47º no desenvolvimento tecnológico. Existe realmente uma dissociação entre a produção do conhecimento científico e do desenvolvimento tecnológico. Então hoje você produz artigos, publica em uma revista de impacto, mas vem a pergunta: você está gerando patentes? E esta patente que você gerou, está gerando riquezas e empregos? Então você vê que mudou o conceito. No nosso meio, e principalmente na Bahia, a maior quantidade de profissionais que formamos em termos de mestrado e doutorado é da área das humanidades. E aí você tem pouco desenvolvimento tecnológico. O que nós precisamos é fazer na área de desenvolvimento tecnológico o que está sendo feito na área de humanidades. Precisamos aumentar o número de mestres e doutores que possam contribuir para o desenvolvimento tecnológico da nação. Aí você tem que ter algumas ações induzidas. Por exemplo: antes tínhamos curso de pós-graduação apenas em patologia e abrimos um curso de biotecnologia. Sempre bati na tecla que deveríamos ter curso de biotecnologia na Bahia e os quatro primeiros cursos abertos aqui foram os da Fiocruz, UFBA, UEFS e UESC. E uma posição pessoal minha é que ao abrir as vagas, 50% delas deveriam ser demandadas pela indústria, porque seria uma forma de forçar a chegar em um produto; 30% seriam destinadas a pesquisas conforme o interesse do orientador; e 20% seriam para candidatos que teriam seus próprios projetos. Temos que ter profissionais dedicados para olhar e ver as oportunidades, estudar as patentes existentes. E indivíduos que digam o que está faltando no mercado, para que você possa induzir a produção de um conhecimento que possa desaguar num produto.

4- Na sua opinião, que desafios o seu sucessor terá que enfrentar nos próximos anos como diretor da Fiocruz?

Desafios sempre existem. Eu acho que gerir uma instituição onde transitam 500 pessoas por dia não é fácil, até porque o crescimento da unidade gera demandas, gera maiores gastos. Então quando nós aumentamos o número de indivíduos e de ações, precisamos de mais espaço. Aí começa a haver tensões. Nós precisamos de mais equipamentos e de uma boa manutenção para eles, e nós precisamos estar produzindo algo realmente relevante para o desenvolvimento científico e tecnológico e, no nosso caso, para a saúde. A maneira como nós trabalhamos aqui é de maneira colegiada. Nossas decisões são tomadas no conselho deliberativo que é composto de membros que representam diferentes setores, e nós trabalhamos com muita transparência. E aí eu sempre faço um apelo aos colegas: nós precisamos ajudar o diretor. Tem uma frase espetacular do John Kennedy que diz: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país”. Então utilizando esta frase do Kennedy eu diria que nós temos que perguntar aqui: o que eu posso fazer pela Fiocruz e obviamente, dessa forma, pelo diretor? Nós temos que ajudar o diretor para que ele tenha a tranquilidade de conduzir a instituição e dar a ele também a oportunidade de ser propositivo.

5- Como o senhor vê o papel da FAPESB no atual cenário de CT&I na Bahia e no apoio à Fiocruz?

Na história recente da Bahia para a C&T, a FAPESB é um divisor de águas. Temos o antes e depois da FAPESB. Sem sombra de dúvida a criação da FAPESB – e aí eu me orgulho de ser um dos indivíduos que lutou para isso – foi uma das coisas mais importantes para a Bahia. Com a FAPESB você pode ter recursos para desenvolver atividades de pesquisa, para a formação de recursos humanos, temos recursos que são alocados para estimular vetores do crescimento da economia da Bahia. Isso é fantástico, maravilhoso. A FAPESB realmente tem feito uma diferença muito grande. No momento em que você tem a FAPESB criando a oportunidade para que os pesquisadores preparem projetos, isso obviamente gera oportunidades para o avanço do conhecimento científico e do desenvolvimento tecnológico. Antes, pesquisa na Bahia só era feita na UFBA e na Fiocruz porque vinha indiretamente um dinheiro do Ministério da Saúde. Hoje os recursos estão indo para várias instituições. Existem editais inclusive que são orientados só para áreas menos desenvolvidas na área de pesquisa. Temos editais casados, o que é uma atitude inteligente, porque se você bota um edital para uma unidade que está lá no interior e que não tem um histórico de pesquisa, talvez esse recurso se perca. Mas no momento em que você faz um edital que força um casamento entre uma unidade avançada com outra menor, você está possibilitando que esses grupos cresçam. Talvez seja preciso ainda aumentar a quantidade de recursos na FAPESB, de forma a tornar aqui mais competitivo para captar recursos humanos de outras unidades da federação e atrair pesquisadores de outros países.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

FAPESB apoia projeto de Cultivo de Bijupirá em Pequena Escala

A aquicultura mundial cresceu significativamente nas três últimas décadas e o potencial do Brasil para o desenvolvimento desta atividade é grande já que, somente de costa marítima, o país é constituído por 8.400 Km, sendo quase 1.200 Km no estado da Bahia. Mesmo não havendo no Brasil registros oficiais do cultivo comercial de peixes marinhos, uma das espécies que vêm despertando grande interesse é o bijupirá, conhecido internacionalmente por cobia. O bijupirá é uma espécie de águas tropicais com grande potencial de cultivo, devido, principalmente, ao seu rápido crescimento e alto valor no mercado doméstico e internacional.

Embora já possua tecnologia de reprodução dominada no país, o seu cultivo está baseado no de salmão, que utiliza tanques-rede de grandes dimensões, instalados em alto mar e equipamentos e técnicas altamente complexas e dispendiosas, não permitindo a inserção do pequeno e médio produtor na atividade. Assim, faltam tecnologia e equipamentos que possam ser usados nas condições geográficas e que atenda ao perfil dos produtores encontrados no litoral da Bahia e do Brasil.

Após analisar este cenário, a empresa ST Serviços Técnicos em Aquicultura decidiu desenvolver, com o apoio da FAPESB, um sistema de cultivo ambientalmente sustentável e de baixo custo para a produção em pequena escala do bijupirá, em áreas que possam ser utilizadas por pequenos e médios produtores.

O projeto foi dividido em três etapas. Na primeira foi desenvolvido o projeto de design e engenharia e construídos os módulos de produção dos tanques-rede para as fases de berçário, crescimento e engorda do bijupirá. Nesta etapa, também foi solicitado ao INPI o registro da patente de invenção da balsa de flutuação, uma balsa de baixo custo, resistente, flexível e de fácil montagem. Na segunda etapa, foi instalada na ilha de Aracary, na Baía de Camamu, uma Unidade de Pesquisa para a realização de cultivo teste para validação e ajustes dos equipamentos desenvolvidos e definição do protocolo de cultivo. Esta etapa encontra-se em desenvolvimento e como unidade de apoio foi construída uma estrutura com galpão, para o armazenamento de ração e guarda de equipamentos e materiais. Na terceira etapa será desenvolvido um software para o gerenciamento da produção para auxiliar no controle, armazenamento, organização e processamento de dados técnicos e econômicos.

Devido ao alto custo da única ração para carnívoros marinhos disponível no Brasil, os pesquisadores da ST estão realizando diversos ensaios nutricionais com diferentes tipos de ração para peixes, a fim de chegar a um alimento que proporcione um desempenho técnico e econômico sustentável do cultivo do bijupirá. Os dados destes ensaios estão sendo sistematizados por bolsistas da área de nutrição animal e técnicos da Seta Aquicultura.

A substituição de parte da pesca extrativista pelo cultivo de peixes com a instalação de cultivos de bijupirá é uma alternativa viável de emprego e renda para as regiões pesqueiras da costa baiana. Esta mudança poderá dinamizar a economia local contribuindo para a melhoria dos indicadores sociais e econômicos locais. Além disso, a aquicultura não apenas é uma fonte geradora de alimentos como contribui para a preservação do meio ambiente, fazendo com que a população dependa cada vez menos da pesca extrativista e passe a controlar sua produção, gerando receita e melhorando sua dieta alimentar.

Fonte: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

Pesquisa deve ser de qualidade, não de quantidade

Depois de crescer em quantidade, a ciência brasileira enfrenta o desafio de melhorar a qualidade e aumentar seus impactos científico, social e econômico. Para isso, são necessárias, entre outras medidas, mudanças nos critérios de avaliação de pesquisadores e de instituições adotados pelas agências de fomento à pesquisa do país.

A análise foi feita por integrantes de uma mesa-redonda sobre “Impacto e avaliação da pesquisa”, realizada na terça-feira (23/07), durante a 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife (PE).

O encontro teve a participação de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com dados apresentados por Brito Cruz, desde 1980 vem aumentando o número de artigos científicos publicados por autores do Brasil. “Isso indica um avanço inconteste do sistema de ciência brasileiro, especialmente se levarmos em conta que é um sistema tardio [em comparação com países com tradição científica] e que ainda enfrenta grandes dificuldades”, disse Brito Cruz.

Mas o impacto dos artigos científicos brasileiros – medido pelo número de vezes que o trabalho é citado por outros pesquisadores – ainda é baixo. “Ao longo de sua história, a ciência feita no Brasil, na média, tem tido pouca repercussão internacional, atingindo 60% da média do impacto científico do restante do mundo”, ponderou Brito Cruz.

Um dos fatores apontados pelos participantes da mesa-redonda como responsável pelo baixo impacto da ciência feita no Brasil é a pouca cooperação de cientistas brasileiros com pesquisadores do exterior.

Segundo dados apresentados pelo diretor científico da FAPESP, nos últimos anos diminuiu muito a cooperação internacional dos cientistas brasileiros, evidenciada pela queda de 40% para 27% da publicação de trabalhos em coautoria.

“Esse é um dos menores percentuais de coautoria em artigos científicos observado hoje em países que fazem ciência e almejam ter alguma relevância no cenário científico mundial. É importante recuperarmos nossa capacidade de colaboração científica porque isso ajuda a aumentar o impacto”, disse Brito Cruz.

O Brasil publica muito mais trabalhos na área de ciências de plantas e animais, por exemplo, do que a Coreia do Sul. O impacto científico dos artigos científicos publicados pelos pesquisadores sul-coreanos nessa área, no entanto, é superior ao dos trabalhos publicados por brasileiros.

Em Física – área na qual a Coreia do Sul aumentou muito nos últimos anos sua quantidade de artigos publicados e o Brasil estacionou um pouco –, o impacto dos trabalhos publicados por cientistas brasileiros em 2012 cresceu mais do que o dobro da média mundial.

“Isso tem relação com a participação do Brasil nas grandes colaborações internacionais que há na área da Física [como os realizados no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça]. Esses trabalhos geram artigos muito citados na comunidade científica internacional porque têm muitas ideias fundamentais”, disse Brito Cruz.

Guimarães, por sua vez, destacou que os outros países latino-americanos colaboram mais com nações europeias e com os Estados Unidos do que com o Brasil. “O Chile tem seu observatório astronômico. Por isso, todo o mundo colabora com eles e o fator de impacto dos artigos científicos deles é mais alto. O Brasil se descuidou da colaboração científica internacional”, disse.

As universidades brasileiras também exercem pouca influência científica em comparação com instituições congêneres na Europa e nos Estados Unidos, destacou Brito Cruz. “É preciso que as universidades brasileiras progridam mais em termos de impacto científico mundial”, disse.

Ações necessárias

Uma das ações indicadas por Brito Cruz para aumentar o impacto da ciência feita no Brasil é proteger o tempo do pesquisador contra tarefas extracientíficas – como o preenchimento de relatórios para prestação de contas. Segundo ele, há poucas universidades no Brasil com escritórios voltados para auxiliar pesquisadores em tais tarefas, a exemplo do que fazem os Grants management offices nos Estados Unidos.

“As agências que financiam a pesquisa no Brasil precisariam cobrar muito mais das instituições de ensino e de pesquisa no momento em que se concede financiamento a um projeto, com relação à questão da proteção do tempo do pesquisador contra tarefas extracientíficas”, ressaltou Brito Cruz. “Não é possível obter crescimento de impacto se não dermos aos pesquisadores brasileiros condições similares de trabalho às que seus colegas nas universidades de Stanford ou de Oxford, por exemplo, possuem”, frisou.

Outras medidas sugeridas são aumentar a cooperação internacional, a visibilidade e o impacto das revistas científicas publicadas pelo Brasil – uma vez que 33% dos artigos científicos de autores brasileiros saem em periódicos nacionais –, e valorizar a qualidade, em detrimento da quantidade, dos artigos científicos publicados por pesquisadores na análise de seus projetos de pesquisa na hora de conceder financiamento ou na promoção de cargo, entre outras situações.

A necessidade dessa mudança de critério de avaliação de pesquisadores também foi ressaltada por Oliva. “Ao premiarmos a quantidade, em detrimento da qualidade dos trabalhos publicados, podemos sinalizar uma direção errada, desencaminhar os jovens pesquisadores e, eventualmente, contribuir para acomodar cientistas seniores naquilo que aprendemos rapidamente a fazer, que é publicar”, disse.

A mudança de critério de avaliação da qualidade dos trabalhos científicos publicados, em vez da quantidade, não implicará na diminuição do número de publicações, avaliou Oliva.

“Temos que superar a ideia de que quantidade e qualidade são necessariamente opostas. É possível manter a produção científica brasileira atual e, ao mesmo tempo, almejar mais”, afirmou.

Fonte: Exame.com

FAPESB participa de reunião das Fundações de Amparo à Pesquisa realizada pela CAPES

“Nossa intenção é interagir cada vez mais com quem está na ponta do sistema de ciência, tecnologia e inovação no país”. Foi com esse objetivo que o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, abriu a reunião da agência com representantes de 22 fundações de amparo à pesquisa (FAP) de todo o Brasil. O encontro aconteceu nesta terça-feira, 16, na sede da Capes em Brasília.

Hoje a Capes mantem acordos firmados com 19 Fundações de todo o Brasil. As modalidades de apoio se dão em formas de bolsas de estudo, da iniciação científica ao pós-doutorado, e recursos de custeio e capital. O investimento total desses acordos é da ordem de R$ 760 milhões.

Jorge Guimarães destacou a importância desses órgãos no desenvolvimento científico do país. “As FAPs são um grande instrumento para potencializar a ciência e tecnologia no Brasil. O número e o alcance das nossas fundações é fator inédito em qualquer país em desenvolvimento semelhante ao nosso. Agora, queremos aumentar nossas articulações com todos os Estados e assim avançar mais”, definiu.

Durante o encontro foi assinada uma portaria para instituir o Programa de Apoio e Parceria da Capes com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa – Programa Capes/FAP. Para o coordenador-geral de Programas Estratégicos da Capes, Manoel Santana, trata-se de um avanço significativo. “Hoje estamos institucionalizando nossa parceria com as FAPs. É um grande passo pois a partir de agora essa cooperação passa a ser uma ação de Estado, não apenas de governo, o que garante recursos, representa um apoio mais estável e cria procedimentos padronizados”, concluiu.

Na próxima semana acontece uma reunião do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Recife.

Fonte: Pedro Matos – Ascom/Capes

Foto por Guilherme Feijó – CCS/Capes

Diretor da FAPESB reúne-se com Presidente da Câmara dos Deputados para discutir mudanças na CF na área de CT&I

O diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), Roberto Paulo Machado Lopes, esteve presente na reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, no dia 16/07, em Brasília, para discutir a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), o Projeto de Lei e duas Medidas Provisórias referentes às ações de Ciência, Tecnologia e Inovação no país. Ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, Roberto Paulo participou da entrega da PEC que visa alterar e adicionar dispositivos na Constituição Federal para atualizar o tratamento das atividades de ciência, tecnologia e inovação. A PEC foi recebida pelo presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, o deputado Décio Lima.

De acordo com o deputado federal Sibá Machado, relator do Projeto de Lei 2177/11, que visa ao fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação como estratégia de desenvolvimento e competitividade, as estratégias convencionais de estímulo ao desenvolvimento econômico e social estão se esgotando. Neste contexto, a pesquisa nacional e a criação de soluções tecnológicas tornam-se fundamentais para enfrentar os problemas. Daí a importância de implementar mudanças na legislação brasileira no que tange a área de CT&I.

As mudanças propostas pela PEC incluem uma ampliação do escopo da norma constitucional introduzindo o termo “inovação” onde antes havia apenas ciência e tecnologia, de modo a fundamentar as ações articuladas entre academia e setor produtivo. A proposta sugere ainda uma desburocratização de procedimentos do sistema de CT&I, tornando-o mais eficaz e viabilizando novas formas de trabalho, além da possibilidade de compartilhamento de infraestrutura de pesquisa e do know-how adquirido pelas partes em projetos de cooperação.

Estiveram presentes na reunião da Comissão, além do diretor geral da FAPESB, o diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), Mário Neto, e o presidente do Conselho Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Sérgio Gargioni.

Por: Lorena Bertino – Ascom/FAPESB

Foto: Roberto Paulo, Sérgio Gargioni, Henrique Alves e Sibá Machado

FAPESB apoia VI Congresso Brasileiro de Herpetologia

De 22 a 26 de julho, Salvador sediará o VI Congresso Brasileiro de Herpetologia (CBH), que acontecerá no Fiesta Bahia Hotel. Este evento acontece a cada dois anos, intercalado com o Congresso Brasileiro de Zoologia, sendo palco de debates importantes sobre a Herpetologia Brasileira.

A programação geral do VI CBH inclui ampla diversidade de assuntos relacionados ao estudo de anfíbios e répteis. Embora a programação cubra muitos assuntos, o foco principal dos debates cairá sobre o tema do evento, Herpetologia Integrativa. Este tema atenta para a importância da integração de diferentes disciplinas na resolução de questões de maior importância para a Ciência.

O VI CBH terá diversas atividades simultâneas, tais como apresentações de trabalhos (painel e oral), palestras, conferências, mesas-redondas, oficinas e concursos. As atividades terão como cerne a discussão tanto de assuntos acadêmicos quanto aspectos aplicados envolvendo diagnósticos e soluções para problemas ambientais. O objetivo das discussões é promover colaborações entre pesquisadores, oferecer subsídios a profissionais de empresas e órgãos governamentais e aprimoramento da formação de estudantes.

Para maiores informações, acesse www.cbh13.com.br.

Fonte: Ascom/Fapesb com informações do Portal CBH

Edital de R$ 640 milhões vai apoiar parques tecnológicos e empresas

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), Glauco Arbix, lançaram nesta terça-feira (9) um edital de R$ 640 milhões voltado a parques tecnológicos em operação e em estágio de implantação. A chamada se destina, ainda, a empresas residentes nos parques ou em incubadoras.

O objetivo é atender ao Programa Nacional de Apoio às Incubadoras e Parques Tecnológicos do governo federal, que tem como meta elevar a produtividade e a competitividade da economia brasileira, através da ampliação do patamar de investimentos e de maior apoio para projetos de risco tecnológico.

Durante o evento, realizado no Rio de Janeiro, o ministro anunciou um reforço de R$ 10 milhões para o setor, que serão ofertados por meio de edital a ser lançado, em breve, pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). “Esses recursos vão atender a projetos de incubadoras de empresas”, disse Raupp.

Segundo ele, a competividade do sistema econômico depende de um ambiente mais amplo, não apenas de ciência e tecnologia, daí a necessidade de o MCTI trabalhar em parceria com outros ministérios para a implementação da política de inovação do governo federal.

“Esta chamada é mais uma iniciativa para aumentar o número e o nível das empresas que inovam e as parcerias com instituições de ciência e tecnologia, pois só desta forma conseguiremos entrar nas áreas de tecnologia de ponta e elevar a qualidade e a relevância dos projetos de inovação no Brasil”, afirmou o presidente da Finep, Glauco Arbix.

Ele anunciou que os próximos editais da agência de fomento irão abranger as áreas de mobilidade urbana e sustentabilidade. Também será lançado em breve o programa Finep 30 dias, que vai reduzir os prazos de enquadramento dos méritos dos projetos apresentados à Agência dos atuais 112 dias para 30 dias.

Para a presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Francilene Procópio Garcia, um dos destaques da chamada é a flexibilidade na composição do edital, que inclui recursos não reembolsáveis, crédito e investimento. “É tudo o que precisamos para dar um salto significativo neste ambiente de inovação, promovido pelos parques tecnológicos”.

Instrumentos

Os R$ 640 milhões serão concedidos por meio de três instrumentos. O primeiro, de R$ 90 milhões em recursos não reembolsáveis, vai apoiar parques tecnológicos em operação e em processo de implantação, de forma a viabilizar a consolidação do projeto.

As propostas deverão ser encaminhadas até o dia 17 de agosto via Formulário de Apresentação de Propostas (FAP´s), que estará disponível no site da Finep a partir de 29 de julho. É obrigatório o envio de uma cópia impressa da proposta até o dia 18 de agosto. No caso dos parques em operação, serão apoiados projetos de no mínimo R$ 6 milhões até o limite de R$ 14 milhões. Já para propostas de parques em fase de implantação, o valor mínimo é de R$ 2 milhões e o máximo, de R$ 5 milhões.

Também destinado a parques tecnológicos em operação e em implantação, o segundo instrumento oferecerá R$ 500 milhões em crédito. Neste caso, a solicitação de recursos ocorrerá respeitando o procedimento atual de análise de propostas adotado pelo programa Inova Brasil, que opera taxas de 2,5% a 5% ao ano, com carência de 48 meses e prazo final para pagamento de 120 meses. Neste tipo de operação, é exigida contrapartida financeira de 20% do valor pleiteado à Finep.

O terceiro instrumento se constitui de um fundo de investimento – Fundo Inova Empresa MPE, de R$ 50 milhões. É destinado a empresas apoiadas por incubadoras e parques tecnológicos, ou ainda, graduadas até dois anos, através de participação no capital e apoio gerencial. Para essas empresas, a Finep também oferece possibilidades de captação de recursos reembolsáveis por meio de seus programas Inova Brasil e Inovacred.

Fonte: Portal do MCTI

Fapesb abre Edital de Cooperação Internacional

Estão abertas as inscrições para o Edital Nº 025/2013 – Cooperação Internacional FAPESB/INRIA/INS2i-CNRS. Este edital é fruto da cooperação entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), o Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique (INRIA) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), através do Institut des Sciences de l’Information et de leur Interactions (INS2i).

O objetivo do Edital 025/2013 é apoiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação através de projetos conduzidos por pesquisadores vinculados a instituições do Estado da Bahia, em parceria com pesquisadores de instituições da França. Os projetos conjuntos deverão ter como foco a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) na área das ciências e tecnologias da informação e comunicação (TIC). Os proponentes deverão ser doutores vinculados a instituições de ensino superior e/ou pesquisa ou centros de pesquisa (IES/ICTs), públicos ou particulares (sem fins lucrativos), localizadas no Estado da Bahia.

Para este edital, foram alocados recursos financeiros não-reembolsáveis no valor de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais), sendo que cada proposta deverá obedecer ao limite máximo de R$ 100.000,00 (cem mil reais). O preenchimento do formulário online poderá ser feito até as 17h30 do dia 17/09/2013.

Clique aqui para ver o Edital.

Por: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb