Estudantes questionam o critério de concessão de bolsas do CsF

A exclusão de cursos da área da saúde e humanas do último edital do programa Ciências sem Fronteiras (CsF) foi tema de debate em audiência pública realizada, na última quinta-feira (13), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

A exclusão de cursos da área da saúde e humanas do último edital do programa Ciências sem Fronteiras (CsF) foi tema de debate em audiência pública realizada, na última quinta-feira (13), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

O presidente da Frente Parlamentar da Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), e também requerente da audiência, levou à bancada uma série de reclamações feitas por estudantes sobre as razões para o programa ter concedido tão poucas bolsas de pós-graduação a estudantes das áreas de ciências humanas.

Segundo o coordenador do programa, Geraldo Nunes, a escolha do direcionamento das bolsas foi feita pela presidente da República, Dilma Rousseff. “Então houve uma retirada: jornalismo, administração, comunicação, entre outros. A presidenta solicitou que os próximos editais contemplassem exclusivamente as áreas que fossem com enfoque exclusivo tecnológico”.

Representando a classe de estudantes, a aluna de biblioteconomia da Universidade de Brasília (UnB) Maria Luiza dos Santos relatou sua frustração ao contar que se preparou o ano todo para concorrer à vaga e soube, somente em novembro, que seu curso tinha sido cortado da lista.

De acordo com a estudante, alunos de todo o país se juntaram em um movimento de protesto batizado de Ciência com Fronteiras e acionaram o Ministério Público. “Ainda falam que é questão de área prioritária, mas no meu caso de editoração e publicações eletrônicas envolve tecnologia”.

Outro assunto abordado no encontro foi atraso no pagamento de bolsas para estudantes brasileiros que estão na Europa. Segundo o coordenador do programa, o Banco do Brasil não sabia que haveria dificuldades em efetuar o pagamento para estudantes de pequenas cidades europeias, onde não há representações do Banco do Brasil e o pagamento tem que ser repassado via bancos locais.

“O Banco do Brasil se deparou com essa dificuldade agora. Nós estamos cotidianamente nos reunindo com a instituição financeira para resolver isso. Nós não sabíamos que esses bancos não têm nem código internacional para recepção de recursos externos”.

Fonte: Agência Gestão CT&I de Notícias com informações da Agência Câmara

FAPESB e Conselho Curador reúnem-se para fazer balanço geral de 2012

Nesta terça-feira, 18/12, o Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB reuniu-se para discutir e avaliar as ações do ano de 2012. O Diretor Geral, Roberto Paulo Machado Lopes, fez uma apresentação sobre o trabalho realizado pela Fundação, que, neste ano, lançou 26 editais e uma chamada pública.

Nesta terça-feira, 18/12, o Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB reuniu-se para discutir e avaliar as ações do ano de 2012. O Diretor Geral, Roberto Paulo Machado Lopes, fez uma apresentação sobre o trabalho realizado pela Fundação, que, neste ano, lançou 26 editais e uma chamada pública. Lopes destacou a reestruturação dos editais para a formação de redes de apoio, a parceria da FAPESB com universidades públicas, a assinatura do Acordo de Cooperação CAPES-FAPESB para apoiar os cursos de pós-graduação na Bahia e o apoio para criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ambientes Marinhos e Ciências Tropicais.

Outro aspecto muito relevante foi a ampliação do número de bolsas de mestrado, doutorado e principalmente das cotas de bolsas de Iniciação Científica e para Programas de Pós-Graduação stricto sensu. Além do número de bolsas concedidas, a FAPESB aumentou o valor de quatro modalidades de bolsa, equiparando-as aos valores praticados pelo CNPq. Cerca de cinco mil bolsistas foram apoiados pela Fapesb em 2012. Quanto aos eventos, 115 receberam o apoio da FAPESB, sendo 96 eventos científicos e/ou tecnológicos e 19 eventos de inovação e/ou empreendedorismo. Na participação em eventos, 53 pesquisadores foram apoiados.

Alguns editais inéditos foram lançados em 2012, dentre eles o Apoio Financeiro para Projetos de Pesquisa para o Programa Ciência sem Fronteiras; o Apoio à Formação em Línguas Estrangeiras para Certificação de Candidatos ao Programa Ciência sem Fronteiras; o Apoio à Formação de Redes para Articulação entre Pesquisa e Extensão; e o Apoio à Inovação em Práticas Educacionais nas Escolas Públicas da Bahia, lançado nesta segunda-feira, 17/12.

Segundo Lopes, já está previsto para o início de 2013 o lançamento de dez editais, sendo um deles voltado para o jovem cientista, que apoiará doutores com menos de cinco anos de formação.

Fonte: Ascom/Fapesb

FAPESB e IAT lançam edital voltado para Inovação da Educação nas Escolas Públicas da Bahia

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB lançou hoje, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado e o Instituto Anísio Teixeira – IAT o Edital de Inovação em Práticas Educacionais nas Escolas Públicas da Bahia.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB lançou hoje, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado e o Instituto Anísio Teixeira – IAT o Edital de Inovação em Práticas Educacionais nas Escolas Públicas da Bahia. A solenidade de lançamento do Edital aconteceu no IAT e contou com a presença do Secretário de Educação, Osvaldo Barreto, do Diretor Geral da FAPESB, Roberto Paulo Lopes, da Diretora Geral do IAT, Irene Cazorla, do Presidente da Academia de Ciências da Bahia, Roberto Santos, do coordenador de Educação Superior da Secretaria de Educação, Nildon Pitombo, da Coordenadora Geral do Programa Ciência na Escola, Shirley Costa, da Formadora de Geodinâmica, Célia Senna, da Superintendente de Desenvolvimento da Educação Básica, Amélia Maraux e do Diretor de Formação e Experimentação Educacional do IAT, Jeudy Aragão.

Antes da assinatura do Edital, um grupo de alunos do ensino fundamental apresentou uma pequena encenação de uma sequência didática com a articuladora Tereza Faria. O intuito foi exemplificar uma aula utilizando o livro “Bahia, Brasil – Espaço, Ambiente e Cultura”, lançado pelo Secretário Osvaldo Barreto em agosto deste ano.

A Coordenadora Geral do Programa Ciência na Escola, Shirley Costa, agradeceu pelo trabalho e esforço dos articuladores regionais do Programa: “Os articuladores são guerreiros que entenderam e se comprometeram com o papel de levar ciência para a sala de aula” disse, convidando de um a um a se levantarem para receberem os agradecimentos do público.

Nildon Pitombo falou sobre o livro “Bahia, Brasil – Espaço, Ambiente e Cultura” e da sua preparação, lembrando que algumas escolas já o estão utilizando este ano. “A meta da Secretaria de Educação é fazer com que a educação científica se torne realidade plena em todas as salas de aula”, disse. Segundo Pitombo, a intenção ao criar o livro foi fazer com que os alunos aprendessem de forma mais prazerosa as explicações de ciências representadas por textos e fotografias de alta qualidade, saindo do formato de livro didático convencional. “Desejo que esse material de multiplique, que permaneça dentro da escola criando raízes.”

Irene Cazorla agradeceu às instituições que colaboraram para a construção do Programa Ciência na Escola. “Esse programa só tem sentindo se garantirmos o direito de aprender das nossas crianças e alfabetizá-las plenamente na língua materna, na matemática, nas ciências, na arte, na cultura”, disse. “Eu só queria deixar uma mensagem para esses jovens que estão aqui: 50% das vagas das universidades públicas são de vocês. Vamos fazer valer esse direito”, concluiu Cazorla.

Roberto Paulo Lopes disse que o Programa Ciência na Escola contribui muito para o esforço de incorporar a ciência e tecnologia à vida dos baianos. “Sem dúvidas as ações desse projeto contribuem de forma decisiva para uma coisa que eu considero fundamental que é ampliar a percepção da importância da ciência na vida das pessoas.” Lopes parabenizou a Secretaria de Educação pela mudança de atitudes e padrões de comportamento que contribuiu para melhorar a qualidade das instituições do estado da Bahia e falou de sua satisfação em assinar o Edital de Inovação em Práticas Educacionais nas Escolas Públicas da Bahia, em convênio com o IAT. “Considero este Edital extremamente emblemático porque essas parcerias com as secretarias e as empresas permitem que possamos usar a ciência e tecnologia para atacar as demandas básicas da sociedade”, disse. “Este Edital nos permitirá desenvolver tecnologias e conhecimento para resolver um problema específico da Bahia que é das práticas educacionais”, completou. Lopes lembrou que no início de 2013 a FAPESB lançará um edital de Iniciação Científica Júnior em parceira com o CNPq, que disponibilizará bolsas para alunos do ensino médio.

O Presidente da ACB, Roberto Santos, disse que o conhecimento é o elemento fundamental para se viver na sociedade de hoje. “É emocionante ver como em pouco tempo se criou todo um sistema que conduz à formação da juventude, desde os seus primeiros anos de vida, de forma correta”, falou Santos, sobre o Programa Ciência na Escola. “Qualquer um que aqui se encontra pode estar preparado e se candidatar a qualquer atividade na sociedade e, para isso, este começo, desde a alfabetização, passando pela alfabetização cientifica, se torna um fator indispensável”, disse, dirigindo-se aos alunos da plateia.

O Secretário Osvaldo Barreto falou sobre o trabalho notável que a FAPESB vem desenvolvendo com foco nas escolas, através de seus editais de Popularização da Ciência e do Edital de Inovação em Práticas Educacionais assinado hoje: “Esse convênio que celebramos hoje aqui, e que é o segundo que a Secretaria celebra com a FAPESB, representa um aporte de 3 milhões de reais para o desenvolvimento da escola”, enfatizou Barreto. “Certamente virão outros editais e mais recursos para o desenvolvimento da ciência e o desenvolvimento de cada uma de nossas escolas da rede estadual da Bahia.”

O Edital de Inovação em Práticas Educacionais visa incentivar a produção de conhecimento de modo a contribuir para a melhoria da qualidade da educação pública, com foco na melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem e o fortalecimento da escola pública baiana. Os projetos submetidos poderão ser oriundos de qualquer área de conhecimento, desde que suas contribuições sejam voltadas para a resolução de problemas e promoção de melhorias da qualidade do ensino. O total dos recursos financeiros alocados para este Edital é no valor de R$ 3,3 milhões, sendo R$ 3 milhões do IAT e R$ 300.000 da FAPESB.

Clique aqui para conferir o Edital.

Fonte: Lorena Bertino -Ascom/Fapesb
Foto: Roberto Paulo Lopes, Osvaldo Barreto e Irene Cazorla assinam Edital

Com apoio da FAPESB, empresa desenvolve game educativo sobre civilizações

A empresa Sinergia Games, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), desenvolveu um jogo para desenvolvimento pessoal, chamado “Histórias da Terra”.

A empresa Sinergia Games, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), desenvolveu um jogo para desenvolvimento pessoal, chamado “Histórias da Terra”. Trata-se de um jogo de conteúdo mitológico que traz ensinamentos sobre o surgimento do universo, o início da raça humana, a história das civilizações e o fim do mundo. Por este motivo, o game será lançado em 21 de dezembro de 2012, dia em que, segundo profecias Maias, haverá o fim do mundo.

Em “Histórias da Terra”, o jogador pode visitar diferentes civilizações por meio de um Avatar, que assume novas características de acordo com o local e a época em que se encontra. O jogo inclui, também, abordagens de autoajuda e desenvolvimento pessoal de pensadores como Carl Jung e Georg Gurdijieff, cientistas como o antropólogo inglês Robert Temple e o historiador russo Zecharia Sitchin, dentre outros antropólogos e especialistas em mitologia e história.

De acordo com Cristhyane Ribeiro, coordenadora da equipe que desenvolveu o Histórias da Terra, nos jogos eletrônicos, a resolução de problemas está fortemente relacionada aos processos cognitivos, como é especialmente o caso dos RPG (role-playing game) e os jogos de estratégia. “A característica principal destes tipos de jogos está no desenvolvimento de uma série de habilidades cognitivas do jogador, desde a utilização de habilidades mais simples relacionadas com o conhecimento dos elementos do jogo, chegando a raciocínios elaborados de avaliação e tomada de decisão”, diz. Assim, os criadores decidiram transformar conteúdos escolares em um jogo educativo, tão atraente quanto os games comerciais.

História da Terra estará disponível no site www.historiasdaterra.com.br a partir do dia 21/12 e poderá ser jogado também no facebook www.facebook.com/hISTORIASDATERRA . Além disso, a equipe fará uma Web Série de quadrinhos digitais baseados na história do jogo que estará disponível no youtube, onde serão publicados episódios semanais, no canal https://www.youtube.com/hISTORIASDATERRA. O teaser de Histórias da Terra pode ser visto em http://youtu.be/aI8PdybRGLY.

Fonte: Ascom/Fapesb

UNEB concede título de doutor honoris causa a Roberto Santos

Será nesta terça-feira (11), às 16h, no Teatro UNEB, Campus I, em Salvador, a cerimônia de outorga do título de doutor honoris causa ao professor-doutor Roberto Santos.

Será nesta terça-feira (11), às 16h, no Teatro UNEB, Campus I, em Salvador, a cerimônia de outorga do título de doutor honoris causa ao professor-doutor Roberto Santos.

Ex-governador da Bahia (1975-1979) e ministro da Saúde (1986-1987), atualmente presidente da Academia Baiana de Ciências, Roberto Santos idealizou e implantou em seu governo o Museu de Ciência e Tecnologia (MC&T), inaugurado em fevereiro de 1979, o primeiro equipamento do gênero da América Latina, hoje vinculado à UNEB.

A solenidade, presidida pelo reitor Lourisvaldo Valentim, será pretigiada pelo grupo gestor, diretores de departamento, outros gestores e comunidade acadêmica da universidade, contando com a participação de muitos convidados, entre autoridades, parlamentares, acadêmicos e lideranças comunitárias.

O evento terá transmissão ao vivo, via internet, neste link: mms://aovivo.uneb.br/teatro.

Sexto título outorgado

Nos quase 30 anos de implantação da UNEB, esta é a sexta vez que a instituição outorga o título de doutor honoris causa.

Honraria acadêmica mais importante da universidade, o título é concedido a personalidade que tenha se distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos.

O primeiro agraciado foi Thabo Mbeki, em 2000, então presidente da África do Sul. Em 2008, foi a vez de Abdias do Nascimento, dramaturgo e ativista político, receber o título. O terceiro homenageado foi o historiador e escritor baiano Luís Henrique Tavares, que recebeu o título em março de 2009. Naquele mesmo ano, no mês de setembro, a quarta honraria foi concedida à líder religiosa Mãe Stella de Oxóssi. O mais recente homenageado com a honraria foi o educador Edivaldo Machado Boaventura, primeiro reitor da UNEB, cuja cerimônia de outorga foi realizada no último mês de junho.

Mais informações no portal www.uneb.br.

Serviço
O que: outorga do título de doutor honoris causa a Roberto Santos
Quando: terça-feira, 11 de dezembro, às 16h
Onde: Teatro UNEB, Campus I, no Cabula, em Salvador

Fontes alternativas de energia é tema de debate no 4º Encontro Preparatório

As fontes alternativas de em energia e sustentabilidade foi o tema debatidos na manhã de sexta-feira (07/12), último dia do 4° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, realizado em Salvador e que teve início na quarta-feira (05/12).

As fontes alternativas de em energia e sustentabilidade foi o tema debatidos na manhã de sexta-feira (07/12), último dia do 4° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, realizado em Salvador e que teve início na quarta-feira (05/12). Coordenada pelo Diretor Geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, Roberto Paulo Lopes, a mesa trouxe quatros palestrantes. O papel das fontes alternativas renováveis de energia no atendimento a minirredes isoladas foi a primeira apresentação, feita professor titular João Tavares Pinho, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

De acordo com ele, as minirredes tem um papel importante na região norte, porque um grande número de pessoas vivem em comunidades isoladas, sem acesso às redes normais de transmissão de energia. “Apenas no Pará, são 280 mil habitantes que vivem isoladas individualmente ou em pequenas comunidades”, contou Pinho, que é coordenador do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), da UFPA, e do Instituto Nacional de Ciência e tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-EREEA). “Estima-se que esse número seja pelo menos 20% maior e que no Brasil chegue a 1,1 milhão de pessoas. Há pouca preocupação real com essa população.”

Durante sua palestra, Pinho falou sobre os vários projetos e minirredes implantadas pelo Gedae no Pará. O grupo usa várias fontes para gerar energia, como solar (fotovoltaica e térmica), eólica, hídrica (hidrelétricas de pequeno e médio prazo) biomassa (combustão, gaseificação e óleos, por exemplo), marés e ondas. Apesar dos avanços, ainda há problemas a serem resolvidos para que as minirredes se tornem a solução para o fornecimento de energia para comunidades isoladas da Amazônia. “Um dos maiores é a sustentabilidade dos sistemas de eletrificação de áreas isoladas”, explicou. “Fatores como pobreza, falta de instrução e de políticas públicas ou a má utilização da energia tornam a sustentabilidade difícil.”

Para superar isso, é importante determinar o real potencial dos recursos e das demandas energéticas das comunidades isoladas. Além disso, é necessário difundir o conhecimento sobre as tecnologias e capacitar recursos humanos para lidar com elas. “Deve-se também apoiar as instituições de ensino e pesquisa e nacionalizar os equipamentos”, disse Pinho. “Assim como estabelecer regulamentação e normatização apropriada e criar reais possibilidades de aplicações produtivas da energia gerada pelas minirredes.”

Médico com mestrado em saúde comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e PhD em epidemiologia pela Universidade de Londres, o Acadêmico Mauricio Lima Barreto tratou de saúde, energia e sustentabilidade em sua palestra. Com a mortalidade infantil decrescendo e a expectativa de vida aumentando, o maior consumo médio per capita de energia nos países aumenta a chance de sobrevivência. “Criamos condições mais propícias para a vida, mas em um equilíbrio instável. Precisamos avançar”, observou o cientista.

Barreto apresentou dados mostrando que a transformação da sociedade humana fez com que os problemas fossem se transformando também, desde o saneamento domiciliar, passando pela poluição urbana até a emissão de gases de efeito estufa. Nesse sentido, a posição do Brasil no cenário internacional é boa. Existe um bom suprimento e bom acesso à água limpa, o que tem imenso impacto na saúde humana. Em termos de saneamento básico, o país evoluiu bastante, mas a situação ainda é precária em muitas regiões. Em torno de 85% da população urbana tem acesso à eletricidade. A falta de acesso à eletricidade afeta 1,6 bilhão de pessoas no mundo, gerando riscos adversos à saúde.

Por outro lado, o padrão de mortalidade por doenças infecciosas no Brasil se aproxima hoje dos países de primeiro mundo, o que é positivo. “As tendências das causas de morte mudaram. O que mata mais, atualmente, são as doenças crônicas e a violência”, disse. Ao mesmo tempo em que o país resolve seus problemas de nutrição, o sobrepeso da população está aumentando muito. A diminuição da atividade física em geral trazida pela energia elétrica é muito grave, a cada ano há um aumento da obesidade. “Apesar de todas as transformações positivas, ainda temos uma carga grande de doenças graves”, alertou o palestrante.

O médico e Acadêmico Esper Abrão Cavalheiro falou sobre a profícua associação entre nanotecnologia, informática, biotecnologia e neurociência. O Acadêmico comentou que o período entre 1990 e 2000 foi considerado, em termos de estudos científicos, a década do cérebro. Uma das razões para isso se deve ao fato de que, devido sua natureza crônica, as doenças neurológicas tem maior peso econômico e social que as demais, inclusive as cardiovasculares. O início do século XXI, de acordo com Cavalheiro, tem sido caracterizado como a era da mente: a prioridade passou a ser a compreensão dos mecanismos da mente humana, envolvendo “tratá-la e protegê-la, incrementar o seu potencial e até configurá-la”, observou o palestrante.

A ação sinérgica de quatro campos científicos e tecnológicos que apresentaram crescimento acelerado nas últimas décadas — nanotecnologia, biotecnologia, tecnologias de comunicação e informação e ciências cognitivas (neurociência) — tem sido intitulada convergência tecnológica (CT). Cavalheiro vem estudando esse conceito e acompanhando as principais discussões que vêm ocorrendo na comunidade científica internacional sobre o seu desenvolvimento.

Cavalheiro citou alguns resultados já alcançados pela convergência tecnológica. Do ponto de vista clínico, os avanços mais significativos estão relacionados ao aumento do conhecimento sobre o desenvolvimento normal do sistema nervoso, às técnicas de imagem funcional, à identificação dos mecanismos da plasticidade neural e à neurofarmacologia da adição ou dependência química, entre outros. Com relação a esse último aspecto, o médico explicou que a integração dos conhecimentos proposta pela CT trouxe avanços também na área de medicamentos “neurocêuticos”. Cavalheiro classifica esses remédios em três categorias. Os “cognicêuticos” atuam nos processos de tomada de decisão, atenção, aprendizagem e memória; os “emociocêuticos” atuam no humor, sentimentos, motivação e alerta; e os “sensocêuticos” são os que atuam na recuperação e aprimoramento dos sentidos, permitindo formas diversas de sensações.

Fonte: Ascom ABC/ Ascom SBPC

Retomada das autorizações de pesquisas é discutida em Brasília

Novos investimentos na exploração de petróleo e gás, que podem alcançar R$ 800 milhões em quatro anos, e a retomada das autorizações de pesquisa e lavra mineral na Bahia foram discutidos, nesta semana, em Brasília, pelo secretário estadual do Planejamento, José Sergio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Novos investimentos na exploração de petróleo e gás, que podem alcançar R$ 800 milhões em quatro anos, e a retomada das autorizações de pesquisa e lavra mineral na Bahia foram discutidos, nesta semana, em Brasília, pelo secretário estadual do Planejamento, José Sergio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Gabrielli apresentou um parecer jurídico da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) para que o governo federal autorize a assinatura dos contratos relativos aos blocos da Bacia de Tucano Sul, no nordeste da Bahia, leiloados durante a oitava rodada.

Postos de trabalho – “Os leilões promovidos pela Agência Nacional de Petróleo foram suspensos, em novembro de 2006, por duas liminares, depois de licitados 38 dos 284 blocos ofertados. O objetivo é retomar a atividade exploratória no semiárido baiano, principalmente nos municípios de Olindina, Nova Soure, Antas, Sátiro Dias e Biritinga”, explicou Gabrielli.

Segundo ele, o investimento criará, ao menos, mil postos de trabalho. Adicionalmente, o secretário conversou sobre o relatório da última reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República, presidido pelo ministro Edison Lobão.

Até 2015, a projeção é que o investimento privado no setor de mineração na Bahia alcance R$ 20 bilhões, gerando emprego e renda no semiárido baiano, segundo o secretário do Planejamento.

De acordo com o cadastro de produtores minerais do estado, até o momento, existem 340 empresas atuando na Bahia. Em 2011, a produção mineral comercializada no estado superou os R$ 2 bilhões.

Fonte: SICM com informações do Diário Oficial

4º Encontro Preparatório mostra Desafios e perspectivas em Energia e Sustentabilidade

Na tarde de sexta-feira, 07/12, aconteceu a quarta e última rodada de palestras do 4° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, com o tema “Desafios e Perspectivas em Energia e Sustentabilidade”.

Na tarde de sexta-feira, 07/12, aconteceu a quarta e última rodada de palestras do 4° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, com o tema “Desafios e Perspectivas em Energia e Sustentabilidade”. O evento, que ocorreu em Salvador de 05 a 07/12, contou nesta última etapa com as palestras de Florival Carvalho, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre os “Investimentos e Desafios em Ciência, Tecnologia e Inovação no Setor de Petróleo de Gás”; Carlos Graeff, coordenador de materiais da CAPES (substituindo Lívio Amaral) que falou sobre “O Panorama da Pós-Graduação e o PNPG 2010-2012”; Carlos Alberto Dias, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminese (UENF), que discorreu sobre os “Desafios da Educação e Formação de Pessoal para o Setor de Energia”; e Dra. Eliane Azevedo, membro da Academia de Ciências da Bahia e ex-reitora da UFBA, que concluiu a rodada de palestras falando sobre “Os Desafios da Ética e Integridade Científica”.

Florival Carvalho falou sobre os dois grandes mecanismos de financiamento para a pesquisa e inovação no setor de petróleo. Um deles, a Lei dos Royalties, envolve a distribuição das participações governamentais. O outro trata da contribuição das empresas que pagam à União por meio da chamada Participação Especial. Uma parcela dessas contribuições vai para pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Segundo Carvalho, nos contratos de concessão entre ANP e as operadoras de petróleo há uma cláusula que determina que as empresas devem investir 1% de seu faturamento bruto em P&D nos campos que produzirem determinado volume. “Nesse valor não há contingenciamento, não há o tesouro dizendo se pode ou não gastar”, disse. “As empresas de petróleo são obrigadas a aplicar todo o recurso originário da verba em P&D.” Caso a empresa tenha um centro de pesquisa, poderá aplicar nele até 50% desse valor e, no mínimo, os outros 50% nas Universidades e Instituições de Pesquisa.

Como este investimento passou a ser obrigatório em 1998, o acumulado atingiu a ordem de cerca de R$ 6 bilhões em 2011. “São valores bastante significativos e o mais importante é que é um investimento contínuo e crescente”, afirmou Carvalho. Embora a Petrobras seja responsável por 98% dos investimentos, outras onze empresas (oito estrangeiras e três brasileiras) também tiveram participação nestes investimentos.

O segundo palestrante da tarde, Carlos Graeff, afirmou que não tem como se fazer pesquisa sem pós-graduação e que, portanto, os investimentos neste setor do ensino refletem em pesquisas cada vez mais crescentes e de maior qualidade. Graeff mostrou que o Brasil ocupa a 13ª posição em produção científica no mundo, estando à frente de países que são referência em educação, como Holanda e Suíça. “A partir da década de 90 há um crescimento acentuado na produção científica no Brasil, o que fez com que o país evoluísse bastante nos rankings de produtores de ciência”, explica Graeff. De 1976 a 2011 houve um crescimento acentuado no número de cursos de mestrado, doutorado e mestrado profissional.

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 5.000 cursos de pós-graduação em um grande conjunto de programas. A área que apresentou maior crescimento nos últimos dez anos foi a Multidisciplinar, que entre 2004 e 2011 teve crescimento de 217%, seguida por Ciências Socias e Aplicadas com crescimento de 68%. “O crescimento é robusto porque essa área tende a atender às novas demandas da sociedade pela interdisciplinaridade”, diz Graeff. Comparando o número de matrículas em instituições públicas e privadas, percebe-se que a pós-graduação é uma atividade essencialmente das públicas, ao contrário da graduação que é das privadas. “Isso mostra um sucesso do setor público na pós-graduação, que é um reflexo do trabalho da Capes nesse seguimento”. Somente em 2011, a Capes concedeu cerca de 72 mil bolsas de estudo para pós-graduação.

Graeff falou ainda sobre importantes capítulos do Plano Nacional de Pós Graduação (PNPG), como a situação atual da pós, a importância da inter(multi)disciplinaridade e as assimetrias na distribuição de pós-graduações no território nacional.

Na terceira palestra da tarde, Carlos Alberto Dias contou um pouco da história da formação de Recursos Humanos (RH) da Petrobras, que teve início com os trabalhadores que detinham com exclusividade o conhecimento sobre processamento sísmico para exploração e engenharia de petróleo. Segundo ele, a quebra deste domínio se deu no final da década de 60 e a partir da crise do petróleo de 73 teve início a gradual inclusão das Universidades e Centros de Pesquisa na formação de RH e pesquisa na área. A partir de 80, com a criação de um software aberto voltado para processamento de dados sísmicos, teve início o Projeto Brasileiro do qual Dias participou ativamente com alguns alunos da UFBA. Neste projeto, UFBA/PETROBRAS e UFPA/PETROBRAS uniram esforços para realizar estudos na exploração de petróleo, enquanto UNICAMP/PETROBRAS, e, mais adiante, LENEP/UENF uniram-se na área de engenharia de Petróleo.

Dias explicou que não havia métodos para realizar levantamentos com sísmica, e que a Petrobras viu-se obrigada a aprender. “As pessoas fizeram cursos aqui na Bahia com professores contratados no exterior”, disse Dias. “Depois de um tempo, um deles me confessou que não sabia nada, que estudava de noite o que ensinaria no dia seguinte, e foi dessa maneira que a Petrobras formou seus quadros.” O pessoal especializou-se também nos cursos implantados em cinco universidades brasileiras, em parceria com a Petrobras, CNPq e Finep. “Esses cursos, embora extintos em 1995, serviram para constituir grupos permanentes de pesquisadores nacionais, bem formados e focados na área de petróleo.” A partir de 1997, a Petrobras passou a financiar diretamente a pesquisa e formação de RH na Academia, usando recursos pagos como “royalties” a partir de 2000 e “Participação Especial” a partir de 2005. Dias concluiu dizendo que um dos grandes desafios da atualidade é montar programas de formação e qualificação de Quadros Técnicos na área de petróleo. “Isso pode levar a um colapso na qualidade das atividades da Petrobras”, disse.

Para concluir as atividades do 4º Encontro Preparatório, a Dra. Eliane Azevedo falou sobre os desafios da ética no mundo científico: “Falar de integridade cientifica é falar de um lado não tão doce como o que foi apresentado até então, mas faz parte da realidade e é necessário falar”, disse. Segundo ela, dois cenários se impõem atualmente como desafios éticos. O primeiro é o crescimento de publicações científicas eivadas de desvios éticos e subsequente retratação pública de artigos publicados. Segundo, o custo da má prática da ciência. Azevedo citou como desafios específicos da integridade científica as fraudes, falsificações, plágios, conflitos de interesse, fatiamento de dados e duplicidade de publicações.

“De 1975 a 2012 a porcentagem de artigos retratados aumentou dez vezes”, disse Azevedo. As causas da retratação foram 77% decorrentes de má conduta, 43% de fraude, 14% por duplicação e 10% por plágio. Os demais foram erros comuns de pesquisa. Os custos decorrentes desse comportamento, para Azevedo, são de ordem intelectual, material e moral. “As piores consequências para a ciência são conhecimentos fabricados, falsificados, distantes da realidade, abusivos, publicados em revistas de alto impacto e sua permanência na literatura”. Vários países já dispõem de práticas preventivas através de ações educativas sobre integridade científica e órgãos de vigilância e recepção de denúncias, investigação e punição. O CNPq recentemente criou uma comissão de integridade científica. “Cabe à geração atual de cientistas, educadores, financiadores de pesquisa, editores de revistas científicas e instituições produtoras de CT&I o dever de deixar para gerações futuras o legado de competente enfrentamento do problema da integridade científica atual”, disse Azevedo.

Na mesa de encerramento do 4º Encontro Preparatório, Regina Gusmão, assessora do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lembrou que os encontros preparatórios são uma mobilização a nível nacional para discutir e refletir assuntos que serão levados para o Fórum Mundial de Ciência em 2013. “Esses sete encontros têm esse propósito de reflexão conjunta”, disse. As sugestões serão editadas em uma publicação final coordenada pelo CGEE, que será lançada no Fórum Mundial. Jailson Bittencourt, coordenador do 4º Encontro Preparatório em Salvador, agradeceu a todos os órgãos e instituições que contribuíram para a realização do evento.

O 5º Encontro Preparatório acontecerá em Recife-PE e está previsto para março de 2013. Todas as informações sobre os Encontros Preparatórios, programações, apresentações e notícias estão disponíveis no site fmc.cgee.org.br. As palestras são transmitidas ao vivo também pelo site.

Fonte: Lorena Bertino – Ascom/Fapesb

Desafios da Bio-Energia são discutidos no 4º Encontro Preparatório

Mais de 12 mil quilômetros e oito dias de viagem passando por temperaturas entre 30ºC e -8ºC. Esta foi a experiência narrada nesta quinta-feira, 06/11, pelo professor Ednildo Torres, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT)- Energia e Ambiente, no 4º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciências.

Mais de 12 mil quilômetros e oito dias de viagem passando por temperaturas entre 30ºC e -8ºC. Esta foi a experiência narrada nesta quinta-feira, 06/11, pelo professor Ednildo Torres, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT)- Energia e Ambiente, no 4º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciências. A experiência faz parte dos estudos sobre a utilização de biocombustíveis, um dos assuntos que compuseram a segunda etapa de debates, cujo tema central foi “Os Desafios da Bio-Energia”. A mesa foi coordenada pela Reitora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Dora Leal.

Segundo Torres, 45% da matriz energética brasileira é composta por fontes renováveis, como biomassa de cana de açúcar, energia hidráulica, lenha e carvão vegetal. Os 55% não renováveis englobam petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio. Os transportes são responsáveis por grande parte do consumo de energia no país, liberando enorme quantidade de CO² na atmosfera. A nível mundial, petróleo, gás natural e carvão correspondem a quase 80% da matriz energética. Diante destes dados, Torres sugeriu algumas soluções para a emissão de poluentes, dentre elas a utilização do álcool e do biodiesel como combustíveis: “Antes tínhamos um problema com a substituição de gasolina, mas hoje temos o etanol. Antigamente, não tínhamos um substituto para o diesel e hoje temos a possibilidade de usar biodiesel”.

Para comprovar a eficácia do biodiesel, Torres e uma equipe composta por mais quatro pesquisadores percorreram um trajeto de 12.350 Km de Salvador ao Peru em duas pick-ups, utilizando o biodiesel B100, e diesel comercial B5. “Os veículos se comportaram bem e os combustíveis melhor ainda. Tivemos a repetição dos experimentos bem sucedidos realizados em laboratório”, afirmou Torres. “Cerca de 60% do uso de combustíveis utilizados em veículos no Brasil é à base de diesel. Com esse trabalho, apresentamos a possibilidade de substituição de 100% do diesel convencional por um combustível que seja renovável, o que significa menor impacto ao meio ambiente, mais produção de óleos vegetais, mais renda e mais emprego para o brasileiro”. No momento, o professor está realizando testes com a mistura de biodiesel e álcool em diesel.

Em seguida, o professor Marcos Buckeridge, coordenador do INCT de Bioetanol, apresentou os Desafios Científicos na produção de Bioetanol no Brasil. Segundo ele, o Brasil é o país que mais usa biomassa no mundo, o que não está relacionado apenas à queima de biomassa, mas também ao uso da cana de açúcar para produzir etanol. Historicamente, com a descoberta do petróleo e o seu uso para combustíveis, o uso de etanol sofreu uma queda, sendo usado apenas em momentos de crise. “Na era do Proálcool, temos um problema técnico que á a corrosão. Hoje, se conseguirmos fazer com que o diesel seja usado com o álcool será muito interessante”, disse Buckeridge.

O palestrante explicou sobre a primeira geração do bioetanol em que um terço da energia da cana de açúcar vem da sacarose obtida quando se espreme o caule. A segunda geração seria a utilização de 100% da cana, obtendo mais um terço da energia da palha e outro terço do bagaço: “Se eu usasse toda a energia que existe no corpo da cana, poderia triplicar o que eu tenho de produção hoje, mas não posso fazer isso porque uma boa parte da energia do bagaço está sendo usado pra fazer bioeletricidade”, disse. Caso pudesse usar tudo, a produção de etanol aumentaria em 40%.

Atento às pesquisas em etanol realizadas pelo INCT de Bioetanol em parceria com outros órgãos, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) lançou um edital de 1,5 bilhões de dólares voltado para esta área. “Não sei de outra área no Brasil que tenha um investimento tão grande. É um bom investimento em ciência básica e, se tudo der certo, o Brasil vai ganhar mercado”, afirmou Buckeridge.

A terceira apresentação do dia foi de Luiz Drude de Lacerda do INCT de Transferência de Materiais Continente-Oceano (TMCOcean), que ministrou palestra com o tema “Impactos da Produção de Energia nos Oceanos”. Lacerda falou sobre a densidade crescente de áreas exploratórias e equipamentos de produção no mar e a consequente contaminação das águas por metais como cobre, ferro, zinco e manganês. Devido à atividade de produção na plataforma continental, é difícil diferenciar alterações nas concentrações de metais. “Quando você analisa uma grande amostra de águas, não consegue diferenciar estatisticamente uma área de controle de uma que receba a emissão de água”, explicou. Por isso, segundo ele, é necessário que se pense em outro modelo de monitoramento ambiental.

Por fim, o professor Ângelo da Cunha Pinto do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro falou sobre a Educação no Brasil: do Ensino Básico ao Setor Industrial. O professor Cunha apresentou um panorama da educação no Brasil sob seu ponto de vista, desde os marcos históricos como a criação do Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública em 1930, até os problemas atuais e os desafios que deverão ser enfrentados pelas Universidades. Dentre eles, Cunha citou a profissionalização da administração universitária, a forma de escolha e ocupação dos órgãos de Direção e a construção da autonomia universitária.

Mesmo com todas as dificuldades e desafios, Cunha diz que o momento nunca foi tão favorável para a educação: “Nós temos as Fundações de Amparo à Pesquisa com vários editais propondo melhoria de escolas e popularização da ciência, temos a participação ativa da Federação das Indústrias e empresariado, da comunidade científica com os INCTs, temos olimpíadas em quase todas as áreas do conhecimento e temos também sociedades científicas com participação expressiva na formação de docentes”, afirmou.

Ao final das apresentações, reuniu-se à mesa o grupo de relatores que ficará responsável por elaborar a lista de propostas e sugestões que farão parte da contribuição brasileira para os debates do Fórum Mundial de Ciência e Tecnologia. Fizeram parte do grupo Lilian Guarieiro do SENAI-CIMATEC, Robert Verhine da UFBA, Núbia Moura Ribeiro do IFBA e Lys Vinhaes da UFRB. Educação, Ética, Novos materiais com foco nos renováveis, Interação entre segurança alimentar e segurança energética, Produção de resíduos e Monitoramento de novos modelos, Formação de agenda política para a ciência com foco em políticas de financiamento, e Estratégias de sustentabilidade para todo o ciclo, desde o início da cadeia produtiva até a utilização do resíduo, foram alguns dos temas apontados pelos relatores. “Minha sugestão é que façamos dois documentos: o documento do Fórum Mundial e outro interno, para discussão das ciências no Brasil”, disse Lys Vinhaes.

Nesta sexta-feira, 07/11, as mesas de debate discutirão os temas “Fontes Alternativas de Energia” e “Desafios e Perspectivas em Energia e Sustentabilidade”. O 4º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciências 2013 termina hoje em Salvador.

Fonte: Lorena Bertino – Ascom/FAPESB
Foto: Jailson Bittencourt, Luiz Drude de Lacerda, Ednildo Torres, Ângelo Pinto, Dora Leal Rosa, Núbia Ribeiro e Marcos Buckeridge

Encontro de cientistas em Salvador discute desafios do setor de petróleo e gás

O desafio do setor de petróleo e gás foi um dos temas debatidos no segundo dia do 4º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, que será realizado no Rio de Janeiro. Com o tema central Energia e Sustentabilidade, o evento na capital baiana vai até sexta-feira, dia 7.

O desafio do setor de petróleo e gás foi um dos temas debatidos no segundo dia do 4º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, que será realizado no Rio de Janeiro. Com o tema central Energia e Sustentabilidade, o evento na capital baiana vai até sexta-feira, dia 7. Quatro palestrantes abordaram o assunto sob diferentes aspectos na manhã de ontem (06/12). Rodrigo Bustamante Smolka, da Petrobrás, falou sobre o relacionamento empresa e academia; Hernani Chaves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sobre a ocorrência de gás e líquidos no folhelho no Brasil; Carlos Cabral, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tratou dos desafios no setor de gás natural, e Manoel Barral, do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, abordou a questão da produção e cooperação científica do Brasil na área de petróleo e gás.

Smolka, o primeiro a falar, contou que os investimentos da Petrobrás em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) cresceram de cerca de 160 milhões de dólares em 2001 para 1,4 bilhão em 2011. Esses valores a colocam em segundo lugar no ranking das grandes empresas de energia do mundo, perdendo apenas para Petrochina, que investiu US$ 2 bilhões no ano passado, mas na frente da Shell, que aplicou 1,1 bilhão de dólares. Do total gasto em P&D pela companhia brasileira, 52% foram internamente, 25% em parceria com instituições de ensino e pesquisas nacionais, 19% com empresas brasileiras e 4% com instituições do exterior.
Em números absolutos, os investimentos da Petrobrás em universidades e instituições de P&D aumentaram quase 10 vezes entre 2004 e 2011, passando de 31 para 296 milhões de dólares. “Desse total, 74% foram para projetos de pesquisa e desenvolvimento e 26% para infraestrutura”, informou Smolka. De acordo com ele, a empresa mantém hoje parcerias com 120 universidades e instituições de pesquisa, muitas delas organizadas em redes temáticas. Em 2006 havia 38 dessas redes, hoje são 50, das quais sete com foco em energia e sustentabilidade.

Com o tema Desafios do Setor de Petróleo e Gás: Fomento e Cooperação, Barral mostrou dados da produção científica brasileira nessa área do conhecimento. Segundo ele, embora o Brasil ocupe o 13º lugar no ranking da ciência mundial, em petróleo e gás, o país é o 17º em publicação de artigos. “Além disso, a produção científica brasileira nesse setor é bem menor do que a de outros países do BRIS (BRICS sem a China)”, disse. “Enquanto o número de artigos científicos publicados por pesquisadores brasileiros passou de cerca de 100 em 1996 para 542 em 2011, os da Índia cresceram de pouco menos de 400 para 1.671 e os da Rússia de cerca de 900 para 1.494.”

Essa situação se reflete no programa Ciência sem Fronteira, que tem como objetivo promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional (101.000 bolsas em 4 anos). “Os temas de Petróleo, Gás e Carvão Mineral têm apresentado baixa demanda no programa Ciência sem Fronteiras, ainda mais acentuada no nível de pós-graduação”, disse Barral. “Das cerca de 20 mil bolsas concedidas até hoje, apenas 77 são para essas áreas.”

Durante os debates, depois das apresentações, a presidente da SBPC aproveitou para criticar o descaso do governo com a ciência. “Estão matando a ciência brasileira”, disse. “A ciência como ciência, a ciência fundamental vai deixar de existir. Todos os editais pedem para que se diga qual o impacto social do projeto e quais os impactos potenciais de aplicabilidade. Isso é matar a ciência. Por isso, vejo um ambiente sombrio para a ciência brasileira.”

Fonte: Evanildo Silveira – Ascom/SBPC